Ele alerta que as reservas nacionais estão sendo destruídas para abrir caminho para o capital estrangeiro; afirmações foram feitas durante 8º Congresso da Força Sindical do estado RJ;

Se os trabalhadores, os sindicatos e a sociedade não reagirem, o governo vai passar como um trator esmagando os poucos direitos que restarem aos trabalhadores. A afirmação foi feita nesta terça-feira (9), pelo diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), durante o 8º Congresso da Força Sindical do estado RJ. Ele disse que as reformas estruturais do governo impactam diretamente na vida dos trabalhadores brasileiros e têm como único objetivo desmontar a economia brasileira e abrir espaço para o capital externo.

Segundo Ganz, o fato do Brasil ter a maior reserva de água potável do mundo, grande estoque de petróleo; a floresta amazônica- com diversidade de plantas- e caminha para ser o maior produtor de alimentos do mundo, incomoda as grandes potências. Ele disse que há um conluio do governo com o capital estrangeiro para abrir a economia do país. Ganz Lúcio citou como exemplo o desmonte da Petrobras, que culminou com o fechamento de seis mil empresas que prestavam serviços à estatal.

O diretor do Dieese ressalta que o plano é ainda mais maquiavélico do que se possa imaginar.  Ganz Lúcio denuncia que o governo está transferindo para o capital estrangeiro também as empresas privadas. Essa é mais uma estratégia para ajudar a enterrar de vez a economia brasileira. De acordo com Ganz, as empresas negociadas são fechadas, os funcionários indenizados, tudo para facilitar a abertura da importação de produtos. Ele citou como exemplo algumas empresas metalúrgicas na região de São Paulo, que encerraram suas atividades e os equipamentos produzidos no Brasil passaram a ser comprados fora do país.

Ganz Lúcio disse que isso explica a reforma trabalhista imposta pelo governo. De acordo com ele, o fim do imposto sindical proposto no projeto, em tramitação no Senado, não é um grande problema, já que as entidades de classes perderão as suas representações, a partir do momento, em que as negociações serão comandadas por uma comissão formada por trabalhadores da empresa. O projeto concretiza o sonho neoliberal de criar sindicatos amigáveis que defendam os interesses dos patrões. “Os novos sindicatos serão as comissões de trabalhadores formadas pelos patrões”, completou.

O diretor do Dieese chamou a atenção para o fato da quitação dos débitos trabalhistas também passarem pelo crivo individual ou da comissão formada pela empresa. Ganz disse que com a reforma trabalhista e a lei da terceirização as empresas terão segurança jurídica para cobrar do empregado o exercício da função, mesmo quando estiver doente. “A reforma trabalhista tem impacto econômico sobre a vida dos trabalhadores e seus efeitos são mais perversos que a PEC da previdência”, disse.

Ganz alerta que depois das reformas trabalhista e da previdência, o governo vai mexer na regra do salário mínimo, para reduzir o custo do trabalho. Segundo ele, se os trabalhadores e os sindicatos não reagirem a sociedade brasileira poderá decretar a sua destruição. O diretor do Dieese disse, ainda, que na manifestação do dia 28 de abril, o movimento sindical mostrou a sua força, por isso é preciso permanecer na luta para convencer a sociedade de que é possível resistir, reagir e vencer. “A luta gera uma nova consciência e conspira pela unidade dos trabalhadores”, finalizou.