O governo fez 1 esforço nas últimas semanas para acelerar as votações de reformas tidas como prioritárias. O Poder360 ouviu operadores importantes no Congresso. E, apesar de vitórias parciais do Planalto, fica para agosto a conclusão tanto das alterações na legislação do trabalho como a reforma da Previdência.

“Dá tempo de votar a reforma trabalhista no Senado ainda no 1º semestre, mas será muito difícil”, afirma publicamente o experiente senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Assim como o governo, Tasso defende que os senadores não façam alterações nas reformas aprovadas pelos deputados.

Conforme o senador, evitaria o retorno dos projetos para novas votações na Câmara. Haveria o risco de as reformas se prolongarem por todo o 2º semestre, dificultando ainda mais a aprovação definitiva.
PMDB é o nó

O grande complicador para as votações caminharem como queria o governo é a divisão entre senadores do PMDB. Nesta 4ª (3.mai), o líder do governo, Romero Jucá (RR), comandou uma tentativa de destituir da Liderança do partido o rebelado Renan Calheiros (AL). O alagoano recolheu metade das assinaturas da bancada para permanecer na cadeira. O governo concluiu o óbvio: as reformas não têm ainda o apoio do maior partido do Senado.

Jucá será o relator da reforma trabalhista na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. Trata-se de 1 nome de confiança do Planalto. A reforma trabalhista é 1 projeto prioritário para Michel Temer. Está abaixo apenas da reforma da Previdência.
Faltam votos para Previdência

No caso da reforma da Previdência, o texto básico foi aprovado nesta 4ª (3.mai) na comissão especial da Câmara. Mas a conclusão da votação dos destaques teve que ser adiada para a semana que vem, após a sala ser invadida por agentes penitenciários. A insatisfação da categoria foi provocada por recuo duplo do relator da reforma, Arthur Maia (PPS-BA), que os deixou fora do regime especial.

Os governistas acreditam que só terão votos suficientes para aprovar a reforma em plenário e enviá-la ao Senado em julho.
Poder360 avalia

Tudo somado, é grande a chance de que neste ano não ocorra o recesso legislativo de julho. Para suspender essa folga, basta não votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias. O governo ganha, então, 17 dias de apreciação das reformas. Mas esses dias extras podem ser insuficientes para evitar que a tramitação dos projetos continue ao longo de agosto ou setembro.