8º Congresso mostrou crescimento, vitalidade e maturidade da Força Sindical
Por Sergio Luiz Leite
Uma impressionante demonstração de vitalidade, organização e entendimento. Assim foi o 8º Congresso da Força Sindical, realizado em Praia Grande, na semana passada. Durante três dias, 2.345 delegados, representando mais de 2 mil entidades sindicais filiadas e sob o acompanhamento de observadores internacionais, se reuniram num ambiente de intensa participação.
A principal missão política e sindical do 8º Congresso foi cumprida. Sob a coordenação do companheiro Paulinho, reeleito presidente da central, e à luz das deliberações de 27 congressos estaduais realizados pela Força nos meses que antecederam o grande Congresso, chegamos unidos à Praia Grande. E de lá saímos ainda mais fortes, organizados em torno de uma direção eleita por aclamação, cujos cargos foram preenchidos por consenso e sob os critérios de participação dos vários ramos profissionais aglutinados na Força. As divergências pontuais que existiam foram resolvidas sem traumas, com base na franqueza e no companheirismo. Quem apostou na divisão da Força, perdeu todas as fichas. Quem trabalhou pela unidade, saiu consagrado.
A Força ficou mais robusta. Criamos um Conselho Político, que apoiará reflexões, consultas e decisões estratégicas ágeis para a Central. Esse Conselho organiza e compartilha propostas e responsabilidades para seus integrantes. Podendo ser convocado a qualquer momento, irá comprometer seus integrantes com os posicionamentos assumidos, ampliando o leque de consultas formais, de um lado, e aumentando a responsabilidade dos dirigentes sindicais com os destinos da nossa Central.
Outra novidade está na de trazer as mulheres da Força, essas guerreiras, mais para o centro de decisões da nossa entidade. Respeitou-se, na montagem da nova direção, a cota de 30% para mulheres, mas estabeleceu-se o compromisso de elevar esse percentual, já no próximo Congresso, para até 50%. Preciso registrar, nesse ponto, que a nossa categoria de químicos e farmacêuticos já praticou esse critério, levando nossa bancada de delegados a ter, em Praia Grande, mais de 30% de representantes femininas. Igualmente indicamos para a formação da chapa diretiva 30% de companheiras mulheres. Esse é o caminho para as cotas. Cabe agora às categorias e aos estados, previamente, fazer o dever de casa.
Os trabalhadores químicos e farmacêuticos tiveram no trabalho do companheiro Edson Dias, secretário-geral da Fequimfar e coordenador do maior dos grupos de trabalho do encontro, um delegado responsável, transparente e democrata, como é do seu feitio. Ao tratar da ausência de mulheres em grande número em seu grupo de trabalho, ele usou uma imagem não adequada. Por este deslize, sofreu críticas excessivas e injustas de companheiras presentes. Edson sempre foi um exemplo de respeito, correção e comportamento de classe. Em nome da Fequimfar, que presido, afirmo e reafirmo que conheço o compromisso do companheiro Edson com as causas das mulheres. Ele não é, e nem passa perto, do retrato que algumas sindicalistas traçaram dele. O secretário-geral Edson Dias merece toda a nossa consideração.
Com a maior participação, entre todas as centrais, nos atos, manifestações e greves realizadas nacionalmente nos últimos dois meses, a Força reafirmou em Praia Grande a importância de haver fontes seguras para o custeio sindical, de modo a que nossas entidades possam seguir encaminhando a luta dos trabalhadores. Igualmente marcou, por mais esta vez, sua posição contras as propostas governistas de reformas trabalhista e da Previdência. Consolidamos a estratégia de fortalecer o trabalho sindical nos locais de trabalho. Nosso 8º Congresso confirmou, pela vontade soberana das bases, que somos uma central sindical plural, que luta e dialoga. Uma central que puxa greves e jornadas históricas como a Marcha à Brasília, quando levamos 100 mil trabalhadores à capital federal, e que também discute com o Congresso e o governo na defesa de nossas princípios.
A decisão de partirmos para eleger, no próximo ano, candidatos e candidatas ligados à central para o Congresso Nacional, especialmente como deputados federais, foi muito feliz. Hoje, a correlação de forças em Brasília é bastante adversa. O crescimento da bancada verdadeiramente ligada aos interesses dos trabalhadores torna-se, assim, uma imposição. Estou certo de que, com a organização e o planejamento que mostramos ao longo do período do 8º Congresso, saberemos, em cada Estado, escolher esses bons candidatos e elegê-los.
Entre as moções, sem dúvida cabe o destaque da que foi aprovada em favor do companheiro Paulinho. Tomada semanas atrás, a decisão de uma juiza do Tribunal Regional Federal, de suspensão de direitos políticos, foi noticiada, não por coincidência, justo no dia da abertura do 8º Congresso. Com sentenças que já o absolveram no caso, inclusive no TCU, Paulinho irá vencer, como já o fez outras vezes, mais essa batalha.
Nos meses anteriores ao nosso encontro, mais de 400 novas entidades sindicais se filiaram à Força, numa mostra de que nossas linhas mestras de atuação despertam interesse e alinhamento entre os trabalhadores. Nos próximos quatro anos que agora se iniciam, a maior responsabilidade da nova direção, da qual faço parte como 1º Secretário, é manter acesa a chama de unidade e da participação.
Parabéns, Força Sindical! Nosso 8º Congresso já se inscreve na história da central como aquele em que, em meio a ataques de todos os lados contra os trabalhadores, mostramos a todo o Brasil que nosso maior valor está na nossa união e compromisso com a luta de toda a classe trabalhadora.
Sergio Luiz Leite é presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Fequimfar) e 1º Secretário reeleito da Força Sindicalde São Paulo (Fequimfar) e 1º Secretário reeleito da Força Sindical
Leia abaixo artigo O Resgate do Protagonismo
Por Sergio Luiz Leite
Cercado de ataques por todos os lados, o movimento sindical brasileiro está provando e comprovando que é mesmo bom de briga.
Mais que isso, as centrais sindicais e as principais federações, como a dos Químicos e Farmacêuticos do Estado de São Paulo, que reúne os sindicatos das duas categorias e é representada por mim e pela combativa Diretoria, têm conseguido, pela via da mobilização das bases e da realização de grandes lutas, resgatar o que parecia perdido nos últimos anos: o protagonismo na cena política e econômica do Brasil.
Em resumo: voltamos a pautar o grande debate nacional.
Durante os governo de Lula e o primeiro quadriênio de Dilma, marcados pela elevação do PIB, explosão do emprego e ganhos salariais, o movimento sindical exerceu um papel de coadjuvante no exuberante ‘Espetáculo do Crescimento.
Sem ameaças a direitos e conquistas dos trabalhadores, mas atendendo sim a reivindicações históricas como a legalização das centrais sindicais, a gestão Lula trabalhou uma agenda que se combinava com a pauta trabalhista.
Mais confusa e errática, a gestão Dilma manteve a postura positiva em sua primeira parte, mas inaugurou seu segundo mandato insurgindo-se contra garantias como o seguro-desemprego. A partir deste erro crasso e por muitos outros a seguir, caiu.
As trapalhadas de Dilma mostraram ao movimento sindical que o tempo do desfrute e da contemplação vividos com Lula chegara ao fim. A guinada na orientação do governo dito trabalhista representou uma grave quebra de compromisso e, nessa medida, surpreendeu a maioria dos sindicalistas.
O que não se sabia dois anos atrás, porém, quando Dilma começou seu declínio e Michel Temer foi sendo alçado ao poder, é que viria pela frente a mais pesada e articulada ‘blitzkrieg’ contra direitos trabalhistas de toda a história do Brasil. Temer, no primeiro instante, promoveu diálogo e atraiu as centrais para seu convívio. Mas as propostas draconianas de reformas, com a imposição da terceirização, o desmonte da Previdência e o desmanche de toda a estrutura sindical vigente, nunca fizeram parte dos nossos debates com o governo.
A boa notícia é que, frente ao ataque, o movimento sindical saiu do longo estado de letargia. Reagiu. Levantou-se e construiu um período de lutas que já as inscrevem entre as maiores de todos os tempos.
A jornada nacional de paralisações e manifestações do dia 15 de março, a greve geral nacional do dia 28 de abril, o grande 1º de Maio da Força Sindical em São Paulo e, noutro ato espetacular, a Marcha à Brasília em 24 de maio, quando 100 mil trabalhadores, chegados de todas as regiões do País, mostraram sua indignação diante do Congresso Nacional, são os marcos dessa heróica jornada.
A partir do momento em que saíram às ruas, coordenados por suas entidades sindicais e com bandeiras bem definidas e claras e estratégias bem traçadas, os trabalhadores retomaram sua voz.
No Congresso Nacional, as articulações voltaram a incluir os trabalhadores. Nesse ponto, é preciso destacar o papel estratégico cumprido pelos deputados federais Paulinho da Força, presidente da nossa Força Sindical, e Bebeto, do PSB da Bahia, sempre coerente e propositivo.
Usando as armas pacíficas da mobilização e do convencimento, os trabalhadores brasileiros estão dando seguidas lições de que a solução para os problemas do Brasil está conosco – e nunca entre os que agem contra a classe trabalhadora e querem a submissão do povo brasileiro.
A guerra ideológica sobre o caráter das reformas, qualquer que venha a ser o resultado das próximas votações no Congresso, está ganha pela maioria da população brasileira. Os trabalhadores voltamos a ser protagonistas e dessa posição pretendemos avançar cada vez mais.
Sergio Luiz Leite é presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Fequimfar) e 1º secretário da Força Sindical