Com um discurso duro contra a corrupção, o relator Herman Benjamin começou a votar ontem no julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE. Para ele, é necessário mudar as leis para garantir a normalidade das eleições. No primeiro dia do julgamento que pode levar à cassação de Temer, foram rejeitadas quatro questões preliminares apresentadas pelos advogados do PT e do PMDB.

Hoje, o TSE deve analisar outras cinco questões preliminares antes de entrar no mérito. A expectativa é a de que, em seguida, o relator vote pela condenação da chapa.

GILMAR POLITIZA PRÓ-TEMER

O presidente do TSE, Gilmar Mendes, pediu um aparte a Benjamin para pregar cautela no julgamento. “Temos uma situação totalmente singular, que é a impugnação de chapa presidencial num grau de instabilidade que precisa ser considerado”, disse ele. Mendes lembrou que observadores estrangeiros observam que hoje o TSE faz mais cassações do que no tempo da ditadura. Ao voltar a falar, Benjamin rebateu Gilmar: “As ditaduras cassavam e cassam quem defende a democracia; o TSE cassa aqueles que vão contra a democracia. Nós temos de ser cuidados em tudo que diz respeito à soberania do voto popular”.

O vice-procurador-geral eleitoral, Nicolao Dino, afirmou que “há elementos robustos” para cassar a chapa.