Em quatro páginas, a revista Istoé desta semana afirma que, à frente de grandes sindicatos, seus titulares aproveitam da falta de transparência e fiscalização para enriquecer às custas do movimento sindical. Em destaque, os casos do presidente do Sindeepres (Sindicato dos Empresários Terceirizados), que é dono de um hotel e de uma pousada de luxo em Ilhabela, e da presidente do Sindicato dos Empregados do Comércio de Niterói, Rita de Cácia, que faturava R$ 1 milhão por mês com o desvio de taxas pagas pelos integrantes da categoria. O filho dela é o vice-presidente da entidade.

Também aparecem em quadros Orlando Diniz,  presidente da Fecomercio do Rio de Janeiro, entidade patronal, dono de luxuoso apartamento no bairro do Leblon e de uma casa de praia em Mangaratiba, e o presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo, Fábio Meirelles, acusado de nepotismo.

A matéria mostra que a CUT arrecada R$ 59,8 milhões anualmente, enquanto a Força levanta R$ 46,6 milhões, a UGT obtém R$ 15,3 milhões, a CTB apura R$ 15,3 milhões e a CSB, R$ 12,5 milhões. Feita no contexto da reforma trabalhista, que acaba com a contribuição sindical obrigatória, a matéria conclui que o interesse dos trabalhadores se dilui entre os desvios praticados por sindicalistas.

Na avaliação de BR:, Istoé capta exceções para forjar uma regra de que todo o movimento sindical é mal administrado e, por isso, merece ser punido com o fim da contribuição obrigatória, como defende o patronato. Triste papel de uma revista que depende do dinheiro estatal para imprimir suas páginas.