Em entrevista ping-pong ao jornal Folha de S. Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique disse ser muito “cedo” para falar em candidaturas ao Palácio do Planalto em 2018, mas considera que o ‘novo’, hoje, no cenário político, é representado por figuras como o prefeito João Doria, de São Paulo, e o apresentador Luciano Huck, da Rede Globo. Para o ex-presidente, Michel Temer “tem dado sinais” de estar com a mão firme no leme do governo. Citou como exemplo a reforma trabalhista. “Eu sempre achei que seria impossível acabar com o imposto sindical obrigatório. Era algo que parecia inabalável”, disse FHC.

Ele afirmou que Temer entendeu “que o papel dele ou é histórico, ou é nenhum”. “Às vezes, ele (presidente) não tem tempo de se beneficiar dos avanços. Às vezes, tem. Vamos ver”. FHC admitiu que “os brasileiros estão inquietos, mas se não fizermos nada, o país vai virar a Grécia, vai virar o Rio de Janeiro”. E criticou a proposta do deputado tucano Nilson Leitão, do Mato Grosso, de mexer com as relações trabalhistas rurais. “Aquilo é uma loucura (permitir que o pagamento ao trabalhador não seja feito em dinheiro). Não pode ser assim”.

Sobre 2018, FHC considerou “um pouco estranho” o crescimento de Lula nas pesquisas eleitorais e acrescentou que o ex-presidente petistas “perdeu a classe média e o pessoal do dinheiro, isso não volta mais”. Ao apontar Doria e Huck como ‘o novo’, FHC justificou que ambos “não estão sendo propelidos pela forças de sempre. Temos de ver como isso se desenrola”.