Em sessão tumultuada que ficou suspensa por sete horas, o Senado aprovou ontem a ampla reforma na legislação trabalhista proposta pelo presidente Michel Temer, destaca a Folha (A17). O texto aprovado altera mais de 100 pontos da CLT. O projeto foi aprovado com folga, por 50 votos a favor e 26 contra. O texto segue agora para sanção presidencial. Para convencer os senadores a não realizarem mudanças no texto aprovado pela Câmara, o governo se comprometeu a editar uma Medida Provisória que modifica o texto em pontos de desacordo.

Porém, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse à Folha que vai engavetar a MP. “Não participamos de nenhum acordo. Queremos reformar o Brasil. Chega de mentiras”, afirmou. Maia classificou o texto aprovado de “revolução” e declarou que qualque mudança via MP seria “um retrocesso”. As novas normas entrarão em vigor 120 dias após a sanção presidencial.

A tomada da Mesa Diretora do Senado foi feita pelas senadoras Fátima Bezerra (PT-RN), Gleisi Hoffmanm (PT-PR), Regina Souza (PT-PI), Vanessa Graziotin (PCdoB-AM) e Lídice da Mata (PSB-BA). A primeira sentou-se na cadeira do presidente Eunício Oliveira e não permitiu que ele comandasse a sessão. Uma hora após a tomada da Mesa, a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) juntou-se ao grupo. Em resposta, os microfones foram desligados e as luzes do plenário, apagadas. Após sete horas, as senadoras deixaram voluntariamente a Mesa.