Reeleito presidente da Força Sindical, durante o 8º Congresso da entidade, em Praia Grande, no início da semana, o deputado Paulo Pereira da Silva é  assunto forte nas redes sociais. Ele foi condenado, pelo 4º TRF, à perda de seus direitos políticos por cinco anos, em razão de convênios realizados pela Força, em 2001, com uma empresa que ministrava cursos de requalificação de trabalhadores.
O deputado vai recorrer da decisão. Entre as alegações para justificar a contratação sem licitação, a defesa irá alegar que o mesmo procedimento foi feito pela Fiesp em relação à Fundação Roberto Marinho, também contratada pela entidade patronal para ministrar cursos de requalificação de mão obra. Para esses contratos, não houve nenhuma contestação judicial.
A mais nova onda de acessos de internautas em torno dos assuntos de Paulinho, porém, tem outra razão: a defesa feita por ele, durante o Congresso da Força, do ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira.
Ao ser recebido no plenário do Congresso da Força, na abertura na segunda-feira 12, Nogueira foi vaiado por boa parte dos mais de 2,5 mil delegados presentes. As vaias foram acompanhadas de gritos de ‘fora, Temer’. Pouco depois, quando o ministro avisou que iria se retirar, Paulinho ocupou a tribuna para fazer uma defesa enfática do papel do ministro neste momento.
“Ele tem sido um aliado nosso, vocês foram injustos e devem desculpas ao ministro”, iniciou Paulinho. “Ronaldo Nogueira se afastou do cargo para votar a reforma trabalhista, mas votou conosco e apoiou emendas minhas que haviam sido discutidas com todas as centrais sindicais”, frisou o presidente da Força. “O ministro tem sido muito correto com os trabalhadores e é quem mais nos ajuda a enfrentar os ataques que temos sofrido”, completou Paulinho que, ao final, foi aplaudido.
A respeito do episódio, o ex-dirigente comunista Régis Frati escreveu em sua página no facebook o texto abaixo, que se tornou um campeão de acessos.

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PAULINHO É TÃO POLÊMICO PARA QUEM O ADMIRA OU EXCOMUNGA

Em geral não há meio termo ou indiferença. Há quem os admirem ou detestem. Quem goste e respeite por conhecer, ou quem tenha horror e excomungue por desconhecer ou discordar do que pensam. Indivíduos polêmicos sempre se expõem com transparência, emitem opiniões sem a preocupação com o que os outros possam pensar, concordar ou discordar. Eles sempre exteriorizam aquilo que acreditam, por isso nunca são unanimidades e nem se preocupam em ser. Paulinho, o deputado federal e presidente da Força Sindical é uma dessas figuras polêmicas. Jovem, vindo do interior do Paraná, se fez dirigente sindical metalúrgico em São Paulo na Diretoria de Medeiros, a quem sucedeu também na presidência da Força Sindical, se transformando em uma das mais expressivas lideranças dos trabalhadores brasileiros.

Paulinho é fundador e presidente de um partido, o Solidariedade, e está em seu terceiro mandato como deputado federal, sempre muito bem votado em SP. Apesar da tradicional e renhida disputa política da CUT com a FS, apoiou Lula em suas duas eleições e, a pedido de Lula, foi um dos primeiros a apoiar Dilma no primeiro mandato, com quem rompeu, por absoluta insensibilidade desta, em ao menos respeitar as entidades representativas que a haviam apoiado e nada pediam em troca, a não ser opinar sobre os interesses que representavam. Lula conhece muito bem e em detalhes a história dessa ruptura e as razões em ter se insurgido contra ele próprio, às vésperas da segunda candidatura de Dilma e após uma conversa pessoal e direta, tendo o então presidente da CUT como testemunha. Depois disso e como consequência natural, vem o seu apoio ativo e de destacado protagonista para o processo de Impechament da então presidente, que deu no que deu.

O sindicalista, nestes últimos dias, mais uma vez deu um grande exemplo de lealdade, audácia política e coragem pessoal, ao enfrentar a adversidade na reação inicial de cerca de 4 mil pessoas, entre delegados, observadores e convidados do 8. Congresso da Força Sindical. “Fora Temer” e estrondosas vaias, foi o grito uníssono de praticamente todos que lotavam o grande ginásio municipal na Praia Grande, em SP, quando ingressou no recinto o ministro do Trabalho, convidado, entre outros, como os representantes da CUT e das demais centrais, do governo do Estado, de muitas delegações internacionais, China à frente, prefeitos, parlamentares e outras personalidades.

Diante de atônitos companheiros na mesa dirigente com aquela situação constrangedora, Paulinho, sem se intimidar ou com medo das possíveis vaias que poderiam até desandar o eixo já vitorioso do Congresso, ocupa o microfone e com o seu estilo direto e reto, chama a responsabilidade de todos, contra a falta de educação com um convidado, que era, na verdade um dos poucos aliados que os trabalhadores tinham no governo, que até havia se licenciado do ministério para, como deputado federal, votar com os trabalhadores, contra as reformas do governo e que, naquele instante, negociava com todas as centrais uma possível Medida Provisória que pudesse permitir rever inúmeros prejuízos aos trabalhadores na reforma trabalhista praticamente já aprovada no Senado. Do silêncio inicial respeitoso ao ouvi-lo, teve início uma grande salva de palmas, quando Paulinho faz o gesto limite de seu desafio: convidando o ministro Ronaldo Nogueira a, abraçado a ele, fazer a sua saudação aos congressistas.

Esse é Paulo Pereira da Silva, cabeça privilegiada, leal com os colegas, audacioso na política e corajoso pessoalmente, que tantos respeitam e admiram, como outros o contestam. E quando alguns sindicalistas perguntam ” o que ele tem que nós não temos”? já ouvi uma bela resposta de Medeiros: “o nariz arrebentado pela polícia, em manifestação de rua”!

Regis Frati