Com a forte queda das ações, as empresas listadas na Bolsa tiveram perda de R$ 219 bilhões em seu valor de mercado só ontem, segundo levantamento da Economática. Essa perda é mais do que vale a Petrobras.
Para Adeodato Volpi Netto, estrategista-chefe da Eleven Financial, mudou a percepção de risco em relação ao Brasil, já que, com a crise institucional instalada, não há condições de aprovação das reformas.
— O mercado está reagindo na proporção do estrago institucional que foi feito. Isso mudou a percepção de risco — disse, acrescentando que, na sua opinião, a situação só voltará ao normal após a saída do presidente Michel Temer.
JUROS FUTUROS DISPARAM
Sem perspectiva de aprovação de reformas, a previsão do mercado agora é que os juros básicos da economia vão cair mais devagar. Com isso, as taxas futuras negociadas no mercado tiveram fortes ajustes ontem. Os contratos com vencimento em janeiro de 2018 fecharam a 10,075%, ante 9% na véspera. Os de janeiro de 2019 subiram de 8,85% para 10,41% e os de janeiro de 2021, para 11,39%, ante 9,60%.
A reviravolta política no Brasil teve impacto nos mercados emergentes, com perdas em fundos globais. Na Argentina, o peso caiu 2,5%, e a província de Buenos Aires cancelou uma emissão de bônus prevista para hoje. As cotações de matérias-primas agrícolas na Bolsa de Chicago também caíram com força, também por causa do Brasil.
O presidente da Argentina, Mauricio Macri, estava encerrando uma visita oficial à China e iniciando outra ao Japão quando O GLOBO revelou a delação da JBS. A crise brasileira obrigou o chefe de Estado e sua delegação a ativarem um canal permanente de consultas com o embaixador da Argentina no Brasil, Carlos Magariños, para acompanhar e entender o que está acontecendo no principal sócio estratégico da Casa Rosada. Macri, disseram fontes da comitiva oficial, “ficou preocupado” e discutiu a crise brasileira com seus assessores. Cerca de 40% das exportações argentinas são vendidas para o mercado brasileiro.
COTAÇÕES AGRÍCOLAS RECUAM
No mercado financeiro argentino, o impacto foi forte: o dólar superou a barreira dos 16 pesos, e a Bolsa de Buenos Aires fechou em queda de 2,95%.
— Toda a crise brasileira afetará a chegada de investimentos ao país, o crescimento, e isso impacta a Argentina, porque estamos muito vinculados ao Brasil e à evolução de seu PIB — explicou Alejandro Bianchi, gerente de investimentos da agência InvertirOnline.com.
O fundo iShares do banco JPMorgan, o maior dedicado a títulos de países emergentes, desabou na abertura dos mercados e fechou em queda de 0,51%, o maior recuo diário desde dezembro.
Na Bolsa de Chicago, as cotações de matérias-primas agrícolas desabaram, já que o Brasil é o maior exportador mundial de soja, açúcar, café e suco de laranja. O preço do suco de laranja caiu ao menor nível em um ano, e o da soja recuou 3,4%, para o menor patamar em um mês.