O deputado afastado Rodrigo Rocha Loures, do PMDB-PR, está no centro do escândalo que envolve a JBS e o presidente Michel Temer. Rocha Loures aparece nas delações dos executivos da JBS como a pessoa indicada por Temer para resolver assuntos de interesse da empresa. Além disso, o político foi filmado recebendo uma mala da JBS com R$ 500 mil em vantagens indevidas. O valor correspondia, segundo o Ministério Público, à primeira parcela de uma propina que seria paga mensalmente por 20 anos, totalizando R$ 480 milhões.
Rocha Loures ainda não se manifestou publicamente desde que as acusações vieram à tona, na semana passada. Ele disse que só vai se pronunciar em momento oportuno. O papel do deputado afastado no esquema seria de mensageiro do presidente Temer, segundo Ricardo Saud, diretor da J&F, a holding que controla a JBS.
Saud também é delator. Foi ele quem entregou a mala para Rocha Loures com os R$ 500 mil. A entrega foi monitorada pela Polícia Federal numa ‘ação controlada’, uma estratégia de investigação usada para conseguir provas e flagrantes. Mas, segundo Ricardo Saud, Rocha Loures agia apenas como intermediário de Temer.
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O executivo afirmou ainda que a JBS nunca negociou propina com Rocha Loures. Os valores eram acertados diretamente com Temer. Por isso, Ricardo Saud acredita que os R$ 500 mil foram parar nas mãos do presidente. A Polícia Federal ainda está rastreando os destinatários finais do dinheiro.
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O presidente Temer negou todas as acusações e disse que nunca recebeu propina da JBS. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, Temer também falou sobre a gravação de Rocha Loures recebendo a mala de dinheiro e disse que ele foi induzido e seduzido por ofertas irreais e mirabolantes feitas pela JBS, no caso, os R$ 480 milhões em propina por 20 anos. Temer, no entanto, admitiu que o deputado afastado errou ao receber o dinheiro.
Apesar disso, o presidente disse que Rocha Loures é um homem de boa índole que cometeu um gesto reprovável. Ele disse que não conversou com o paranaense desde a divulgação das delações premiadas da JBS. Rocha Loures trabalhou com Temer entre 2011 e março deste ano, passando pelos gabinetes do vice e da presidência. O deputado está afastado do cargo por decisão do STF.