Arquivos Em 120 dias, nova realidade para o movimento sindical: como agir - BR2pontos
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Trabalho
8º Congresso mostrou crescimento, vitalidade e maturidade da Força Sindical
8º Congresso mostrou crescimento, vitalidade e maturidade da Força Sindical Por Sergio Luiz Leite Uma impressionante demonstração de vitalidade, organização e entendimento. Assim foi o 8º Congresso da Força Sindical, realizado em Praia Grande, na semana passada. Durante três dias, 2.345 delegados, representando mais de 2 mil entidades sindicais filiadas e sob o acompanhamento de observadores internacionais, se reuniram num ambiente de intensa participação. A principal missão política e sindical do 8º Congresso foi cumprida. Sob a coordenação do companheiro Paulinho, reeleito presidente da central, e à luz das deliberações de 27 congressos estaduais realizados pela Força nos meses que antecederam o grande Congresso, chegamos unidos à Praia Grande. E de lá saímos ainda mais fortes, organizados em torno de uma direção eleita por aclamação, cujos cargos foram preenchidos por consenso e sob os critérios de participação dos vários ramos profissionais aglutinados na Força. As divergências pontuais que existiam foram resolvidas sem traumas, com base na franqueza e no companheirismo. Quem apostou na divisão da Força, perdeu todas as fichas. Quem trabalhou pela unidade, saiu consagrado. A Força ficou mais robusta. Criamos um Conselho Político, que apoiará reflexões, consultas e decisões estratégicas ágeis para a Central. Esse Conselho organiza e compartilha propostas e responsabilidades para seus integrantes. Podendo ser convocado a qualquer momento, irá comprometer seus integrantes com os posicionamentos assumidos, ampliando o leque de consultas formais, de um lado, e aumentando a responsabilidade dos dirigentes sindicais com os destinos da nossa Central. Outra novidade está na de trazer as mulheres da Força, essas guerreiras, mais para o centro de decisões da nossa entidade. Respeitou-se, na montagem da nova direção, a cota de 30% para mulheres, mas estabeleceu-se o compromisso de elevar esse percentual, já no próximo Congresso, para até 50%. Preciso registrar, nesse ponto, que a nossa categoria de químicos e farmacêuticos já praticou esse critério, levando nossa bancada de delegados a ter, em Praia Grande, mais de 30% de representantes femininas. Igualmente indicamos para a formação da chapa diretiva 30% de companheiras mulheres. Esse é o caminho para as cotas. Cabe agora às categorias e aos estados, previamente, fazer o dever de casa. Os trabalhadores químicos e farmacêuticos tiveram no trabalho do companheiro Edson Dias, secretário-geral da Fequimfar e coordenador do maior dos grupos de trabalho do encontro, um delegado responsável, transparente e democrata, como é do seu feitio. Ao tratar da ausência de mulheres em grande número em seu grupo de trabalho, ele usou uma imagem não adequada. Por este deslize, sofreu críticas excessivas e injustas de companheiras presentes. Edson sempre foi um exemplo de respeito, correção e comportamento de classe. Em nome da Fequimfar, que presido, afirmo e reafirmo que conheço o compromisso do companheiro Edson com as causas das mulheres. Ele não é, e nem passa perto, do retrato que algumas sindicalistas traçaram dele. O secretário-geral Edson Dias merece toda a nossa consideração. Com a maior participação, entre todas as centrais, nos atos, manifestações e greves realizadas nacionalmente nos últimos dois meses, a Força reafirmou em Praia Grande a importância de haver fontes seguras para o custeio sindical, de modo a que nossas entidades possam seguir encaminhando a luta dos trabalhadores. Igualmente marcou, por mais esta vez, sua posição contras as propostas governistas de reformas trabalhista e da Previdência. Consolidamos a estratégia de fortalecer o trabalho sindical nos locais de trabalho. Nosso 8º Congresso confirmou, pela vontade soberana das bases, que somos uma central sindical plural, que luta e dialoga. Uma central que puxa greves e jornadas históricas como a Marcha à Brasília, quando levamos 100 mil trabalhadores à capital federal, e que também discute com o Congresso e o governo na defesa de nossas princípios. A decisão de partirmos para eleger, no próximo ano, candidatos e candidatas ligados à central para o Congresso Nacional, especialmente como deputados federais, foi muito feliz. Hoje, a correlação de forças em Brasília é bastante adversa. O crescimento da bancada verdadeiramente ligada aos interesses dos trabalhadores torna-se, assim, uma imposição. Estou certo de que, com a organização e o planejamento que mostramos ao longo do período do 8º Congresso, saberemos, em cada Estado, escolher esses bons candidatos e elegê-los. Entre as moções, sem dúvida cabe o destaque da que foi aprovada em favor do companheiro Paulinho. Tomada semanas atrás, a decisão de uma juiza do Tribunal Regional Federal, de suspensão de direitos políticos, foi noticiada, não por coincidência, justo no dia da abertura do 8º Congresso. Com sentenças que já o absolveram no caso, inclusive no TCU, Paulinho irá vencer, como já o fez outras vezes, mais essa batalha. Nos meses anteriores ao nosso encontro, mais de 400 novas entidades sindicais se filiaram à Força, numa mostra de que nossas linhas mestras de atuação despertam interesse e alinhamento entre os trabalhadores. Nos próximos quatro anos que agora se iniciam, a maior responsabilidade da nova direção, da qual faço parte como 1º Secretário, é manter acesa a chama de unidade e da participação. Parabéns, Força Sindical! Nosso 8º Congresso já se inscreve na história da central como aquele em que, em meio a ataques de todos os lados contra os trabalhadores, mostramos a todo o Brasil que nosso maior valor está na nossa união e compromisso com a luta de toda a classe trabalhadora. Sergio Luiz Leite é presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Fequimfar) e 1º Secretário reeleito da Força Sindicalde São Paulo (Fequimfar) e 1º Secretário reeleito da Força Sindical Leia abaixo artigo O Resgate do Protagonismo Por Sergio Luiz Leite Cercado de ataques por todos os lados, o movimento sindical brasileiro está provando e comprovando que é mesmo bom de briga. Mais que isso, as centrais sindicais e as principais federações, como a dos Químicos e Farmacêuticos do Estado de São Paulo, que reúne os sindicatos das duas categorias e é representada por mim e pela combativa Diretoria, têm conseguido, pela via da mobilização das bases e da realização de grandes lutas, resgatar o que parecia perdido nos últimos anos: o protagonismo na cena política e econômica do Brasil. Em resumo: voltamos a pautar o grande debate nacional. Durante os governo de Lula e o primeiro quadriênio de Dilma, marcados pela elevação do PIB, explosão do emprego e ganhos salariais, o movimento sindical exerceu um papel de coadjuvante no exuberante 'Espetáculo do Crescimento. Sem ameaças a direitos e conquistas dos trabalhadores, mas atendendo sim a reivindicações históricas como a legalização das centrais sindicais, a gestão Lula trabalhou uma agenda que se combinava com a pauta trabalhista. Mais confusa e errática, a gestão Dilma manteve a postura positiva em sua primeira parte, mas inaugurou seu segundo mandato insurgindo-se contra garantias como o seguro-desemprego. A partir deste erro crasso e por muitos outros a seguir, caiu. As trapalhadas de Dilma mostraram ao movimento sindical que o tempo do desfrute e da contemplação vividos com Lula chegara ao fim. A guinada na orientação do governo dito trabalhista representou uma grave quebra de compromisso e, nessa medida, surpreendeu a maioria dos sindicalistas. O que não se sabia dois anos atrás, porém, quando Dilma começou seu declínio e Michel Temer foi sendo alçado ao poder, é que viria pela frente a mais pesada e articulada 'blitzkrieg' contra direitos trabalhistas de toda a história do Brasil. Temer, no primeiro instante, promoveu diálogo e atraiu as centrais para seu convívio. Mas as propostas draconianas de reformas, com a imposição da terceirização, o desmonte da Previdência e o desmanche de toda a estrutura sindical vigente, nunca fizeram parte dos nossos debates com o governo. A boa notícia é que, frente ao ataque, o movimento sindical saiu do longo estado de letargia. Reagiu. Levantou-se e construiu um período de lutas que já as inscrevem entre as maiores de todos os tempos. A jornada nacional de paralisações e manifestações do dia 15 de março, a greve geral nacional do dia 28 de abril, o grande 1º de Maio da Força Sindical em São Paulo e, noutro ato espetacular, a Marcha à Brasília em 24 de maio, quando 100 mil trabalhadores, chegados de todas as regiões do País, mostraram sua indignação diante do Congresso Nacional, são os marcos dessa heróica jornada. A partir do momento em que saíram às ruas, coordenados por suas entidades sindicais e com bandeiras bem definidas e claras e estratégias bem traçadas, os trabalhadores retomaram sua voz. No Congresso Nacional, as articulações voltaram a incluir os trabalhadores. Nesse ponto, é preciso destacar o papel estratégico cumprido pelos deputados federais Paulinho da Força, presidente da nossa Força Sindical, e Bebeto, do PSB da Bahia, sempre coerente e propositivo. Usando as armas pacíficas da mobilização e do convencimento, os trabalhadores brasileiros estão dando seguidas lições de que a solução para os problemas do Brasil está conosco - e nunca entre os que agem contra a classe trabalhadora e querem a submissão do povo brasileiro. A guerra ideológica sobre o caráter das reformas, qualquer que venha a ser o resultado das próximas votações no Congresso, está ganha pela maioria da população brasileira. Os trabalhadores voltamos a ser protagonistas e dessa posição pretendemos avançar cada vez mais. Sergio Luiz Leite é presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Fequimfar) e 1º secretário da Força Sindical
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Resistência, Mobilização e Luta em defesa do EMPREGO, DIREITOS TRABALHISTAS, APOSENTADORIA – por Sérgio Luiz Leite, Serginho
DIA 28 de ABRIL, VAMOS PARAR O BRASIL! A FEQUIMFAR (Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo) e Sindicatos filiados, juntos com as Centrais Sindicais do Brasil e demais entidades sindicais, convocam toda a categoria química, nos segmentos industriais químicos, plástico, farmacêuticos, fertilizantes, álcool/etanol, petroquímicos, cosméticos, perfumaria, abrasivos, defensivos agrícolas, lápis, tintas e vernizes, instrumentos musicais e brinquedos, explosivos e resinas, para que fiquem atentos e participem das paralisações, greves, protestos, atos e manifestações no dia 28 de abril contra as propostas do governo de reformas da Previdência e Trabalhista e contra a terceirização aprovada na Câmara dos Deputados. Chegou a hora, todos os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil estão unidos nessa luta! O governo Temer não pode mais continuar a desrespeitar direitos legítimos conquistados ao longo dos anos, através de muita luta e sacrifício, pelos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil! Uma irresponsabilidade que, aliada a interesses escusos, somente favorecem o mercado financeiro, e incide negativamente na vida dos os trabalhadores brasileiros. Caso as reformas sejam implantadas, teremos que conviver com mais desemprego, salários baixos, maior jornada, menos direitos trabalhistas e péssimas condições de trabalho, resultando num maior número de acidentes e doenças (estresse, depressão, lesões por esforço repetitivo entre outros), além do aumento de mortes por acidentes de trabalho. Precisamos reagir e mostrar toda a nossa revolta e repudio, ou não teremos mais aposentadoria e direitos trabalhistas. Pois com as propostas do governo, homens e mulheres só poderão se aposentar quando tiverem de 65 anos de idade, sendo que a maioria dos trabalhadores podem morrer antes mesmo de se aposentar, sendo as mulheres trabalhadoras as mais prejudicadas. Além disso, vamos assistir o fim das Aposentadorias Especiais, e isso atinge diretamente muitos trabalhadores e trabalhadoras dos segmentos industriais químicos, que trabalham em ambiente insalubres, e em condições especiais. Isso atinge também os trabalhadores rurais e pessoas com deficiências. Por isso tudo não adianta o cidadão dizer: “Isso não me atinge, eu já estou aposentado! ”, engano dele, pois, se ele morrer, sua viúva e dependentes não irão mais poder receber a aposentadoria dele, e nem pensão por morte, com isso haverá redução de 50% no valor das pensões por morte e, a partir daí será acrescentado mais 10% por dependente, com o limite de cinco filhos beneficiados. Em relação a Reforma Trabalhista, todos precisam saber que ela acaba com direitos históricos, que hoje são garantidos pela Lei, através da CLT, e se ela for instituída, passaria a valer o “negociado” sobre o “legislado”. Isso quer dizer que Férias e Jornada de Trabalho vão estar com os dias contados. Praticamente, não vai mais existir férias de 30 dias, e nem a jornada de trabalho de 8 horas diárias e 44 semanais, a PLR (Participação nos Lucros e Resultados), poderá ser parcelada em quantas vezes os patrões quiserem, e mesmo o horário de refeição pode ser reduzido. Os que fazem trabalho temporário vão ficar ainda mais desamparados, pois o contrato de trabalho temporário passará a ter vigência de 4 meses e poderá ser prorrogado por igual período. Outra grande injustiça foi a aprovação da Terceirização na atividade fim, por grande parte dos deputados federais, na Câmara, em Brasília, e que agora será avaliada no Senado, onde também corremos o risco de que ela também seja acatada. Com ela os trabalhadores ficam praticamente abandonados, em relação aos seus direitos profissionais, fica valendo o “Liberou Geral”, com isso, as empresas, na correria para redução de gastos, irão promover uma onda de demissões de trabalhadores contratados pela CLT, para depois, somente contratarem de forma terceirizada. Isso irá gerar ainda mais desemprego, salários baixos, maior jornada, menos direitos trabalhistas e péssimas condições de trabalho, resultando num maior número de acidentes e doenças (estresse, depressão, lesões por esforço repetitivo entre outros), além do aumento de mortes por acidentes de trabalho. Por isso, precisamos, cada vez mais, manter nossa pressão e abordagem aos deputados federais e senadores, seja em seus domicílios eleitorais, e até em suas bases, em suas moradias, nos aeroportos, e em seus escritórios eleitorais, entre outros, e vamos continuar a manter nossos plantões em Brasília, pois, mesmo com as dificuldades de acesso ao congresso nacional, nossa presença é de vital importância no corpo a corpo com os deputados e senadores, como instrumento de pressão e persuasão. Nas paralisações do dia 28 de abril, vamos jogar peso na participação de todos, informando, orientando e mobilizando os trabalhadores e trabalhadoras. Estejam atentos e reúnam o máximo de informações em tempo real, e as enviem para os nossos canais de comunicação. Você pode até perder “um dia de trabalho, mas se as propostas forem aprovadas, você pode perder uma vida de trabalho”!  Não se esqueçam: Todos estão correndo perigo! Vamos à Luta em defesa do emprego e dos direitos trabalhistas e sociais, contra a terceirização nas atividades fim, e contra a reforma previdenciária!! Dia 28 de Abril vamos parar o Brasil!!! Sergio Luiz Leite, Serginho Presidente da FEQUIMFAR e 1º Secretário da Força Sindical
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Trabalhadores pagam cada vez mais impostos por causa da não correção da Tabela do IPRF – por Sérgio...
No momento em que milhões de brasileiros estão fazendo a declaração de Imposto de Renda, a não correção da Tabela do IR pelo índice de inflação nos causa revolta e faz com que fiquemos extremamente indignados, pois os trabalhadores continuam a pagar, cada vez mais, esse mesmo imposto, com valores bem acima do que foi pago nos anos anteriores. Ou seja, desde 1996 a tabela de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física acumula defasagens, e assim, de 1996 a 2016, segundo o IPCA–IBGE, a defasagem acumulada conseguiu chegar ao vergonhoso índice de 83,10%, sendo que, isso ocorre porque, em todo esse período, a inflação foi superior à correção realizada pelo governo nas faixas de cobrança do IR. Se a correção da Tabela do IR pelo índice integral da inflação tivesse sido feita pela governo, isso evitaria uma distorção comum na política tributária brasileira dos últimos 20 anos, que foi o pagamento de mais imposto de renda, principalmente pelos trabalhadores que não tiveram ganhos reais nesses anos. Tal procedimento desrespeitou e continua a desrespeitar discriminadamente os princípios da própria Constituição Brasileira, cujo artigo 145, § 1º, diz que “sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte”. Sendo assim, quem ganha mais deve pagar progressivamente mais, mas o que a realidade nos mostra, é que a não correção integral da tabela faz com que muitos daqueles que não ganharam mais, ou mesmo aqueles que ganharam menos, continuem a pagar mais, num processo que prejudica diretamente o desenvolvimento, e que, se traduz numa política nefasta, desprovida de justiça fiscal, e que somente amplia a desigualdade social. O movimento sindical nunca deixou despercebida toda essa injustiça. Em dezembro de 2006, a Força Sindical, junto com as demais centrais, formalizou um acordo com o governo federal, segundo o qual, a tabela do IRPF teria uma correção anual de 4,5% de 2007 a 2010, para contemplar um aumento maior no salário mínimo. Em 2011, de forma unilateral, o governo decidiu manter a correção da tabela do IRPF em 4,5%, mesmo que, em 2015, tenha ocorrido um reajuste diferenciado por faixas de rendimento. Nossa luta continua por uma reforma tributária progressiva, que respeite a Constituição, e possa taxar as grandes fortunas, em detrimento aos interesses daqueles que defendem uma estrutura tributária regressiva. Chega de injustiças com os trabalhadores. Precisamos de uma estrutura de alíquotas mais adequada aos salários, junto à adoção de um modelo que incorpore uma estrutura mais criteriosa, e que incida com índices mais justos em relação às classes menos favorecidas, por políticas de combate a desigualdade social, em defesa do emprego, manutenção de direitos sociais e trabalhistas, em benefício ao próprio desenvolvimento econômico e social da nação. Sergio Luiz Leite, Serginho é Presidente da FEQUIMFAR e 1º secretário da Força Sindical
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Terceirização: quem tudo quer, nada tem – por Sergio Luiz Leite
De tão cruel e criminoso, o Projeto de Lei de Terceirização aprovado pela Câmara dos Deputados deixa o setor empresarial, que ajudou a parir o monstro,  com mais problemas do que antes. A temperatura aumentou! Radicalização, afinal, se responde com radicalização. É o que já ocorre no âmbito da Justiça, com partidos políticos buscando no Supremo Tribunal Federal a inconstitucionalidade do PL que, na prática, dá uma chicana na Consolidação das Leis do Trabalho. Também já está projetada uma avalanche de ações trabalhistas para quando houver substituição do emprego formal pelo precarizado. Igualmente se espera um tsunami  de processos quando ocorrer a troca de regime empregatício para o exercício de função equivalente hoje protegida pela CLT. A tal segurança jurídica reivindicada pelo patronato já se esboroa. É no âmbito sindical e organizativo, porém, que os empresários já encontram mais problemas. A selvageria do tipo de terceirização aprovada deu ainda mais combustível para os motores do movimento sindical, que já vêm em marcha crescente de mobilização, agitação e unificação. Na categoria química e farmacêutica, que temos tido a confiança de organizar, já estamos lançando o Observatório da Terceirização. Isto significa que todo e cada movimento patronal pela precarização da mão de obra em nossa categoria será imediatamente identificado, denunciado e respondido à altura, com protestos, manifestações e greves. Nada ficará sem resposta. Vamos combinar a ação sindical com denúncias a todos os meios legais. Unidos e organizados, os trabalhadores resistirão. O sucesso do Dia Nacional de Lutas, em 15 de março, mostrou que o povo em geral, e os trabalhadores em especial, estamos cientes e conscientes das afrontas, ataques e riscos aos nossos legítimos direitos, arduamente conquistados. Se alguém esperava que a conjuntura de crise e o desemprego iriam nos calar ou intimidar, errou feio. Nesta hora mais aguda, o trabalhador e a trabalhadora atenderam ao chamado de suas lideranças, saíram às ruas e deixaram claro que não aceitam pagar o pato da lenga-lenga ultraliberal. Como diz o ditado 'quem tudo quer, nada tem', ao intencionar tudo para si e oferecendo nada para nós, os empresários não terão nem uma coisa nem outra. Sergio Luiz Leite é Presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Fequimfar) e 1º Secretário da Força Sindical
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Luta constante, o único caminho; Sérgio Luiz Leite, Serginho
Sérgio Luiz Leite, Serginho A conjuntura muda em alta velocidade. O comentário geral pós-Carnaval é: a Globo abriu espaço ao 'fora, Temer'. Foi assim em longa reportagem na Globo News, repetiu-se no Jornal Nacional. Luzes amarelas se acendem nos aposentos do Palácio do Jaburu, para onde o presidente voltou após não considerar adequado o Palácio da Alvorada. Como se esses fossem tempos para reclamar de mordomias a mais ou a menos... José Yunes delata, Eliseu Padilha estende sua licença por três semanas, revolta-se, ainda que surdamente, mas com consistência, a base governista em torno da reforma da Previdência. Partidos como o PMDB abrem mão do fechamento de questão, liberando seus quadros. Por mais que se tema o modelo que pode sair do Congresso da reforma trabalhista, também ai as contradições internas ao governo podem ajudar o movimento sindical. Sim, há uma chance, neste momento, que parecia inexistente semanas atrás. A base oficial permanece forte e antitrabalhista, mas os argumentos que apresentamos, cada um de nós dirigentes a suas bases sindicais, em relação ao caráter duro e injusto da reforma proposta para a Previdência na PEC 287, fizeram sentido à sociedade. Em reunião da sede nacional da Força Sindical, na semana passada, o próprio relator da reforma da Previdência, deputado Arthur Maia (PPS-BA), avançou em suas posições ao ouvir nossos companheiros de diferentes categorias. Ele entendeu a importância de cobrar o recolhimento da contribuição previdenciária do agronegócio e das entidades filantrópicas. Também aquiesceu que a regra de transição proposta pela PEC 287 é injusta e precisa de muitos consertos. Maia, coerente, repetiu essas posições à frente da comissão especial da Previdência. Neste campo de luta, percebemos que avança a emenda alternativa apresentada pelo deputado Paulinho da Força. Ela rebaixa a idade mínima de 65 anos para homens e mulheres, como quer o governo, para 60 anos para homens e 58 anos para mulheres, que é muito mais justo. Também cria uma regra de transição de 30% para todos, o que vai fazer que a aposentadoria por tempo integral possa ser alcançada aos 40 anos de trabalho, enquanto a proposta do governo só dá essa possibilidade depois de 49 anos! Os trabalhadores, em particular, e o povo, no geral, começaram a entender que a reforma é contra a gente como a gente. E a pressão, de diferentes maneiras, sobre os parlamentares, após a trégua de Carnaval, tende a aumentar. Assim é que outro caminho não se apresenta para nós que o da luta constante. Essa que temos feito e que iremos acentuar nas greves, paralisações e manifestações unitárias marcadas para o próximo dia 15. Nosso barulho está aumentando, nossa percepção dos males da reforma previdenciária já se espraia. Momento alto dessa tomada de consciência foi a concentração de milhares de aposentados e trabalhadores, na rua do Carmo, em comemoração ao Dia do Aposentado, em 25 de janeiro. É possível vencer! Nada está ganho, é certo. O risco é alto, mas ainda nada está perdido. Precisamos acreditar e lutar. A luta por nenhum direito a menos está em curso. Atuando na frente da mobilização, de um lado, e nas contradições da base governista, de outro, o movimento sindical tem chance de sair dessa verdadeira enrascada com avanços sobre o ponto inicial que demarcava apenas e tão somente perdas sobre perdas. Para que essa trajetória de resistência continue, as mobilizações, paralisações e greves de 15 de março, unitárias, são essenciais para a busca de uma reforma mais justa, bem como a pressão junto aos deputados, tanto em Brasília como em seus domicílios eleitorais. À luta, porque a história está sendo escrita e temos de inserir nossos capítulos nesse livro. Sergio Luiz Leite, Serginho presidente da FEQUIMFAR e 1º secretário da Força Sindical
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8º Congresso da Força: diálogo e pluralidade – por Sérgio Luiz Leite
Em meio a um momento político e econômico dos mais complexos da história do nosso país, dirigentes e ativistas da Força Sindical estamos empenhados num desafio bastante estimulante e absolutamente estratégico: organizar o nosso 8º Congresso. Marcado para junho, na Praia Grande, em São Paulo, esse encontro terá a incumbência de eleger uma nova direção nacional, com mandato de quatro anos (2017-2021). Ao mesmo tempo, deverá reforçar nossas grandes linhas de atuação, avançando o trabalho sindical por ramo de atividade e aproximando cada vez mais nossas instâncias executivas das bases nos locais de trabalho. Já em fevereiro, daremos inicio aos congressos estaduais que fazem parte das etapas do congresso nacional. Entre participantes com direito a voto nas etapas estaduais e nacional, deveremos chegar a mais de 5 mil delegados. É uma Força Sindical madura, ágil, em crescimento e constante movimentação a central da qual iremos prestar contas aos companheiros e companheiras de todo o Brasil. TESTE DE ESTRESSE DO IMPEACHMENT FOI VENCIDO – No campo político, soubemos no mandato que agora se encerra preservar os fundamentos da pluralidade que sustentam a unidade da nossa central desde a sua fundação, em 1991. Nestes 26 anos de lutas, convivemos internamente, em franca harmonia, entre líderes sindicais com diferentes opções partidárias, mas que sempre colocaram o interesse sindical, de suas categorias profissionais e da central que as representa acima das divergências momentâneas e estratégias próprias de ocupação de espaços e disputa pelo poder típicas dos partidos. Prova está no modo como ultrapassamos os duros momentos que antecederam e sucederam o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Nossos dirigentes garantiram, graças ao princípio da pluralidade, o direito a manifestarem, atuarem e trabalharem efetivamente pela posição escolhida, sem censuras ou interferências. Uma vez encerrado o processo do impeachment, o resultado foi que mantivemos nossa central unida, sem dissenções e, desse modo, robustecida. Em outras palavras, passamos pelo teste de estresse que aquele momento histórico representou. Agora, frente ao governo Michel Temer, outra vez o escudo da pluralidade nos protege contra perdas de quadros e enfraquecimento do nosso discurso. A Força garante a cada um e a todos os seus integrantes o direito de ser a favor ou contra o atual governo, mas igualmente estabelece que é com esse novo governo que devemos dialogar, negociar e pressionar pelos legítimos interesses que representamos. A democracia, interna e na sociedade, é um valor universal para a Força! PRIORIDADE ESTÁ NA LUTA PELO EMPREGO – Respeitadas as bandeiras partidárias de cada um, praticamos a mobilização das bases e as negociações com o empresariado e o governo em campanhas salariais e nas mesas de debates montadas em Brasília, em especial, neste momento, à volta das reformas trabalhista e previdenciária. Nossas propostas, apresentadas nestas mesas, têm alcançado grande repercussão na mídia e no Congresso. Todos sabemos da magnitude das dificuldades, da guinada conservadora da sociedade e do avanço dos grupos que atuam para subjugar e, mesmo, oprimir os trabalhadores. Porém, nossos argumentos, sustentados pela evolução da mobilização das bases (mesmo frente ao maior quadro de desemprego da história recente do País), têm sensibilizado milhões de brasileiros e brasileiras. Acredito que estamos no caminho correto para travar malefícios e garantir direitos sob ameaça neste momento. Sem dúvida, ora ao lado das demais centrais, ora em iniciativas próprias, a Força está permanentemente em luta. É esse o nosso papel e dele não abrimos mão. Lutar pela reanimação da economia e combater o quadro de deterioração do emprego, com  mais de 12 milhões de vagas fechadas nos últimos dois anos, é nossa prioridade. O desemprego é o pior que pode acontecer ao trabalhador. Não daremos trégua aos condutores da política econômica, sejam eles quais forem, até que esse déficit seja ultrapassado. O Brasil já provou que sabe e pode crescer, e precisamos reencontrar esse caminho. Com um DNA reformista, que pauta nossa atuação pela melhoria das condições de trabalho e vida dos milhões de trabalhadores que representamos, não nos propusemos a destruir ou subverter os princípios da nossa sociedade, mas sim a conquistar avanços, todos os dias, na defesa de empregos com salários dignos, da preservação e ampliação do seu poder de compra, da prática do trabalho decente, do direito a benefícios, da garantia ao lazer. Não somos, nem nunca seremos, uma central do tudo ou nada, do oito ou do oitenta. Nosso traço de união, em todos estes anos, é o que alinha no mesmo fio condutor pressão e negociação, diálogo e mobilização, argumentação e embasamento. O diálogo honesto e transparente entre dirigentes tem sido, sem dúvida, a principal ferramenta para a lapidação das relações internas na nossa central. CONTENCIOSOS SÃO ENFRENTADOS COM TRANSPARÊNCIA – Ficou provado, durante a atual gestão, que não existem assuntos tabu, e cada um deles, mesmo que demandem mais tempo para a sua resolução, vai sendo maturado com naturalidade. Nossas grandes decisões têm sido tomadas às claras, à frente de todos, em encontros abertos e participativos. A Força é uma central de portas abertas para seus membros, na qual se procura enfrentar cada problema que se apresenta, sem subterfúgios ou protelações. Chegamos, assim, ao 8º Congresso, com uma bagagem na qual antigos contenciosos agora têm peso bem menor do que no passado recente. O diálogo, repita-se, com exposição de divergências e busca de convergências é o principal responsável pelo ambiente positivo que está formado em torno do 8º Congresso da Força. É o diálogo, portanto, que merece ser cada vez mais estimulado, garantido e praticado. O respeito a ele e à democracia interna deve ser, nessa medida, o primeiro grande compromisso dos dirigentes que vierem a assumir a responsabilidade por conduzir a Força pelo próximo período. Está claro desde sempre que os principais adversários da Força não estão entre nós, mas sim no ambiente de vida dos trabalhadores que representamos, no quadro político nacional, na fragilização da economia, na condução da política econômica e no histórico atraso patronal. Em outras palavras, nossa luta é contra os que se opõem à emancipação dos trabalhadores. Se dá junto às nossas bases, se amplia em greves, manifestações e atos, se estende pelas mesas de negociação. É uma luta lá fora, para a qual estaremos tanto mais preparados quanto mais unidos aqui dentro estivermos. Sergio Luiz Leite, Presidente da FEQUIMFAR e 1º Secretário da Força Sindical
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2016, o ano em que lutamos unidos – por Sergio Luiz Leite
Às vésperas de encerrarmos o ano mais duro da economia brasileira nos últimos 40 anos, com projeções unânimes de queda de quase 4% do PIB, cujo reflexo mais cruel é o contingente de 12 milhões de desempregados, há ao menos um ponto positivo importantíssimo a registrar: sob essas condições e debaixo da maior instabilidade política desde o início da década de 1960, a unidade dos trabalhadores se fortaleceu. Na nossa categoria químico-farmacêutica, em meio ao endurecimento da posição patronal, conseguimos em torno da Fequimfar mobilizar os companheiros de todo o Estado de São Paulo, fábrica a fábrica, cidade por cidade, de modo a cumprirmos uma campanha salarial honrosa e vitoriosa. Ao cabo da nossa mobilização, mantivemos todas as conquistas obtidas em acordos anteriores, e que se viam ameaçadas à sombra da recessão e do desemprego, e alcançamos a atualização dos salários pela inflação do período. Sem unidade na luta na categoria, não teríamos conseguido. No plano geral, ataques de toda ordem foram desfechados contra os direitos mais elementares de quem trabalha e produz. Neste sentido, a destacar, a proposta de reforma da Previdência Social feita pelo governo, embutida de perdas e retrocessos sociais, que assumiu a frente do palco. Ela vai merecendo dos trabalhadores, de todas as categorias e centrais sindicais, um firme repúdio. A ponto de, nestes últimos dias do ano, uma bem articulada estratégia entre protestos nacionais e ação parlamentar efetiva estar conseguindo sucesso. A tramitação da PEC da Previdência na Câmara dos Deputados já não obedece ao andamento que o governo desejava, tendo até mesmo sua leitura da Comissão de Constituição e Justiça barrada pelos deputados que nos representam em Brasília. O ganho de tempo que essa obstrução proporciona será por demais útil para o sucesso das difíceis negociações que entrarão por 2017. Enquanto isso, um calendário de lutas da Força Sindical será desenvolvido, contemplando, como tem acontecido ao longo de 2016, uma série de atos unitários com companheiros das demais centrais. Essa unidade na luta, em torno dos mesmos objetivos, é, repita-se, o grande ganho do período que se encerra. Muitas manifestações conjuntas, do combate aos juros altos às lutas por nenhum direito a menos, se realizaram em todo o país. Mostraram que, mesmo com as diferenças partidárias e ideológicas que existem em nosso meio - e que bom que assim o seja! -, atingimos um ponto de maturidade suficientemente elevado para atuarmos em torno do que nos une, arquivando diferenças. 2016 fica marcado por uma guinada radical na agenda de prioridades do governo, a partir do impeachment de Dilma Rousseff, seis meses atrás, e a ascensão de Michel Temer ao principal cargo político do país. Uma agenda trabalhista às avessas ganhou corpo e atiçou os setores mais atrasados da sociedade - aqueles que jamais irão aceitar que o verdadeiro interesse nacional está na melhoria das condições de trabalho e vida da maioria dos brasileiros, e não na manutenção e ampliação de regalias e privilégios de uma elite que já foi escravocrata e hoje é contra direitos mínimos arduamente  obtidos ao longo da história. A boa notícia, outra vez, é que estamos resistindo. A queda de 0,8% no PIB do 3º trimestre, que projetou o mergulho de quase 4% no ano e um crescimento inferior a 1% em 2017, mostrou que não será à fórceps que a economia brasileira irá se recuperar. Neste sentido, o que tem de assumir protagonismo cada vez mais é a negociação, apoiada pela luta permanente em nossas bases, na maior conexão com os sentimentos da sociedade e em propostas mais e mais elaboradas de solução para o complexo quadro nacional. Não será fácil, mas, se assim fosse, não seria para nós. A dizer: a luta dos trabalhadores nunca foi suave. No Brasil, a cotidiana pressão midiática sobre a necessidade de um permanente ajuste fiscal se entrelaça, ainda que sem cabimento, no apelo ao senso comum de que a corrupção devastou as contas públicas. Entretanto, a União pagou em 2015 o equivalente a R$ 962 bilhões ao rentismo financeiro na forma de juros e amortizações da dívida pública e, quanto a isto, nada se fala, nada se ouve. O ajuste fiscal que arremessa a economia cada vez mais fundo em sua depressão acaba por finalmente derrubar a famigerada inflação. No entanto, mesmo perdendo a resposta central do porque temos a maior taxa de juros do planeta – suposta necessidade de controle inflacionário –, vemos que a taxa Selic tem seu próprio ritmo lento e cadenciado de queda. Agora, neste momento final de 2016, a autoridade monetária fala em acelerar a queda dos juros. Já não era sem tempo! Mais que isso, precisamos incutir na agenda nacional, por todos os meios, um projeto de desenvolvimento e, em lugar de aceitar o que temos hoje, apresentado pela implementação de uma severa agenda liberal ao país. O tom manso da mídia e das instâncias de poder para com a destruição da economia brasileira não poderia, infelizmente, ser mais condescendente. Recessão econômica tem por sinônimo o aumento da pobreza e da desigualdade social, caminhando passo a passo com a elevação da taxa de desemprego que acaba de atingir 11,8%, o correspondente a 12 milhões de brasileiros sem ocupação. Se não há trabalho, não há renda... Se não há renda, não há consumo. Para quem então se produz? Unicamente para exportação? Abandonaremos de vez a indústria nacional para assumir uma posição no mercado mundial como país vocacionado à exportação  de grãos, carnes, minérios e insumos de baixo valor agregado? A escolha fácil que favorece unicamente o agronegócio e a plataforma financeira rentista é a opção pela submissão da soberania nacional. Os “economistas do mercado” esperavam que na metade de 2016 alcançássemos o fundo do poço a partir de onde seguiríamos rumo à recuperação. Os resultados do PIB brasileiro no terceiro trimestre do ano evidenciam apenas o que deveria ter se aprendido há décadas. A verdade é que facilitar privatizações e concessões ou melhorar as “expectativas e o ambiente de negócios”, elementos tão reivindicados pelo empresariado, pouco contribuem para a retomada da atividade econômica. Especialmente em uma economia latino-americana cujo investimento privado nunca na história se viu em sua face autônoma, mas somente se realizou quando puxado por um volumoso bloco de investimento estatal. A realidade da crise econômica atual impõe imperativos negligenciados pelo governo, que, se não enfrentados, somente nos apresentarão um buraco recessivo ainda mais profundo. Uma PEC do teto de gastos de longo prazo soa como música aos ouvidos do capital financeiro, mas para a população significa suportar uma persistente situação de calamidade pública pelo contingenciamento de gastos com saúde, educação, segurança e funcionalismo. Um ajuste fiscal que se efetiva em meio à recessão econômica está fadado ao fracasso, vide a atual disposição orçamentária de estados e municípios, pois possui uma velocidade de queda na arrecadação muito superior ao ritmo de corte dos gastos. Para combatermos esses males, precisamos, em 2017, usar com ainda maior profundidade a estratégia que nos fez atravessar o profundo túnel de 2016 e dele sair com altivez e dignidade: união, luta, fortalecimento e proposições. Sergio Luiz Leite é presidente da Federação dos Trabalhadores das Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Fequimfar) e 1º secretário da Força Sindical
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Previdência: projeto do governo tem com único alvo o trabalhador – por Sergio Luiz Leite
Previdência: projeto que governo tem como único alvo o trabalhador Sergio Luiz Leite Pior do que as expectativas, mas ainda não sabemos o quanto pior é isso. Assim ficamos diante da apresentação, ontem, no Palácio do Planalto, do projeto do governo para a reforma da Previdência. No discurso do presidente Michel Temer, foi dito que o projeto prevê a aposentadoria somente a partir dos 65 anos, com novas regras para o trabalhador com menos de 50 anos e para a trabalhadora com menos de 45. Ficou claro que não haverá um modelo único para a Previdência, como reivindicamos, mas sim a manutenção de regimes especiais para militares e, diz-se, também para os parlamentares. Foi frustrante para todos não ter ocorrido a prometida revelação do projeto em todos os seus detalhes, no papel, na forma como deverá ser enviado hoje ao Congresso. As centrais sindicais foram chamadas sob a garantia de que iriam conhecer, finalmente, depois de todos os boatos e rumores, a peça consolidada pelos técnicos do governo, mas isso não ocorre. Mesmo sem a revelação da proposta completa, não resta dúvida de que o governo escolheu um modelo duro e parcial, ignorando todas as sugestões de cobranças de dívidas bilionárias com a Previdência, avaliação de ativos para venda com fins de fazer caixa e preservação de direitos e conquistas dos trabalhadores. Para o governo, ficou claro ontem, quem tem de pagar a conta pelos desajustes no sistema previdenciário, e praticamente sozinho, é o trabalhador. Claramente, isso é inaceitável. Hoje, goste o governo ou não, se for confirmado o envio do projeto ao Congresso, o texto se tornará público em sua integralidade. Deverão vir à tona, infelizmente, uma série de novos aspectos contrários aos interesses de quem trabalha, contribui e quer se aposentar com dignidade. Isso porque a linha de abordagem do governo para a reforma está errada. Centrado apenas no trabalhador, esse projeto não divide responsabilidades, anistia, na prática, antigas fraudes e não garante sustentabilidade ao sistema, apenas reproduzindo um modelo que nos trouxe à atual situação de rombos e distorções. O governo teve do movimento sindical todos os subsídios para fazer um projeto de reforma da Previdência consistente e justo, mas escolheu um modelo punitivo e desigual. Contra esse projeto, temos de unir todas as nossas forças para barrar sua aprovação pelo Congresso e incluir emendas que tornem a reforma mais justa e eficaz. Em resumo, a proposta prevê manutenção de privilégios, resguarda a iniciativa privada mantendo os desonerações, e ainda, privilegia o sistema financeiro com a manutenção da DRU. Assim o alvo único é o trabalhador, sobretudo aquele de baixa tenda e que começou trabalhar entre 14 a 18 anos! Essa proposta certamente só irá aumentar a impopularidade desse Governo que acumula erros e falta de rumo! Vamos a Luta! Sergio Luiz Leite é presidente da Federação dos Trabalhadores Químicos e Farmacêuticos do Estado de São Paulo (Fequimfar) e 1º secretário da Força Sindical
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Terceirização, uma estratégia para barrar a ameaça em andamento – por Sergio Luiz Leite
Terceirização, ameaça em acelerado andamento A meu ver, a melhor estratégia para os trabalhadores é obter emendas de senadores ao PL 4330, em vias de ser aprovado no Senado e que barra a terceirização para a atividade-fim; ou travamos essa batalha, ou a aprovação do projeto do senador Paulo Paim, que nos é favorável, irá para as calendas da Câmara dos Deputados e numa se tornará lei* Por Sergio Luiz Leite Em três frentes simultâneas, a terceirização do trabalho e do emprego é o tema da semana em Brasília. Nesta quarta-feira 23, o presidente do Senado, Renan Calheiros, recebe dirigentes das centrais sindicais para adiantar o que deve acontecer no dia seguinte. Trata-se da votação, em plenário, do projeto de lei do senador Paulo Paim sobre a terceirização. Discutido nos últimos meses com as centrais e enriquecido por audiências públicas realizadas em todo o país, o projeto de Paim contém o que o conjunto dos trabalhadores mais quer: o impedimento da terceirização para a atividade-fim de uma empresa. O problema é que, mesmo que seja referendado pelos senadores, como é a previsão de Renan, o projeto de Paim poderá ser engavetado ao chegar de volta à Câmara dos Deputados, onde perderá, em prioridade, para outro que já está em curso. Este é o do deputado Laércio Oliveira (SD-SE), de número 4302/1998, que já foi até aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça. Sem nenhum debate com os trabalhadores, esse projeto libera totalmente a terceirização na atividade-fim e ignora todas as negociações feitas anteriormente em torno do projeto assinado por Paim. À volta do PL 4302, a maioria conservadora arregimentada pelo governo se prepara  para votar unida. Enquanto isso, os juízes do Supremo Tribunal Federal a tudo espreitam. Semanas atrás, ele iniciaram o julgamento de uma ação sobre terceirização em atividade-fim, mas resolveram suspender a discussão à espera de lei a ser votada no Congresso. A depender do anda e para do debate parlamentar, os magistrados podem voltar a carga e decidir, com a tinta indelével das canetas do Supremo, como será feita a terceirização. A julgar pelas últimas decisões da Corte, a palavra jurídica, se vier, será contra os nossos interesses de classe. Está claro pela correlação de forças atual no Congresso que é o projeto de Laércio Oliveira, e não o de Paulo Paim, o que tem chances reais de virar lei. Porque, 1), pune os trabalhadores - e é neste sentido que a maioria dos políticos da atual safra está se especializando, 2), porque pegou um atalho dos escaninhos da Câmara para chegar ao plenário e, especialmente, 3), porque não precisa mais seguir ao Senado para ser chancelado ou modificado. O texto original foi apresentado no próprio Senado, de autoria do famoso senador paulista Fernando Henrique Cardoso. Na Câmara, ficou esquecido durante anos e, agora, teve sua poeira retirada pelo deputado sergipano, de resto líder da patronal Confederação Nacional do Comércio. Neste quadro, acredito que a  melhor estratégia para os trabalhadores seria propor emendas do Senado ao PL 4330, de 2004, em aprovação na Câmara, no sentido de estabelecer limites a terceirização, bem como eliminar a possibilidade de pejotização. Assim o PL voltaria para Câmara e teríamos um projeto melhor, amplamente discutido com a sociedade. O fundamental, agora que a tramitação da terceirização já vai tão avançada, é buscar uma saída que busque regulamentar a terceirização, com limites, garantir direitos aos trabalhadores e dar segurança aos contratantes e contratados. Sergio Luiz Leite é presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Fequimfar) e 1º secretário da central Força Sindical * Por erro de BR:, abertura do artigo de Sergio Luiz Leite circulou durante o dia com uma inversão sobre o projeto de lei que tem o apoio do próprio sindicalista. O certo é como está agora, com a ênfase dada à aprovação, com emendas, do projeto do senador Paulo Paim que VEDA a terceirização para atividade fim. Nossas desculpas.
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Ameaças da PEC 241 contra trabalhadores ainda podem ser corrigidas. À luta, pois! – por Sergio Luiz Leite
Por Sergio Luiz Leite   Aplaudida de pé pelo mercado financeiro e considerada pelo governo como o primeiro e mais importante passo para o ajuste fiscal, a PEC 241 embute em seu conjunto diferentes ameaças para os trabalhadores. A primeira delas se dá sobre um dos pilares da recuperação econômica verificada na última década, o salário mínimo. Referência para cerca de 48 milhões de trabalhadores e trabalhadoras em todo o país, o salário mínimo se constituiu no estofo para a elevação do consumo, especialmente nas classes C e D, ao experimentar um ganho real, entre 2002 a 2016, de 77,18% acima da inflação, passando de R$ 200 para R$ 880. A partir da vigência da PEC 241, prevista já para o próximo ano, demandando apenas mais três sessões do Congresso para ir à sanção do presidente da República, os ganhos do mínimo sobre a inflação estarão, na prática, proibidos. Pela nova lei, toda vez que o limite de despesas fixado pelo governo venha a ser ultrapassado, o mínimo não poderá ser reajustado acima da inflação. Conhecendo-se os hábitos perdulários do atual governo, que aprovou a PEC em meio a salamaleques e banquetes de verdadeiro assédio sobre os parlamentares, é difícil acreditar que o teto será respeitado em nome de preservar e dar ganhos ao mais pobres. A conferir. A PEC 241, ainda, aponta diretamente para a obrigatoriedade de uma draconiana reforma na Previdência Social, uma vez que inclui os gastos com o sistema de aposentadorias no grilhão do limite da taxa de inflação do ano anterior. Ocorrerá, neste ponto nevrálgico, o que já temos adiantado em posicionamentos anteriores: ao sair da esfera do Ministério do Trabalho e da Previdência, na nomenclatura anterior, para fazer parte do organograma do Ministério da Fazenda, o nosso sistema de aposentadorias passou a ser tratado como um simples 'fundo contábil'. Se contém dinheiro, paga-se, mas se há falta de recursos, a providência única e singular será a de cortar benefícios dos que já contribuíram. Planeja-se, além disso, aumentar os esforços, esticando-se ao máximo a longevidade produtiva, dos que estão em busca da aposentadoria digna. A PEC prevê, também, o veto à revisão geral anual das remunerações de servidores públicos. Isso significa que, em caso de violação ao teto de despesas, os funcionários públicos não terão sequer a reposição inflacionária, atualmente garantida pela Constituição. Além disso, o governo previu um intervalo de três anos em que o Executivo poderá compensar o estouro do teto de Legislativo, Judiciário, Ministério Público e Defensoria Pública da União. Isso porque esses Poderes tiveram reajustes com impacto até 2019. Com isso, o Executivo terá de segurar despesas próprias de outras áreas para bancar esses aumentos. Além disso, dentre todas as ameaças, e levando em conta que temos cerca de 12 milhões de desempregados, no momento em que os trabalhadores mais necessitam o governo mais uma vez coloca em risco o seguro desemprego. O mesmo seguro desemprego que sofreu ataques e enxugamentos na administração anterior. A PEC, ao mesmo tempo que diz tudo isso, não diz nada sobre controlar o verdadeiro repasse anual de 45% do PIB ao sistema financeiro. Igualmente não tem uma linha sequer sobre taxação de grandes fortunas como forma de quem tem mais, mais contribuir para o equilíbrio das contas públicas. O alvo é mesmo quem trabalha e contribui corretamente, não que enriqueceu e escamoteou suas riquezas. A PEC 241 é, portanto, um prato cheio de espinhos e de indigesto efeito retardado que o governo federal oferece à sociedade. Sem o estabelecimento de salvaguardas que preservem, ainda que minimamente, os direitos e a renda dos trabalhadores, ela é inaceitável. Para que se torne palatável, a partir da premissa existente na PEC 241 de controle dos gastos públicos - com o que todos concordamos -, a nova legislação precisa reparar injustiças em seu próprio conteúdo. Será possível fazer essas mudanças por meio, inicialmente, da disseminação da informação sobre o caráter nocivo aos trabalhadores da nova legislação. Neste sentido, o movimento em curso de unidade na ação entre as centrais sindicais e entidades que representam diversas categorias profissionais é altamente positivo, já que possibilita a chegada do recado às bases sobre todos os riscos aninhados na PEC 241. A partir da mobilização dos trabalhadores e do conjunto da sociedade afetado pela nova lei, o movimento sindical deve aumentar a pressão de corpo a corpo sobre os integrantes do Congresso, de forma a reparar os potenciais prejuízos da PEC, o que ainda é possível fazer nas três votações restantes - uma na Câmara dos Deputados e duas no Senado. A Fequimfar e seus sindicatos filiados, com o apoio da Força Sindical e da CNTQ, consideram ser de luta contra o estado atual da PEC 241 seu papel neste momento histórico. À luta, pois!   Sérgio Luiz Leite, 49, é presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo e primeiro secretário da Força Sindical