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Sindicalistas convencem Rosseto a chamar Steinbruch para aderir a PPE na CSN
Benjamin Steinbruch, controlador da Companhia Siderúrgica Nacional, será chamado por ministro do Trabalho a aderir ao Plano de Proteção ao Emprego; compromisso foi firmado por Miguel Rosseto em audiência com sindicalistas nesta segunda-feira 28, em Brasília; "O importante é a preservação dos 3 mil empregos que ele quer fechar sem qualquer diálogo", afirmou presidente da Força Sindical, Miguel Torres; solução por adesão ao plano que prevê redução de jornada e remuneração demanda mínimo de boa vontade da empresa; como Steinbruch, que se diz moderno, irá se comportar?; Volta Redonda mobilizada na defesa dos postos de trabalho /// O empresário Benjamin Steibruch, que por artes das privatizações feitas durante o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, se tornou controlador da Companhia Siderúrgica Nacional, será chamado a negociar a adesão da CSN ao Plano de Proteção ao Emprego (PPE). O chamado será feito pelo ministro do Trabalho, Miguel Rosseto, que se comprometeu, durante audiência com sindicalistas, nesta segunda-feira 28, em Brasília, a convencer Steinbruch ao diálogo. Apesar de se considerar 'moderno' e assumir posições sobre a economia semanalmente em artigos no jornal Folha de S. Paulo, Steinbruch já ordenou o desligamento de dois altos-fornos da CSN, em Cubatão, dois meses atrás, e, agora, em Volta Redonda. A decisão é acompanhada pela decisão de demitir mais de 5 mil trabalhadores, do quais 3 mil na planta fluminense. "Ele terá de dialogar, a solução do PPE já foi testada e aprovada em várias empresas", afirmou o presidente da Força Sindical, Miguel Torres. "Crise não é o momento de se tomar decisões unilaterais que prejudicam os trabalhadores e a sociedade". Os 3 mil empregos que a CSN ameaça cortar colocam em risco 12 mil vagas inidretas na região de Volta Redonda. O ministro Rosseto se comprometeu a chamar Steinbruch a conversar sobre a adesão ao PPE já no ínicio de janeiro. Abaixo, notícia anteriorde BR: Presidentes da central Força Sindical e do sindicato dos metalúrgicos de Volta Redonda vão ao ministro do Trabalho pedir aplicação do Plano de Proteção ao Emprego na CSN; "Demissão de 3 mil trabalhadores vai fechar mais de 12 mil empregos indiretos na região", aponta Miguel Torres, da Força; "Nós mobilizamos a cidade inteira para mostrar que o governo federal precisa agir", diz Silvio Campos, dos metalúrgicos de Volta Redonda; audiência com ministro Miguel Rosseto, do Trabalho, está marcada para 14 horas; CSN, de Benjamin Steinbruch, não quer negociar e, sem diálogo, fechar seu segundo alto-forno em dois meses /// O anúncio de três mil demissões na CSN, em Volta Redonda, está provocando um pedido de implantação do Plano de Proteção ao Emprego (PPE) na empresa. É o que será levado ao ministro Miguel Rosseto, do Trabalho, em audiência nesta segunda-feira 28, às 14h00, com a central Força Sindical e o sindicato dos metalúrgicos de Volta Redonda. "O PPE tem de ser implantado com urgência, sob pena de o caos ser instalado em Volta Redonda e região", afirma o sindicalista Miguel Torres. "Um corte de 3 mil empregos diretos vai significar o fechamento de 12 mil postos de trabalhos indiretos em toda a região". O instrumento já existe, o que precisa é o governo chamar a empresa e mostrar que ele tem de ser implantado". Nos últimos dias, o sindicato dos metalúrgicos da cidade coordenou atos de mobilização da população local em defesa da manuteção de empregos pela CSN. A empresa anunciou o fechamento de um alto-forno, responsável por 35% da produção de aço da companhia. Antes, a empresa aplicou a mesma medida em Cubatão. "Não dá para aceitar esse tipo de decisão tomada por um lado só, sem diálogo com os trabalhadores e a sociedade", diz o presidente do sindicato dos metalúrgicos de Volta Redonda, Silvio Campos. "O instrumento do PPE existe e precisa ser usado". Abaixo, notícia do Nosso Jornal, de Volta Redonda: O Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense vai distribuir, a partir de hoje, uma carta de protesto contra a decisão da CSN de demitir três mil funcionários e reduzir em 35% os valores dos contratos com as empresas terceirizadas. A medida é classificada de absurda pela direção do sindicato. Segundo a representação dos trabalhadores, a empresa alega crise econômica, com o estoque muito alto e as vendas do aço no mercado interno reduzidas drasticamente. Ontem, o presidente da instituição, Silvio Campos, e outros dirigentes, dedicaram parte do dia a mobilizar políticos para participarem da entrevista coletiva marcada para hoje, às 10 horas, na sede da Rua Gustavo Lira, no Centro de Volta Redonda. A decisão de demitir foi tomada pela CSN em razão da baixa demanda de aço no mercado interno. A Usina Presidente Vargas tem capacidade para produzir 5 milhões e 600 mil toneladas de aço por ano e o Alto Forno 2 responde por 30%.  
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‘CSN demanda PPE urgente, sob pena de levar caos a Volta Redonda’, diz Miguel Torres
Presidentes da central Força Sindical e do sindicato dos metalúrgicos de Volta Redonda vão ao ministro do Trabalho pedir aplicação do Plano de Proteção ao Emprego na CSN; "Demissão de 3 mil trabalhadores vai fechar mais de 12 mil empregos indiretos na região", aponta Miguel Torres, da Força; "Nós mobilizamos a cidade inteira para mostrar que o governo federal precisa agir", diz Silvio Campos, dos metalúrgicos de Volta Redonda; audiência com ministro Miguel Rosseto, do Trabalho, está marcada para 14 horas; CSN, de Benjamin Steinbruch, não quer negociar e, sem diálogo, fechar seu segundo alto-forno em dois meses /// O anúncio de três mil demissões na CSN, em Volta Redonda, está provocando um pedido de implantação do Plano de Proteção ao Emprego (PPE) na empresa. É o que será levado ao ministro Miguel Rosseto, do Trabalho, em audiência nesta segunda-feira 28, às 14h00, com a central Força Sindical e o sindicato dos metalúrgicos de Volta Redonda. "O PPE tem de ser implantado com urgência, sob pena de o caos ser instalado em Volta Redonda e região", afirma o sindicalista Miguel Torres. "Um corte de 3 mil empregos diretos vai significar o fechamento de 12 mil postos de trabalhos indiretos em toda a região". O instrumento já existe, o que precisa é o governo chamar a empresa e mostrar que ele tem de ser implantado". Nos últimos dias, o sindicato dos metalúrgicos da cidade coordenou atos de mobilização da população local em defesa da manuteção de empregos pela CSN. A empresa anunciou o fechamento de um alto-forno, responsável por 35% da produção de aço da companhia. Antes, a empresa aplicou a mesma medida em Cubatão. "Não dá para aceitar esse tipo de decisão tomada por um lado só, sem diálogo com os trabalhadores e a sociedade", diz o presidente do sindicato dos metalúrgicos de Volta Redonda, Silvio Campos. "O instrumento do PPE existe e precisa ser usado".   Abaixo, notícia do Nosso Jornal, de Volta Redonda: O Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense vai distribuir, a partir de hoje, uma carta de protesto contra a decisão da CSN de demitir três mil funcionários e reduzir em 35% os valores dos contratos com as empresas terceirizadas. A medida é classificada de absurda pela direção do sindicato. Segundo a representação dos trabalhadores, a empresa alega crise econômica, com o estoque muito alto e as vendas do aço no mercado interno reduzidas drasticamente. Ontem, o presidente da instituição, Silvio Campos, e outros dirigentes, dedicaram parte do dia a mobilizar políticos para participarem da entrevista coletiva marcada para hoje, às 10 horas, na sede da Rua Gustavo Lira, no Centro de Volta Redonda. A decisão de demitir foi tomada pela CSN em razão da baixa demanda de aço no mercado interno. A Usina Presidente Vargas tem capacidade para produzir 5 milhões e 600 mil toneladas de aço por ano e o Alto Forno 2 responde por 30%.
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GM vai prorrogar até março lay-off de 750 trabalhadores, ajustam sindicato e empresa
A General Motors (GM) em São Caetano do Sul, no Grande ABC, vai prorrogar até março o lay-off de cerca de 750 funcionários, que se encerraria no fim deste ano. A informação foi divulgada hoje (24) pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul. A medida foi adotada após negociação dos sindicalistas com a montadora. “O que o sindicato está fazendo é no sentido de preservar o emprego”, afirmou o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves. Procurada, a GM não ainda respondeu aos contatos da Agência Brasil. Saiba Mais Proposta de recontratação e novo lay-off na GM será votada em assembleia Metalúrgicos da GM entram em greve contra demissões Com o lay-off, o contrato de trabalho é suspenso por até cinco meses, mas o empregado continua recebendo o salário, pago em parte pela empresa e em parte pelo governo federal. Em caso de prorrogação, a empresa custeia integralmente os vencimentos. Em outubro, a empresa já havia anunciado a suspensão do segundo turno de trabalho na unidade até março. Na ocasião, mais 1,6 mil funcionários da fábrica também foram colocados em lay-off previsto para terminar no terceiro mês de 2016. A outra parte dos funcionários está com contrato suspenso desde maio, com prorrogação de três meses feita em outubro. Segundo João Carlos Gonçalves, as empresas estão preferindo evitar demissões por acreditarem em uma retomada da atividade econômica no próximo ano. “As pessoas estão apostando que, com a mudança na economia, possam, já no ano que vem, retomar a produção.” De janeiro a novembro, houve queda de 25,2% nas vendas de veículos novos em relação ao mesmo período de 2014. Segundo o último balanço divulgado pela Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram licenciados 2,34 milhões de unidades nos últimos 11 meses, contra  3,12 milhões no mesmo período do ano passado.
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CSN, de Steinbruch, repete Cubatão, fecha Alto-Forno em Volta Redonda e demite 3 mil
Empresário Benjamin Steinbruch pilota nova leva de desemprego; CSN anuncia fechamento de alto-forno na histórica unidade de Volta Redonda; 3 mil demissões /// A direção da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), do empresário Benjamin Steinbruch, indicou ao Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense que vai demitir 3 mil funcionários e reduzirá em 35% o valor dos contratos com fornecedores, o que deve repercutir em demissões de terceirizados. Segundo o sindicato, a empresa alega passar por uma crise econômica que exige a redução de custos. Os cortes viriam de uma paralisação no alto-forno 2 da usina de Volta Redonda, que já vinha sendo ventilada. O argumento da companhia é que o estoque está baixo e as vendas de aço no mercado interno caíram drasticamente. Além disso, a CSN informou aos sindicalistas que o mercado externo não compensa as perdas no mercado doméstico. Procurada, a CSN não comenta a informação. "Diante disso, o sindicato não aceita, de maneira alguma, essas demissões arbitrárias. Esse é o nosso posicionamento. Tomaremos todas as medidas legais e políticas para que tal fato não aconteça. Mobilizaremos toda a cidade, conclamando as autoridades políticas e entidades civis", informou o sindicato em comunicado oficial. O Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, apurou que o conselho de administração da CSN está reunido nesta tarde para discutir a medida. A companhia pode decidir entre desligar o forno ou fazer uma parada temporária para manutenção e depois reavaliar as condições de mercado, segundo fontes. A capacidade instalada de produção da CSN é de 5,6 milhões de toneladas por ano e o alto-forno 2 responde por 30% do total da unidade. A CSN tem três altos-fornos, mas o mais antigo deles já havia sido desativado durante o processo de privatização da companhia nos anos 1990. Em Volta Redonda, funcionam atualmente o alto-forno 2 e o 3, que representam os 70% restantes da produção da fábrica. De acordo com uma fonte, os dois equipamentos não operam atualmente com 100% de sua capacidade, por isso não é possível afirmar que a parada do segundo forno redundará necessariamente no corte de 30% dos 10 mil funcionários diretos da usina. A companhia emprega outros dez mil funcionários terceirizados em Volta Redonda, contratados por empreiteiras.
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Barbosa fala em reforma trabalhista e previdenciária
Ministro da Fazenda diz a jornalistas estrangeiros que discussões no âmbito do Fórum Nacional da Previdência e Trabalho serão base para proposta a ser enviada pelo governo ao Congresso, em 2016; centrais sindicais participam dos debates, mas recusam papel de coadjuvantes; Nelson Barbosa não especificou o que pretende sugerir como mudança, mas aumentar idade mínima para a aposentadoria, como ele antecipou na véspera, vai despertar forte oposição no movimento sindical; nova gestão da Fazenda começa com trabalhadores como alvo ou como parceiros? /// Além de encaminhar uma proposta de reforma da Previdência nos próximos seis meses, o governo pretende avançar na reforma trabalhista em 2016, disse hoje (22) o novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa. Em teleconferência com jornalistas estrangeiros, ele disse que as discussões com as centrais sindicais estão avançando e que há uma chance de mudanças na legislação trabalhista no próximo ano. Segundo o ministro, os debates no Fórum Nacional de Previdência e Trabalho resultarão em propostas conjuntas a serem enviadas ao Congresso Nacional. O fórum teve a primeira reunião em setembro, com a presença de representantes de trabalhadores, empresários, aposentados e pensionistas. Ontem (21), na cerimônia de transmissão de cargo, Barbosa tinha anunciado que o governo pretende enviar ao Congresso, no primeiro semestre de 2016, a proposta de reforma da Previdência, principal fonte de gastos primários do governo. Horas antes, em teleconferência com investidores nacionais e estrangeiros, ele tinha dito que a proposta pode incluir uma idade mínima para aposentadoria ou flexibilizar a fórmula 85/95 para aumentar a pontuação requerida para receber o benefício integral. Na teleconferência de hoje, Barbosa voltou a afirmar o compromisso com o ajuste fiscal e o controle da inflação. Ele descartou a possibilidade de o governo instituir uma banda para a meta de superávit primário – economia para pagar os juros da dívida pública – em 2016. "Não há uma proposta neste momento para uma banda para a meta fiscal do ano que vem", declarou. Na semana passada, o Congresso aprovou o Orçamento do próximo ano com meta de esforço fiscal de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país), mas excluiu a possibilidade de o governo usar mecanismos de abatimento que permitiriam zerar a meta. A ideia havia sido defendida por Barbosa antes de assumir a Fazenda. O ministro rechaçou ainda a necessidade de a União fazer aportes de dinheiro na Petrobras. Segundo ele, essa seria uma medida extrema, e o cenário atual está longe de uma decisão do tipo. Em relação à inflação, Barbosa disse que os índices de preços devem cair no próximo ano com o fim do realinhamento de preços administrados, como energia e combustíveis. Para reequilibrar as contas públicas, o ministro disse que conta com a aprovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até junho, para que o tributo comece a ser cobrado em setembro. Caso a proposta não seja aprovada, ele afirmou que o governo terá de tomar medidas de ajuste tanto do lado das receitas, com aumento de impostos, como do lado das despesas, com novos cortes de gastos. Além de encaminhar uma proposta de reforma da Previdência nos próximos seis meses, o governo pretende avançar na reforma trabalhista em 2016, disse hoje (22) o novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa. Em teleconferência com jornalistas estrangeiros, ele disse que as discussões com as centrais sindicais estão avançando e que há uma chance de mudanças na legislação trabalhista no próximo ano. Segundo o ministro, os debates no Fórum Nacional de Previdência e Trabalho resultarão em propostas conjuntas a serem enviadas ao Congresso Nacional. O fórum teve a primeira reunião em setembro, com a presença de representantes de trabalhadores, empresários, aposentados e pensionistas. Ontem (21), na cerimônia de transmissão de cargo, Barbosa tinha anunciado que o governo pretende enviar ao Congresso, no primeiro semestre de 2016, a proposta de reforma da Previdência, principal fonte de gastos primários do governo. Horas antes, em teleconferência com investidores nacionais e estrangeiros, ele tinha dito que a proposta pode incluir uma idade mínima para aposentadoria ou flexibilizar a fórmula 85/95 para aumentar a pontuação requerida para receber o benefício integral. Na teleconferência de hoje, Barbosa voltou a afirmar o compromisso com o ajuste fiscal e o controle da inflação. Ele descartou a possibilidade de o governo instituir uma banda para a meta de superávit primário – economia para pagar os juros da dívida pública – em 2016. "Não há uma proposta neste momento para uma banda para a meta fiscal do ano que vem", declarou. Na semana passada, o Congresso aprovou o Orçamento do próximo ano com meta de esforço fiscal de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país), mas excluiu a possibilidade de o governo usar mecanismos de abatimento que permitiriam zerar a meta. A ideia havia sido defendida por Barbosa antes de assumir a Fazenda. O ministro rechaçou ainda a necessidade de a União fazer aportes de dinheiro na Petrobras. Segundo ele, essa seria uma medida extrema, e o cenário atual está longe de uma decisão do tipo. Em relação à inflação, Barbosa disse que os índices de preços devem cair no próximo ano com o fim do realinhamento de preços administrados, como energia e combustíveis. Para reequilibrar as contas públicas, o ministro disse que conta com a aprovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até junho, para que o tributo comece a ser cobrado em setembro. Caso a proposta não seja aprovada, ele afirmou que o governo terá de tomar medidas de ajuste tanto do lado das receitas, com aumento de impostos, como do lado das despesas, com novos cortes de gastos. (Agência Brasil)
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Retomando o Diálogo para o Desenvolvimento. Artigo
Retomando o diálogo para o desenvolvimento Por João Carlos Gonçalves Juruna Como mudou a conjuntura de classes sociais no Brasil a partir de 2013? E em que medida esta mudança alterou o apoio à coalisão que, desde 2003, estava à frente da presidência da República? Estas talvez sejam as duas perguntas básicas levantadas no artigo: Cutucando onças com varas curtas - O ensaio desenvolvimentista no primeiro mandato de Dilma Rousseff 2011-2014 [1] do sociólogo André Singer. Em entrevista para o Jornal O Globo, em 27/09/2015, Singer falou que "a ideia do artigo é mostrar a corajosa ofensiva de Dilma no primeiro mandato" no qual "ela explicitou um confronto com o setor financeiro" e mostrar "que ao final do percurso, ao chamar o ministro Joaquim Levy para a pasta da Fazenda, ela entregou todos os pontos para aqueles que procurou confrontar no primeiro mandato"[2]. Singer apoia sua argumentação na ideia de que nos dois mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva havia, na sociedade, duas coalizões: a coalizão rentista, capital financeiro e a classe média tradicional e a coalizão produtivista, empresários industriais e a classe trabalhadora organizada. O sociólogo chamou a “nova matriz econômica[3]” de “ensaio desenvolvimentista” para ressaltar o “ativismo estatal em busca da reindustrialização”, que lhe parece ser a marca forte do governo Dilma. Em tempo, na nova matriz econômica, a política anticíclica[4] adotada no primeiro mandato de Dilma incluía: Redução dos juros; fortalecimento do BNDES; aposta na reindustrialização; desonerações; plano para infraestrutura; reforma do setor elétrico; desvalorização do Real; controle de capitais; proteção à produção nacional. Para Singer “a nova matriz implicava comprar brigas centrais”. Como entender a virada do Primeiro de Maio de 2012 para o de 2015? Entre 2002 a 2010 os mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva foram marcados por um grande crescimento social e econômico. A ascensão de Guido Mantega ao Ministério da Fazenda, em 2006, criou condições para maior ativismo estatal. O Estado buscava meios para alavancar o crescimento, e o lançamento do PAC, em 2007, foi a maior expressão desse processo. Esse aquecimento permitiu atravessar a crise mundial de 2008 sem grandes prejuízos à economia. Em clima de otimismo a Ministra Chefe da Casa Civil de Lula, Dilma Rousseff foi eleita em 2010. Um de seus primeiros atos foi substituir a presidência do Banco Central, que era ocupada por Henrique Meirelles. Para Singer a substituição de Meirelles por Tombini no Banco Central sinalizou um salto de qualidade e desenvolvimento. Em seu primeiro pronunciamento como presidente Tombini disse que teria total autonomia operacional e que sua meta seria o controle da inflação, que não deveria ultrapassar 4,5 por cento ao ano. Disse também que a missão do Banco Central seria assegurar o poder de compra da moeda. "Brasil do diálogo, da produção e do emprego" No início de 2011, logo no começo da gestão da presidente Dilma, os produtivistas apresentaram um documento assinado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Força Sindical, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo intitulado Brasil do diálogo, da produção e do emprego. Segundo o documento a “crescente reprimarização[5] da pauta de exportação”, a “substituição da produção doméstica por produtos e insumos industriais importados” e a “expressiva queda do conteúdo nacional na produção” fez acender “uma luz amarela”. E foi essa luz amarela que empurrou os parceiros para a ação conjunta. Na tarde de 26 de maio de 2011, no Moinho Santo Antônio, na Moóca (SP), os presidentes das entidades entregaram o documento ao vice-presidente da República, Michel Temer, perante ministros de Estado, políticos profissionais e um público de empresários e trabalhadores. Com 32 páginas, o texto abrangia desde o “ambiente macroeconômico” ao “cooperativismo e economia solidária”, passando por “política industrial” e “comércio exterior”. Em resposta, o governo lançou em agosto daquele ano o “Plano Brasil Maior”, segundo o qual o desafio seria o Brasil “sair da crise internacional em melhor posição do que entrou, o que resultaria numa mudança estrutural da inserção do país na economia mundial”. Com isso, foi selado, implicitamente, um acordo entre o governo, os trabalhadores e os empresários do setor produtivo. O ensaio desenvolvimentista chegava ao auge Seguiu-se daí um impulso de crescimento e Dilma Rousseff, à frente do governo, empreendeu ações no sentido de pressionar as instituições privadas para reduzirem os próprios ganhos. Um primeiro sinal da ruptura daquele arranjo surgiu quando, em 30 de abril de 2012, no discurso sobre o Primeiro de Maio, Dilma Rousseff atacou os juros altos e os bancos. Em fevereiro de 2012, o boletim do Ministério da Fazenda afirmou que o spread[6] no Brasil era “elevado na comparação com outras economias” e a diminuição dos ganhos por parte dos bancos tornou-se ordem procedente do poder Executivo. Na noite de 30 de abril, véspera do Dia do Trabalhador, a presidente afirmou em rede nacional de rádio e TV que era inadmissível o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros mais sólidos e lucrativos, continuasse com um dos juros mais altos do mundo. Com isso, conforme informou o jornal Folha de São Paulo, o “Banco do Brasil fez uma redução agressiva nos juros e elevou os limites de várias linhas de crédito para empresas e consumidores com o objetivo de acirrar concorrência com Itaú, Bradesco e Santander e estimular a economia”. Em menos de uma semana, a Caixa Econômica Federal adotou procedimento similar. Dilma mirava a redução dos juros para garantir o crescimento da economia. Era a “batalha do spread”. Com o BNDES capitalizado e disponível para financiar a produção a juros mais baixos, certo controle sobre o fluxo de capitais, o real menos valorizado, a desoneração da folha de pagamento em curso, a obrigatoriedade de conteúdo local em setores estratégicos e encomendas da Petrobras, compras governamentais e tarifas alfandegárias voltadas para a produção nacional, programa de investimento em infraestrutura lançado, aumento do limite de endividamento dos Estados e juros mais acessíveis nos bancos comerciais, o ensaio desenvolvimentista chegava ao auge. Seu índice de aprovação na época era de 64%. Combates duros Mas a presidente assumia um perigoso embate. André Singer avalia que ao contrário de seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva, embora tenha havido uma nítida continuidade do ângulo programático, Dilma decidiu entrar em combates duros. Pode-se dizer que, desde José Bonifácio, em 1822, foi a primeira vez, quase duzentos anos depois, que um chefe de estado brasileiro voltou a bater de frente com os interesses da alta finança. A atuação de Dilma Rousseff foi dificultada pela crise financeira internacional que, em agosto de 2011, se fez sentir no Brasil. Neste contexto, em 10 de abril de 2012, o presidente da Febraban, Murilo Portugal, entregou ao então secretário-executivo da Fazenda, Nelson Barbosa uma lista de vinte reivindicações que iam da diminuição dos impostos sobre as transações financeiras até a redução do depósito compulsório fixado pelo Banco Central. Como resposta o Ministério da Fazenda afirmou que “Se os bancos são tão lucrativos, e isto está nos dados, eles têm margem para reduzir a taxa de juros e aumentar o volume do crédito”. Daí em diante, derrubar Mantega se converteu em meta no meio financeiro. Em abril de 2012, a Febraban voltou atrás e, nesse clima triunfante, Dilma fez o citado discurso de Primeiro de Maio de 2012. Mas em, 7 de fevereiro de 2013, o presidente do Banco Central soltaria uma frase que abalou o mercado financeiro. Em conversa com a jornalista Miriam Leitão, Tombini afirmou que a inflação estava “mostrando uma resiliência forte” e perguntado era necessário mudar a política monetária, respondeu que o BC estava atento a tudo. “Foi o suficiente para que os investidores passassem a apostar na alta dos juros, o que significava demolir a viga de sustentação do projeto dilmista. Usar a política monetária para segurar a inflação — senha da direção neoliberal —, justo quando a redução de juros ao tomador finalmente se completava, era simplesmente desmontar o recém-concluído”, afirmou Singer. O ministro da Fazenda tentou corrigir, em entrevista à Reuters, 24 horas depois, dizendo que não havia motivo para alarme. Algumas semanas mais tarde Dilma reforçou a posição de Mantega dizendo não acreditar “em políticas de combate à inflação que olhem a redução do crescimento econômico”. Passados apenas um ano e meio do lançamento de “Brasil do diálogo”, entretanto, a CNI lançou o documento “101 propostas para a modernização trabalhista”, ou seja, flexibilização de direitos. O objetivo era “abrir as discussões para reduzir os altos custos do emprego formal, que a CNI via como um dos mais graves gargalos ao aumento da competitividade das empresas brasileiras”[7]. Com isso ficou evidente que a demanda dos empresários havia mudado e a costura produtivista se esgarçaria publicamente. Em 18 de abril o Banco Central iniciou o ciclo de alta de juros que só se encerrou dois anos mais tarde - a situação se invertera. A elevação da taxa Selic devolveu ao mercado financeiro o controle sobre parte fundamental da política econômica. A Fiesp, por sua vez, neste mesmo mês divulgou o estudo “Oportunidades de Investimentos no Paraguai”, mostrando vantagens de as indústrias brasileiras se instalarem no Paraguai, como mão de obra mais barata por não haver encargos trabalhistas. Nos meses seguintes, o aumento contínuo dos juros, o corte no investimento público, o aumento da taxa de retorno nas concessões, a diminuição das restrições ao capital especulativo e as privatizações na área de transportes apontaram a volta atrás. Não foi à toa que, a cada reunião do Banco Central para decidir o aumento da taxa Selic, as centrais sindicais realizavam manifestações em frente ao banco. A popularidade de Dilma apresentou, então, uma forte queda. Junho de 2013 Enquanto a costura produtivista se desgastava o cerco rentista recebia “inesperado reforço proveniente das ruas”. O sociólogo afirma que as manifestações tiveram caráter contraditório uma vez que foram iniciadas pela esquerda e engrossadas pelo centro e pela direita, elevando a rejeição à presidente. Durante a onda de manifestações a Fiesp chegou a iluminar a fachada do seu edifício na Avenida Paulista com a bandeira nacional, em sinal de simpatia ao movimento. Como reação Dilma propôs a responsabilidade fiscal como o primeiro dos cinco pactos que deveriam reunificar a nação e, no final de julho de 2013, promoveu um corte 10 bilhões de reais no Orçamento de 2013, “em resposta, sobretudo, ao mercado financeiro, que o acusa [ao governo] de leniência com a inflação”. As centrais sindicais também foram para as ruas em julho de 2013, com menor impacto, mas aprofundando o fosso entre os industriais e trabalhadores. No segundo semestre de 2013 formou-se “uma frente única burguesa – do setor financeiro ao industrial, passando pelo agronegócio, o comércio e os serviços – em oposição ao desenvolvimentismo”. Crescimento em 2014 ameaçado Mesmo em meio a essa turbulência social e política o governo ganhou um fôlego proveniente dos estímulos estabelecidos ao longo de 2011/2012 e dos investimentos realizados para a Copa do Mundo de 2014. O resultado foi um crescimento de 2,3% em 2013. Entretanto, o contínuo aumento dos juros a partir de abril de 2013, surtiria efeito entre seis meses e um ano depois. Com isso, no começo de 2014, o gasto público foi outra vez cortado, abandonando-se o projeto de lei que reduzia as dívidas de Estados e municípios. O investimento apresentou uma queda de 4,4% naquele ano. Com o declínio da atividade econômica, caiu a arrecadação, deixando o Estado vulnerável às propostas de ajuste fiscal. Reeleição A manutenção do emprego e dos salários permitiram e um discurso baseado na capacidade de evitar o choque neoliberal encampado pelo PSDB levou à apertada reeleição de Dilma em 2014. No entanto, reeleita a presidente fez o contrário do prometido. “Vencida e humilhada, a antiga chefe das hostes desenvolvimentistas, com cada vez mais reduzida popularidade, não conseguia mais sequer usar a rede obrigatória no Primeiro de Maio de 2015, temerosa de provocar “panelaço” semelhante ao que ocorrera por ocasião de pronunciamento relativo ao Dia da Mulher”, constata André Singer. Por que os industriais abandonaram a coalizão produtivista, quando ela estava sendo atendida pelo governo? Entre 2011 e 2014 os industriais foram progressivamente se afastando de Dilma, alinhando-se continuamente ao bloco rentista de oposição. Do ponto de vista adotado pelo artigo, isso de seu também porque enquanto realizava, por cima, o avanço desenvolvimentista, a burguesia industrial se afastava por baixo. O governo também foi abalado pela diminuição do crescimento mundial de 4,1%, em média ao ano, entre 2000 e 2008, para 2,9% ao ano de 2009 a 2014. Singer apresenta cinco interpretações e uma síntese sobre o deslocamento da burguesia industrial e sua adesão à frente única burguesa contra o ensaio desenvolvimentista. Uma interpretação aponta para as características estruturais da burguesia industrial. A segunda linha de raciocínio aposta na reação da burguesia frente ao fortalecimento dos sindicatos, o que resultou na contínua elevação dos salários reais. Singer explica que: as paralisações, que já vinham subindo desde 2008, atingiram quase 87 mil horas, em 2012, o maior índice desde 1997, e continuou a crescer. Singer cita os economistas Fernando Rugitsky e Michal Kalecki ao levantar que: “toda vez que o Estado coloca em prática políticas de pleno emprego, os empresários tendem a se afastar, pois sentem perda de poder, uma vez que em condições normais são eles que regulam o emprego por meio do investimento. A burguesia usaria a ‘greve de investimentos’”. A terceira explicação dá ênfase ao papel da ideologia. A coalizão rentista mobilizou impressionante aparato de formulação e divulgação de críticas ao ensaio desenvolvimentista. “Sob o guarda-chuva do anti-intervencionismo, penduraram-se críticas de incompetência, arbítrio, autoritarismo e corrupção à imagem pública de Dilma”. Uma quarta análise coloca ênfase na correlação de forças internacional. Para o cientista político Armando Boito, acima do aspecto produtivo ou rentista da atividade, há o caráter nacional ou internacional, como elemento-chave para compreender a posição de cada segmento. Ele sublinha que o anseio de proteção por parte do Estado separaria bancos nacionais e estrangeiros, indústria nacional e internacional. A quinta narrativa, por fim, procura mostrar que Rousseff teria aberto excessivas frentes de luta simultaneamente. O fato de a camada industrial ter ao mesmo tempo um lado rentista a torna mais sensível à ideologia neoliberal, apesar de esta orientação objetivamente prejudicar as atividades fabris. “Some-se à natural capacidade de resistência e fuga dos interesses contrariados (o setor financeiro e o capital externo) a pluralidade de camadas empresariais prejudicadas e entende-se que as onças cutucadas, sendo muitas e já sensibilizadas por farto material crítico, aos poucos formaram o cerco feroz que derrotou o ensaio desenvolvimentista”, conclui o sociólogo. Se tivesse dado certo, seria uma reversão histórica André Singer alerta para o fato que defender o desenvolvimentismo exigiria uma opção de classe e mobilização dos trabalhadores, mas isso não ocorreu: “Diante desse quadro, sustentar a ofensiva demandaria sólida aliança interclassista e/ou intensa mobilização dos trabalhadores para conter a volta do cipó de aroeira. Nenhuma das duas alternativas foi sequer cogitada. Parece ter faltado atenção às forças sociais e políticas necessárias para a execução do projeto desenvolvimentista”. Os avanços obtidos entre agosto de 2011 e abril de 2013 foram notáveis, mas sem apoio para prosseguir depois que a reação, iniciada pelo BC, entrou em cena. “O ensaio desenvolvimentista representou mudanças importantes e foi, por sua vez, combatido por adversários poderosos em campanha intensa. Depois de início exuberante, o desenvolvimentismo foi contido pelo aumento dos juros, a partir de abril de 2013, e passou à defensiva. Sem contar com o apoio dos industriais e vendo a crescente atratividade do bloco rentista, o governo ficou na defensiva, até que assinou a rendição completa no final de 2014”. A substituição de Guido Mantega por Joaquim Levy, anunciada no final de 2014, representou um retrocesso da política lulista “com a desvantagem de a situação mundial de 2015 ser bem menos propícia às engenhosas soluções pró-camadas populares encontradas a partir de 2003”. Em resumo, o artigo aponta que: “No início do ensaio desenvolvimentista de Dilma, a burguesia industrial, dependente do favorecimento de políticas, pede ofensiva estatal. Para isso, alia-se à classe trabalhadora. No segundo ato, os industriais descobrem que, dado o passo inicial de apoiar o ativismo estatal, estão às voltas com um poder que não controlam, o qual favorece os adversários de classe. No terceiro episódio, a burguesia industrial volta-se contra seus próprios interesses para evitar o que seria um mal maior: Estado demasiado forte e aliado aos trabalhadores. Une-se, então, ao bloco rentista para interromper a experiência indesejada”. Se o programa de Dilma Rousseff, tivesse dado certo, seria uma reversão histórica, “mas, ao cutucar onças, a presidente deveria ter considerado os instrumentos que teria à mão para reagir quando viesse o bote do contra-ataque. Sem planejamento político, o ensaio desenvolvimentista abriu um vácuo sob os próprios pés e acabou por provocar a mais séria crise do lulismo quando a reação burguesa unificada em favor do retorno neoliberal tornou-se incontrastável. Até por não haver, na sociedade, quem enxergasse a necessidade de contrastá-la”, finaliza. Os desafios atuais Cabe agora, ao governo, recuperar a capacidade de o Estado coordenar e articular as iniciativas de investimento em infraestrutura econômica e social, sustentando o emprego e a renda das famílias. Desta forma manterá a capacidade de o mercado interno ser uma locomotiva do crescimento do país. A coordenação de uma política econômica voltada para o desenvolvimento produtivo, como dito acima, é uma ousada construção em um país que por tantos anos convive com uma economia orientada pelo rentismo e pelo sistema financeiro. As crises geram graves problemas para muitos. Mas, por outro lado, ela impõe a necessidade de os agentes econômicos refazerem suas expectativas e serem mais abertos ao diálogo social para assim tomar atitudes para superá-la. A atual crise atinge a capacidade produtiva do país, desmonta nossa estratégia de investimento em infraestrutura produtiva e social, destrói os empregos e traz inseguranças às empresas e aos trabalhadores. O combate à corrupção, fortemente aperfeiçoado pelas novas leis que permitem nova capacidade de ação do Estado, tem colocado para sociedade essa mazela que nos atinge, como atingiu e atinge tantos outros países. Aqui, como lá, esse combate não pode destruir a capacidade produtiva da economia e, muito menos, coloca-la de joelhos ou quebrar sua estrutura vertebral. O momento é de ousadia, superando as agendas corporativas, para a construção de um conjunto de propostas que dê à nação o sentido do nosso desenvolvimento, as prioridades do país, das empresas e dos trabalhadores. Essa construção se faz a partir das organizações vivas da sociedade, forças sociais capazes de mobilizar uma vontade coletiva maior que nossas demandas individuais. Esse movimento deve incrementar a produtividade, agregando valor à nossa produção econômica, gerando bons empregos e fazendo crescer os salários e a renda média, aproximando-nos do nível de renda das sociedades desenvolvidas. Um projeto desse tipo se faz por meio do diálogo social que constrói compromissos capazes de se consolidarem em acordos nacionais. Esse objetivo será cumprido se formos capazes de mobilizar um amplo campo de forças sociais comprometidas com o desenvolvimento, a liberdade e a democracia. Foi dentro desta perspectiva que, na segunda quinzena de novembro de 2015, sindicalistas da CUT e da Força Sindical buscaram, junto à técnicos do DIEESE, amadurecer a ideia de refazer o pacto entre trabalhadores e empresários, para definir uma pauta comum de desenvolvimento. As demais centrais, UGT, CTB, Nova Central e CSB, também foram chamadas e participaram deste esforço conjunto. Desta forma, no dia 3 de dezembro de 2015, no Espaço Hakka, em São Paulo, ocorreu o primeiro encontro, desde aquele ocorrido em 26 de maio de 2011, no Moinho Santo Antônio, entre empresários e sindicalistas com vistas a estabelecer uma agenda em comum para o desenvolvimento econômico do país. O documento aprovado, e entregue a presidenta Dilma Rousseff no dia 15/12, retoma o debate sobre investimento na infraestrutura, sobre financiamento para investimento na produção e facilidade de crédito para o consumo, aprova o acordo de leniência que poderá evitar demissões e perdas de tecnologias das empresas que tem seus diretores investigados pela operação Lava Jato, entre outras coisas. Entre as sugestões do manifesto estão a volta do estímulo aos investimentos público e privado, o aumento das exportações da indústria, a ampliação do financiamento de capital de giro e a adoção de políticas de fortalecimento do mercado interno para preservar emprego e renda. Com a mudança da equipe econômica, e Nelson Barbosa assumindo o Ministério da Fazenda, abre-se um novo horizonte de diálogos e negociações que, acredito, tenderão a ser mais positivas para os trabalhadores. Assim será possível retomar o debate sobre o desenvolvimento do país e criar condições para que o governo possa implementa-lo já em 2016. ____________________________________ João Carlos Gonçalves Juruna é Secretário Geral da Força Sindical [1] Novos Estudos 102, julho de 2015. [2] Singer: 'Política de Dilma está ameaçando legado lulista' acessado em 05/11/15. [3] Estratégia, que consiste em taxas de juro historicamente baixas, uma taxa de câmbio enfraquecida - obtida em parte por meio de controles cambiais - e incentivos fiscais temporários para a indústria, concebida para devolver o Brasil a uma taxa de crescimento de 4%. Valor Econômico: Financial Times: Nova matriz econômica do Brasil ouve anúncio de morte. Acessado em 05/11/2015 [4] Uma política econômica anticíclica consiste no conjunto de ações governamentais voltadas a impedir, sobrepujar, ou minimizar, os efeitos do ciclo econômico. [5] Venda de produtos primários. [6] Diferença entre o preço de compra (procura) e venda (oferta) de uma ação, título ou transação monetária. Analogamente, quando o banco empresta dinheiro a alguém, cobra uma taxa pelo empréstimo - uma taxa que será certamente superior à taxa de captação. [7] Portal CNI: 101 propostas para modernização trabalhista. Acessado em 07/11/2015.
Polí­tica Trabalho
Lógica do oportunismo lacerdista comanda processo de impeachment, critica sindicalista Carlão da Alimentação. Artigo
Aos amigos, tudo, aos inimigos, os rigores da lei! Por Carlos Vicente de Oliveira - Carlão da Alimentação A política brasileira continua sendo regida pela lógica do oportunismo lacerdista: “Não deve ser candidato à presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar." A abertura do processo de impeachment da presidente Dilma é o ápice de um processo político de divisão e discórdia semeado no país desde as eleições de 2014. Derrotada nas urnas por margem estreita de votos, a oposição optou pela tentativa de inviabilizar as ações do governo através da judicialização da política. Primeiro, questionou a legitimidade da contagem de votos. Depois, as fontes de financiamento da campanha eleitoral. Agora, as chamadas “pedaladas fiscais”. Amparado no discurso de “independência do Legislativo”, Eduardo Cunha arregimentou o apoio de grupos conservadores e tornou-se protagonista da rebelião para enfraquecer o poder Executivo. Se por um lado era hostil ao governo, por outro acenava para a oposição. Mas, arrolado nas investigações da Lava Jato, virou alvo da Procuradoria-Geral da República, que apresentou denúncia contra o parlamentar por suposto envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras. Somado a isso, as denúncias da conta bancária secreta na Suíça atribuída à sua esposa, a jornalista Cláudia Cruz, e o envolvimento de sua filha, Danielle, agravaram a situação de Cunha. Enfraquecido, o cerco começou a se fechar. Até a oposição – outrora aliada – começara a questionar a sua legitimidade política e moral para presidir a Câmara dos Deputados. Já não interessava mais mantê-lo no cargo, pois ele havia se tornado um entrave às intenções oportunistas. Mas ainda lhe restava uma saída: a Comissão de Ética. Se pudesse contar com os votos dos deputados da bancada do PT, o processo de cassação de seu mandato seria barrado. Cada vez mais ameaçados e coagidos pelas chantagens imputadas à presidente, a Direção Nacional do PT e seus integrantes decidiram votar pela admissibilidade do processo. Numa clara manobra de retaliação, Eduardo Cunha resolveu tirar o pino e detonar a granada do impeachment horas depois. Sob o pretexto jurídico das “pedaladas fiscais”, o pedido foi acolhido. Cabe lembrar que há precedentes de manobras contábeis em governos anteriores. As supostas irregularidades fiscais serviram para manter o financiamento de programas sociais, possibilitando o pagamento em dia de benefícios e subsídios para seus beneficiários, porque os bancos públicos cobriram esse valor cobrando juros do governo pelos recursos utilizados. Entretanto, o que está em jogo não é a questão legal ou moral, mas a disputa pelo poder. Não cabe aqui discutir a competência (ou incompetência) do governo Dilma. Isso não dá margem constitucional para destituí-la do cargo para qual foi eleita por cerca de 54 milhões de brasileiros. O que está em discussão é a ética seletiva de uma oposição alijada do poder pelas vias eleitorais e que busca retomar sua hegemonia através da instabilidade institucional de um “golpe branco”. Carlos Vicente de Oliveira, o Carlão da Alimentação, é presidente do Sindicato da Alimentação de São Paulo
Economia Trabalho
Abílio usa duas caras na BRF: faz compras de US$ 500 mi e brinda com champanhe, mas nega...
Convocação de greve na unidade da BRF em São Paulo é protocolada no TRT; presidente do Conselho de Administração da empresa age com requintes de insensibilidade diante de trabalhadores; na quinta-feira 9, cercado por seguranças, Abílio Diniz foi ao Centro de Distribuição Logística no Embu, brindar com champanhe desempenho da compahia em 2015; fusão da Sadia com a Perdigão gerou ganhos suficientes para compra, em novembro, por US$ 500 milhões, de três empresas de alimentos na Argentina, Tailândia e Reino Unido; no Brasil, porém, Abílio dá ordem de oferta de apenas 4,5% de reajuste salarial, equivalente a metade da inflação de 9,07% medida pela INPC; proposta patronal incluiu abono de R$ 300 em produtos da própria BRF, dividido em R$ 50 por mês; estilo trabalho precário em fazendas; Diniz é considerado na mídia tradicional um empresário 'moderno' /// O empresário Abílio Diniz, presidente do Conselho de Administração da BRF, está sendo considerado pelos trabalhadores da empresa como um grande 'duas caras'. E vai se tornando o grande responsável por greves que começam a acontecer nas unidades da companhia de alimentos, resultado da fusão entre a Sadia e a Perdigão, em todo o País. De sua posição de comando, Diniz ordenou que a BRF oferecesse apenas 4,5% de reajuste salarial aos funcionários, exatamente metade da inflação de novembro de 2014 a novembro de 2015, apurada em 9,07%. Além disso, propôs apenas um benefício, o da cesta básica, mas ainda assim de forma humilhante: R$ 300 divididos em seis parcelas de R$ 50 cada uma. Ou isso, ou R$ 200 para serem usados em compras exclusivamente de produtos da companhias. Mais atrasado, impossível. A proposta nivela a BRF aos padrões do trabalho precário estabelecido em fazendas brasileiras. "Essa proposta é na verdade uma provocação de Abílio Diniz e seus prepostos", diz o diretor do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação de São Paulo, Carlos Augusto Serrote. "Ele apareceu na empresa todo sorridente e cheio de elogios, para em seguida mostrar que não têm o menor interesse em manter uma situação positiva dentro da companhia. Sem dúvida, vamos responder essa afronta com uma greve absolutamente justa", completou Serrote, que protocolou aviso de greve na Justiça do Trabalho e coordenou assembleias na BRF do Embu. Na semana passada, cercado por seguranças, Diniz visitou o Centro de Distribuição Logística da BRF no município do Embu, em São Paulo, e chegou a brindar com champanhe pelo desempenho do ano de 2015. As economias e ganhos em escala da fusão da Sadia com a Perdigão possibilitaram à BRF, nos últimos dois meses, compras de empresas de alimentos no exterior por nada menos que US$ 500 milhões. Assim, a companhia adquiriu posições na Argentina, Reino Unido e Tailândia. No dia seguinte ao brinde no Embu, Diniz deu a ordem para o reajuste de apenas 4,5% nos salários, mesmo tendo dito que considerava o CDL e seus trabalhadores como exemplares dentro da companhia. A resposta ao descaramento de Diniz, considerado pela mídia tradicional como um empresário 'moderno', já é a greve em diferentes unidades da BRF pelo Brasil, entre ela a do Embu.  
Trabalho Economia
‘Mostramos para Dilma como superar a estagnação da economia’, diz Miguel Torres
Ao lado de representantes das seis centrais sindicais e de entidades patronais, sindicalista Miguel Torres entrega documento Compromisso pelo Desenvolvimento à presidente Dilma Rousseff; reunião no Palácio do Planalto, na tarde desta terça-feira 15, se deu em meio à agudização da crise política; "Nós conseguimos, entre trabalhadores e empresários, um consenso mínimo para apresentarmos uma proposta conjunta pelo desenvolvimento à presidente", disse o presidente da Força Sindical ao BR:; "Da crise política, outras pessoas estão cuidando. Nosso assunto é a recuperação do emprego e o crescimento da economia. Não podemos deixar que 2016 venha a ser um ano perdido", completou; boa notícia: Dilma chamou novo encontro para a sexta-feira 18, às 10h00, no Palácio do Planalto; economia do Brasil pode voltar a andar para a frente /// Trabalhadores e empresários abrem janela de oportunidade para presidente Dilma Rousseff em dia de caos político. Em reunião no Palácio do Planalto, nesta terça-feira 15, às 15h30, centrais sindicais e entidades patronais entregaram à presidente o documento consensual Compromisso pelo Desenvolvimento, com propostas para a retomada do desenvolvimento econômico em 2016 . A respeito dessa proposta, BR: ouviu o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, que foi um dos líderes da articulação do Compromisso pelo Desenvolvimento. Acompanhe: BR: Em meio a um dia de tanta efervescência política., o Compromisso pelo Desenvolvimento pode vingar? MIGUEL TORRES: Sim, pode vingar sim. Como representantes dos trabalhadores, nós estamos fazendo a nossa parte em propor saídas para a estagnação econômica. Atraímos para essa proposta entidades empresariais comprometidas com o desenvolvimento. Chegamos a um consenso mínimo, com as propostas reunidas no nosso Compromisso pelo Desenvolvimento. Ele representa a nossa alternativa à perspectiva de perda também do ano de 2016. Não aceitamos essa projeção. É possível mudar isso, tanto que trabalhadores e empresários estão convencidos de que essa possibilidade existe. Falta o governo entender. BR: Mesmo com a crise política, dá para levar o Compromisso adiante? MIGUEL TORRES: Há muitas pessoas, de todos os partidos políticos, há muita atenção sendo dada à crise política. Ela pode ser resolvida, toda essa gente está nisso. Da nossa parte, a preocupação é com a recuperação do emprego, com o resgate do crescimento econômico, que foi perdido, com a melhora das expectativas para 2016. Esse é o nosso assunto e o nosso foco: a economia e seu resgate o quanto antes. O Brasil não pode seguir ceifando empregos e matando a atividade econômica como aconteceu neste ano. Queremos superar essa etapa o mais rápido possível e voltar aos trilhos do crescimento. BR: Como foi a reunião com a presidente Dilma? MIGUEL TORRES: A presidente foi atenciosa. O ponto positivo foi o de ela ter chamado nova reunião conosco - repito, todas as centrais sindicais e as entidades patronais que compartilham dessa proposta - já para a próxima sexta-feira, outra vez no Palácio do Planalto. Isso mostra que ela irá considerar nossas sugestões. BR: E o ponto negativo, qual foi? MIGUEL TORRES: A presidente bateu na tecla de que precisa da aprovação da CPMF. Não estamos de acordo. Antes de impor mais esse tributo, o governo deveria estabelecer, finalmente, o imposto sobre grandes fortunas. Não há sentido em fazer o povo pagar pela crise quando os ricos ficam protegidos dessa mesma crise. BR: O que contém o Compromisso pelo Desenvolvimento? MIGUEL TORRES: Há um consenso mínimo entre trabalhadores e empresários, nesse momento, a favor da reativação de setores econômicos que têm grande potencial de emprego e de ativação de outras áreas. Achamos que os investimentos públicos precisam voltar a acontecer nas áreas da construção civil, que emprega milhares de trabalhadores, no setor de óleo e gás, que movimenta muitas outras áreas da economia, e no setor de infraestrutura, que abre gargalos no desenvolvimento. As propostas foram formuladas em diferentes reuniões a partir das centrais sindicais. Os empresários entenderam a importância e colaboraram com a proposta. A bola está no campo do governo. O que queremos é não deixar que 2016 seja igual a 2015, onde perdemos milhares de empregos e o País andou para trás. Precisamos seguir em frente.      
Trabalho Sociedade
Infância escravizada: 3 milhões de crianças trabalham no Brasil, 61% sem renda fixa
Idades variam entre 5 e 7 de anos; 12 mil acidentes de trabalho registrados nos últimos 5 anos; 61% das crianças não têm rendimento fixo, enquanto 91% sofrem prejuízos na escola; crise deve agravar dados vergonhosos; qual a chance dessa infância? /// Trabalho Infantil – você não vê, mas existe. Este é o tema da campanha nacional lançada nesta segunda-feira (14), pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), para combater a exploração de meninos e meninas. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que mais de 3 milhões de crianças, entre 5 e 7 anos de idade, trabalham no Brasil. Outros 70 mil têm, no máximo, 9 anos. Além de receberem baixos salários, uma em cada quatro crianças deixa a escola e muitas trabalham em condições degradantes. Em cinco anos, foram registrados mais de 12 mil acidentes de trabalho envolvendo menores. Entre os motivos para a ocorrência do trabalho infantil estão a pobreza, a desigualdade social, a baixa escolaridade e a cultura da exploração. O presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), Rodrigo Torres, afirma que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) trouxe avanços, mas reconhece que ainda há muito o que melhorar. De acordo com o Tribunal, apesar da proteção dedicada às crianças pela Constituição Federal e pelo ECA, ainda existem muitas autorizações judiciais de trabalho concedidas a meninos e meninas, a partir dos 9 anos de idade. Entre 2005 e 2010, foram 30 mil. As principais formas de trabalho infantil são o trabalho escravo; a exploração sexual; a destinação para atividades ilícitas, como tráfico de drogas, e trabalhos que oferecem risco à saúde – no lixo, nas pedreiras, no carvão e nas indústrias do tabaco. Do total de crianças exploradas, pouco mais da metade está na zona urbana. Dessas, 61% não recebem salário fixo e 90% sofrem prejuízos escolares. (Agência Brasil)