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Trabalhista: centrais obtêm vitória e texto passará por 3 comissões no Senado
Diante da resistência da oposição, o presidente interino do Senado, Cássio Cunha Lima, costurou ontem um acordo para a tramitação da reforma trabalhista, informa o Globo (18). O texto passará pelo crivo de três comissões – CAE (Assuntos Econômicos), CCJ (Constituição e Justiça) e CAS (Assuntos Sociais). Agora, a previsão de Cunha Lima é a de que o projeto chegue ao plenário dentro de 45 dias a 60 dias. O governo gostaria que o projeto passasse por apenas duas comissões, mas a oposição ameaçou dificultar ainda mais a tramitação ao pedir a tramitação em quatro comissões. Já se sabe que a tramitação na CCJ deverá reservar dores de cabeça ao governo, uma vez que ela é presidida pelo senador Edson Lobão, aliado do líder Renan Calheiros, adversário do projeto. Renan recebeu ontem líderes das centrais sindicais, parabenizou-os pela greve realizada na sexta-feira 28 e colocou-se à disposição para encaminhar propostas consensuais de alteração do texto. Ele se referiu ao projeto em curso como um “desmonte”.
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28 de Abril: ação truculenta da PM contra sindicalistas foi flagrada por câmeras durante protestos, em Santos
O presidente do Sindicato dos Operários Portuários de Santos e região (Sintraport), Claudiomiro Machado, o Miro, afirmou que entrará com um processo contra integrantes do Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar (BAEP). Miro, um diretor e mais dois funcionários ligados ao Sintraport foram agredidos pelos policiais na manhã de hoje (28) em frente à sede da entidade sindical após atos de protestos contra as reformas trabalhista, previdenciária e a lei da terceirização. Câmeras de monitoramento flagraram parte da ação. Nas imagens é possível ver três viaturas do BAEP estacionando na Rua General Câmara, sentido Praça Mauá. Do lado oposto, um homem caminha a passos lentos até a sede do sindicato quando um policial o atinge com um cassetete. Ele corre e esbarra em outro funcionário, que também é agredido. Ambos entram na sede do sindicato, cercada por soldados da PM. Algum tempo depois Miro aparece correndo ofegante. Nesse momento um terceiro soldado também o atinge com cassetete. Antes de conseguir entrar no sindicato ele tenta falar algo com um PM e é novamente ameaçado com o equipamento. A reportagem do Diário do Litoral acompanhou a ação. Pouco tempo após o tumulto, um PM exigiu que a porta do sindicato fosse fechada. Dois sindicalistas com os rostos e uniformes ensanguentados foram levados na viatura. Poças de sangue ficaram na calçada após o término da ação, que durou cerca de 10 minutos. O presidente do Sintraport conta que os policiais acompanharam os sindicalistas após os atos da Praça Mauá. “Estávamos retornando para o sindicato, acompanhados por alguns funcionários da estiva, quando notamos as três viaturas nos seguindo. Na altura da Rua Brás Cubas os policiais seguiram sentido Alfândega. Nós continuamos caminhando, mas ligamos para a sede para pedir que abrissem a porta, pois temíamos uma ação surpresa por parte da PM, o que de fato aconteceu. Eles haviam dado apenas a volta no quarteirão para nos aguardar perto do Sintraport”, afirma Miro. As agressões resultaram em hematomas pelas costas, costelas e braços do sindicalista. Outro funcionário ficou com um hematoma na cabeça. De acordo com Miro, a ação foi arbitrária e os sindicalistas não ofereciam riscos que justificassem o uso da força. “Não estávamos armados e não carregávamos nada. Apenas seguíamos rumo ao sindicato. Nada justifica a forma como a PM agiu”, conta, acrescentando que entrará com um processo ao lado dos demais trabalhadores feridos. No total, três funcionários do Sintraport foram encaminhados para o 1º DP de Santos e liberados em seguida. Já o trabalhador avulso de capatazia Josivaldo Rodrigues de Jesus, de 43 anos, foi encaminhado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santos com um ferimento no rosto. Ele corre o risco de perder a vista direita. Além da pancada no rosto, o trabalhador também foi ferido na  cabeça e demais parte do corpo. A Polícia Militar informou que analisará o caso. Já a Polícia Civil analisará as imagens das agressões cometidas por policiais militares contra os trabalhadores portuários. PM explica ações executadas na região O Comando de Policiamento do Interior (CPI-6) enviou nota oficial esclarecendo a ofensiva realizada nesta sexta-feira. “Hoje, 28, por conta das paralisações e manifestações em todo o país, a Polícia Militar na região da Baixada Santista e Vale do Ribeira atuou para garantir a ordem pública e segurança da população. Em alguns pontos foi possível negociar e liberar as vias para garantir o direito constitucional de transitar das pessoas. Em outros, foi necessário o emprego de medidas para cessar atos de violência com o uso moderado da força, e detenção de pessoas por seus atos criminosos, o que resultou em 9 pessoas detidas: - 5 por enfrentar com agressões por ataque de pedras e paus, contra a integridade dos policiais militares e das pessoas que passavam pelos locais; e - 4 pessoas por cortarem mangueiras de ar dos caminhões, para que ficassem imobilizados nos logradouros. De todas as manifestações públicas havidas na região, as de destaque em intervenções e detenções, temos: Na confluência da Rodovia Cônego Domenico Rangoni com a Avenida 9 de Abril, em Cubatão, a Polícia Militar negociou a liberação das pistas para às 6h40, mas, com a quebra do negociado, a Polícia Militar interveio às 6h50 e liberou as vias, sob pedradas dos manifestantes, sendo necessário o emprego de munição de efeito moral (luz e som); A divisa entre Santos e São Vicente, na avenida da praia, foi liberada por meio de negociação; Próximo ao meio-dia, no Centro de Santos, Praça Mauá, em frente ao Paço Municipal, houve concentração de manifestantes, onde houve violência destes contra a Polícia Militar, sendo necessárias ações para cessarem os atos de violência, ataques de pedras, com o uso de munições de efeito moral, identificação e prisão dos infratores que estavam em meio à turba. Um cavalo e um cão da Polícia Militar ficaram feridos. Tanto na Avenida Nossa Senhora de Fátima como no cais do Porto, local conhecido como Praça da Fome, indivíduos foram contidos e detidos por cortarem as mangueiras de ar dos caminhões, provocando a imobilização destes veículos nas vias. No período da tarde, um ônibus foi incendiado em São Vicente, no bairro Sambaiatuba, e, do que foi apurado, ser ação de vandalismo, sem relação exata com as manifestações de hoje. A Polícia Militar não tem o cômputo do número de pessoas manifestantes na região”.
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Sistema S garante sindicatos patronais; e os sindicatos dos trabalhadores? como vão manter suas estruturas e defender direitos?
Entidades patronais que apoiaram o fim da contribuição sindical obrigatória, previsto pela reforma trabalhista em discussão no Congresso, têm condições de abrir mão do imposto porque ele representa uma fatia muito pequena dos recursos que as sustentam —ao contrário do que ocorre com a maioria dos sindicatos de trabalhadores. No ano passado, o imposto sindical respondeu por apenas 11% do orçamento de R$ 164 milhões administrado pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), segundo balanço da entidade obtido pela Folha. O imposto sindical é cobrado compulsoriamente de trabalhadores e empresas para ser repassado a sindicatos, federações e confederações que representam patrões e empregados. No caso das empresas, o valor da cobrança depende do capital social. Na semana passada, a Fiesp publicou anúncio nos jornais dizendo que abriria mão do imposto sindical para ser "coerente em sua luta por menos impostos". A entidade é presidida por Paulo Skaf, aliado do presidente Michel Temer que concorreu ao governo do Estado de São Paulo pelo PMDB nas eleições de 2014. No mesmo dia, a Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) divulgou nota apoiando o fim do imposto sindical. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) já havia se posicionado assim semanas atrás. As entidades patronais, no entanto, contam com uma fonte muito mais vultosa de recursos do que o imposto: taxas previstas em contratos firmados para gerir o sistema S (Sesi, Senai, Sesc etc.). Na Fiesp, essa taxa levou ao repasse de R$ 100 milhões no ano passado, o equivalente a 60% do orçamento da federação. As empresas recolhem mensalmente entre 0,2% e 2,5% da folha de salários para o sistema S, cujo objetivo é promover a qualificação e garantir o lazer dos trabalhadores. No ano passado, o sistema S arrecadou R$ 16 bilhões. SEM TRANSPARÊNCIA Repasses do Sesi e do Senai também representam a maior parte do orçamento da CNI e das outras federações estaduais da indústria. A Firjan informou que o dinheiro do Sesi e do Senai cobrirá 72% do orçamento de R$ 45,7 milhões previsto para este ano. Mas há pouca transparência. Na quinta-feira (27), a Folha procurou Fiesp, Firjan e CNI solicitando seus balanços. A CNI não respondeu e a Fiesp enviou apenas um quadro com a previsão para 2017. O balanço completo da federação paulista no ano passado foi obtido pela reportagem com representantes de sindicatos que receberam o documento para aprovação das contas. Nenhum representante das entidades quis dar entrevista sobre o assunto. Na semana passada, Horácio Lafer Piva, ex-presidente da Fiesp e conselheiro da Klabin, Pedro Passos, conselheiro da Natura e ex-presidente do Iedi, e Pedro Wongtschowski, atual presidente do Iedi e conselheiro do grupo Ultra, publicaram um artigo na Folha pedindo mudanças na representação patronal. Para os três empresários, as federações estaduais deveriam ser sustentadas apenas com contribuições voluntárias para serem forçadas a prestar serviços de qualidade. No artigo, eles dizem que as entidades não são presididas por "industriais de verdade" e que suas "direções se eternizam" com mudanças estatutárias. "Essas instituições deveriam ser obrigadas a explicitar à sociedade o uso de seus recursos", escreveram. Aliados de Skaf, que preside a Fiesp desde 2004, rebateram o artigo sob condição de anonimato. Eles dizem que, se todas as contribuições fossem voluntárias, prevaleceria nas entidades a defesa das grandes empresas, que dispõem de mais recursos.
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Sindicalistas alertam: “Próximo passo é ocupar Brasília”
Centrais atacam reformas previdenciária, trabalhista e terceirização; em carta, entidades afirmam que haverá “uma reação ainda mais forte” As 6 maiores centrais sindicais do país (CUT, UGT, CTB, Força Sindical, CSB e Nova Central) elaboraram uma carta conjunta com ataques às reformas propostas por Michel Temer. O documento convoca os trabalhadores a “ocupar Brasília para pressionar o governo e o Congresso a reverem seus planos de ataques aos sagrados direitos da classe trabalhadora”. A carta será lida hoje (1º.mai.2017) em atos realizados pelas centrais sindicais em comemoração ao Dia do Trabalho. “Com nossa capacidade de organização, demos um recado contundente ao governo Temer e ao Congresso Nacional: Exigimos que as propostas nefastas que tramitam em Brasília sejam retiradas. Não aceitamos perder nossos direitos previdenciários e trabalhistas”, diz o documento. Fortalecidos pela mobilização que paralisou as maiores capitais do país na última 6ª feira (28.abr.2017), os sindicalistas organizam uma reação ainda mais forte caso os pedidos não sejam atendidos. Leia abaixo a íntegra da carta. 1º DE MAIO DE 2017 A GREVE DE 28 DE ABRIL CONTINUA O dia 28 de abril de 2017 entrará para a história do povo brasileiro como o dia em que a maioria esmagadora dos trabalhadores disse NÃO à PEC 287, que destrói o direito à aposentadoria, NÃO ao PL 6787, que rasga a CLT e NÃO à lei 4302, que permite a terceirização de todas as atividades de uma empresa! Sob a palavra de ordem “Em 28 de abril vamos parar o Brasil” todas as centrais sindicais e suas bases se mobilizaram, de norte a sul do país, impulsionando uma imensa paralisação das atividades e grandes manifestações de protesto. Trabalhadores dos transportes urbanos, das fábricas, comércio, da construção civil, prestadores de serviços, escolas, órgãos públicos, bancos, portos e outros setores da economia cruzaram os braços. E este ato contou com o apoio dos movimentos sociais, como a UNE, de entidades da sociedade civil como a CNBB, a OAB, o Ministério Público do Trabalho, associações de magistrados e advogados trabalhistas, com o apoio dos nossos companheiros do movimento sindical internacional, e contou também com uma enorme simpatia popular. Com nossa capacidade de organização, demos um recado contundente ao governo Temer e ao Congresso Nacional: Exigimos que as propostas nefastas que tramitam em Brasília sejam retiradas. Não aceitamos perder nossos direitos previdenciários e trabalhistas. Nos atos de todas as centrais sindicais pelo país neste 1º de Maio de 2017, dia do trabalhador, reafirmamos nosso compromisso de unidade para derrotar as propostas de reforma da previdência, da reforma trabalhista e da lei que permite a terceirização ilimitada. O próximo passo é Ocupar Brasília para pressionar o governo e o Congresso a reverem seus planos de ataques aos sagrados direitos da classe trabalhadora. Sobre essa base, as centrais sindicais estão abertas, como sempre estiveram, ao diálogo. Se isso não for suficiente assumimos, neste 1º de Maio, o compromisso de organizar uma reação ainda mais forte.
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700 mil comparecem ao 1º de Maio da Força Sindical
O 1º de Maio da Força Sindical, que neste ano completa sua 20ª edição, reuniu cerca de 700 mil trabalhadores na Praça Campo de Bagatelle, na Zona Norte de São Paulo. Como nos anos anteriores, o Dia Trabalhador da Central, além dos shows grandiosos com artistas consagrados e o sorteio de prêmios, está sendo um dia para a reflexão e em defesa das bandeiras de luta da classe trabalhadora. E não poderia, de forma alguma, ser diferente, principalmente neste ano em que o governo, articulado com parlamentares da base governista e com a desculpa esfarrapada de sanar os cofres públicos e criar empregos, almeja levar adiante suas propostas obscenas de reformas da Previdência e trabalhista, que ceifam direitos históricos dos trabalhadores. Neste Dia do Trabalhador da nossa Central, as propostas de reformas do governo foram pautas constantes dos discursos de dirigentes sindicais e autoridades presentes ao evento. E a intensificação da luta com novos “Dias Nacionais de Paralisações, Atos e Greves”, uma realidade cada vez mais próxima. Na próxima 4ª feira, dia 3, segundo o presidente da Força Sindical e deputado federal Paulo Pereira da Silva (Paulinho da Força), “haverá uma reunião entre as centrais sindicais para, em conjunto, fecharmos um calendário de mobilizações contra as propostas indecorosas do governo”. No Ato Político do 1º de Maio da Força, dirigentes sindicais das mais variadas categorias, e autoridades, deram seus recados a trabalhadores, governo e parlamentares de que não aceitaremos, em hipótese alguma, a retirada de direitos duramente conquistados ao longo dos anos. José Luiz Ribeiro, secretário estadual de Trabalho e Emprego, criticou as propostas do governo dizendo que, “os trabalhadores querem trabalhar e ajudar o Brasil a vencer a crise. Mas não tem empregos. Um absurdo!”. Para Pereira, presidente dos Metalúrgicos de Guarulhos, “Nosso País precisa da juventude, e a juventude precisa do nosso País. Por isto nossos jovens não podem parar de lutar”. Elza Costa, tesoureira dos Metalúrgicos de São Paulo, enalteceu os vinte anos do 1º de Maio da Força e conclamou a que todos mandassem um sonoro ‘NÃO!’ às propostas de reformas do governo. Para Luiz Arraes, dos Frentistas de São Paulo, “infelizmente não temos muito o que comemorar. Estamos aqui porque estão querendo saquear os nossos direitos”. Maria Auxiliadora, presidente do Sindicato dos Brinquedos, frisou que “estão tirando os direitos dos trabalhadores, principalmente das mulheres”. Paulo Ferrari, de Edifícios e Condomínios, parabenizou a todos pelos atos do dia 28 e garantiu que “vamos lutar para que a CLT não seja rasgada”. Segundo Serginho, presidente da Federação dos Químicos, “é um engodo dizer que acabar com direitos vai gerar empregos”. Já Neusa Barbosa, diretora da Federação da Alimentação-SP, entende que “é pura encenação, mentira, essa coisa de reformas e precarização de direitos”. João Inocentini, presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos, deixou um recado para a juventude: “Eu tive um sonho, o da aposentadoria. Agora, o governo quer acabar com o sonho de vocês”. Eunice Cabral, do Sindicato das Costureiras, disse estar “indignada em virtude de um prefeito, recentemente eleito, chamar os trabalhadores de vagabundos”. Ramalho, presidente do Sindicato da Construção Civil e deputado estadual, disse não querer repetir o que já foi dito, apesar de concordar com tudo, e disse estar “chateado com um prefeito, que ajudei a eleger, que veio ano passado aqui no 1º de Maio apenas para pedir voto e fazer demagogia”. Danilo Pereira, presidente da Força-SP, garantiu que, se as propostas do governo forem aprovadas como estão, “quem está desempregado não vai conseguir emprego tão cedo, e quem está prestes a se aposentar, não terá uma aposentadoria digna”. Segundo Luiz Antonio de Medeiros, ex-presidente e fundador da Força Sindical, “os parlamentares foram convidados para o 1º de Maio da Força, mas só três compareceram. Os demais fugiram”. Miguel Torres, presidente dos Metalúrgicos de São Paulo, mostrou-se contrário a “um governo que prometeu retomar o desenvolvimento do País e deu no que deu, e que garantiu que seria democrático mas mostra-se arbitrário”. João Carlos Gonçalves, Juruna, secretário-geral da Força Sindical, leu um documento assinado pelos presidentes de todas as centrais garantindo que o Dia 28 de Abril, de Paralisações, Atos e Greves deverá repetir-se, brevemente, em nova(s) data(s). O presidente da Força Sindical e deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, destacou a importância de nos mantermos unidos e mobilizados em defesa dos direitos dos trabalhadores e contra as propostas das reformas previdenciária e trabalhista apresentadas pelo governo. “As propostas, se aprovadas como estão, trarão prejuízos incalculáveis aos trabalhadores de hoje e do amanhã. E não podemos permitir que isto aconteça. Por isto nossa luta tem de ser intensificada, e cada dia com mais gente pressionando e cobrando atitudes do governo e dos parlamentares que compactuaram com as pretensões desse governo. Na próxima 4ª feira as centrais devem estar reunidas para decidir uma agenda de lutas e paralisações em nível nacional. Em seguida, os três deputados presentes ao 1ª de Maio da Força Sindical deram seus depoimentos: Orlando Silva (PCdoB): “Conclamo a população a jogar um retumbante NÃO, como foi no dia 28, nos ouvidos daqueles que querem suprimir direitos dos trabalhadores”; Roberto Lucena (PV): “O Brasil está vivendo uma encruzilhada. Cabe a nós colocá-lo no rumo certo”; Major Olímpio (Solidariedade): “Esta luta não é só dos sindicatos, do Paulinho e de uns outros poucos. A luta é de todo o povo brasileiro”. Durante o ato, o público que passou pelo evento pode tirar dúvidas sobre a reforma da Previdência que o governo pretende fazer em uma tenda montada ao lado do palco.
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Atos de 1º de Maio ecoam ‘Fora Temer’ e repúdio a reformas
Em São Paulo, atos e marcha da CUT, CTB e Intersindical reúnem 200 mil pessoas. Os atos de 1º de Maio tornaram-se manifestações de repúdio ao governo Temer, com mais intensidade no protesto convocado pela CUT, CTB e Intersindical em São Paulo, com presença das frentes Brasil Popular e Povo sem Medo. Mesmo com dificuldades com o poder público municipal, os organizadores estimaram em 200 mil o número de participantes, entre a Avenida Paulista, onde o ato começou, e a Rua da Consolação, por onde seguiu uma passeata no final da tarde até chegar à Praça da República, na região central, palco de apresentações musicais, que prosseguiram até a noite. Sindicalistas e ativistas responderam ao governo Temer, que teve alguns porta-vozes falando em "fracasso" da Greve Geral da última sexta-feira. "Fracasso é o seu Temer, é o golpe que ele deu e já está indo por água abaixo", reagiu o coordenador da Frente Povo Sem Medo e do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos. "Com mais de 90% de rejeição, (o governo) quer aprovar reformas infames." Durante a manifestação, ele afirmou que a greve de sexta tem três presos políticos, acusados de agir contra a ordem pública. "Foram presos com acusações absurdas, sem nenhuma prova. Ordem pública é o povo com casa, é trabalhador com direito. Nós é que defendemos ordem pública", disse Boulos. Em referência a uma das acusações contra os militantes – provocar incêndio –, ele respondeu: "Se acham que vão nos intimidar, estão enganados. Agora é que vão ver o que é incêndio". A presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral, condenou a violência policial e citou a agressão ao estudante ante Mateus Ferreira da Silva, da Universidade Federal de Goiás (UFG), integrante do Centro Acadêmico, sexta-feira, em Goiânia. "Ele foi barbaramente espancado e gravemente ferido", lembrou Carina. "Nós lutamos pelo futuro do Mateus e pelo direito de lutar." E a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Juvandia Moreira, destacou, além desses dois episódios, a invasão ocorrida à sede da entidade, na noite de sexta. Defensor do impeachment de Dilma Rousseff, o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical e do Solidariedade, também falou em novas paralisações contra as reformas. "Se o governo não entendeu, vai ter mais", afirmou durante a festa da central, na praça Campo de Bagatelle, zona norte da capital paulista. O ato da CSB, no Sambódromo, também na região norte, teve mais críticas ao presidente Temer. "Essa reforma trabalhista vai acabar com os direitos históricos dos trabalhadores, com a Justiça do Trabalho e com o Ministério Público", disse o presidente da central, Antonio Neto. A entidade estimou em 50 mil o número de presentes. Já a Força falou em 700 mil. O ato de CUT, CTB e Intersindical ocorreu em clima tranquilo, mas teve alguns incidentes. Pela manhã, os sindicalistas não puderam estacionar o carro de som diante do vão livre do Masp, como previsto. Tiveram de parar alguns quarteirões adiante, na esquina da Paulista com a Rua Haddock Lobo, perto de um prédio residencial, o que provocou reclamações dos moradores. "Eu disse ao síndico que isso é culpa do Doria (o prefeito João Doria, do PSDB), não é culpa nossa", afirmou o presidente da CUT, Vagner Freitas. Durante a manifestação, o prefeito foi várias vezes "lembrado" nos discursos. Outro incidente ocorreu já na passeata pela Rua da Consolação, após os manifestantes deixarem a Paulista, rumo à Praça da República. No início do percurso, a Polícia Militar impediu o acesso de um caminhão de som. Sindicalistas tentaram negociar, chegaram a anunciar um acordo, mas depois informaram que a PM "confiscou" as chaves do veículo, que permaneceu parado, enquanto a marcha continuou. Mais adiante, uma senhora em um prédio provocou manifestantes com um "pixuleco" do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e foi vaiada. Por outro lado, crianças em uma ocupação gritavam "queremos moradia" e "Fora Temer". Mídia Vagner destacou a importância do movimento de sexta-feira contra as reformas e o papel da imprensa. "A Greve Geral foi pauta no mundo inteiro, em toda a mídia mundial E a mídia golpista escondeu. Precisamos imediatamente voltar a ter democracia no Brasil e fazer o marco regulatório dos meios de comunicação. Acho que a Greve Geral foi a gota d´água." Segundo ele, a paralisação mostrou apoio popular e reprovação da sociedade contra as "reformas" da Previdência e trabalhista. "Estamos na ofensiva e temos de continuar. Vamos ocupar Brasília integralmente e não permitir que haja votação de retirada de direitos." Na próxima quinta-feira, representantes de todas as centrais e de movimentos sociais vão se reunir para discutir os próximos passos. Mas amanhã uma comitiva de sindicalistas vai a Brasília conversar com o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), e com a bancada do partido, para articular a resistência na Casa, para onde seguiu o substitutivo de mudança da legislação trabalhista. Os discursos também defenderam a antecipação das eleições gerais de 2018 para este ano. "Nada funciona no Brasil porque não há credibilidade", disse o presidente da CUT. O vice do PCdoB, Walter Sorretino, propôs a formação de uma "grande frente ampla para defender a democracia". "Esse governo usurpador colocou o país num grande impasse", afirmou. "Além de retirar direitos, o governo golpista vem aumento a repressão contra os movimentos sociais", acrescentou o presidente nacional do PT, Rui Falcão, também a favor a antecipação das eleições. "Em vez da PEC da Previdência, queremos a PEC das diretas." Também usaram o palco representantes do Psol, PCO e PCR. Entre os políticos presentes, estavam os deputados federais Arlindo Chinaglia, Carlos Zarattini (ambos do PT-SP) e Ivan Valente (Psol-SP), além do vereador paulistano e ex-senador Eduardo Suplicy (PT). Já na República, os shows começaram com a apresentação do grupo As Bahias e A Cozinha Mineira. "Todos juntos contra a reforma da Previdência", afirmaram, também com homenagens ao cantor e compositor Belchior, que morreu neste final de semana. Depois iriam se apresentar Leci Brandão, MC Guimê e Emicida.
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Contra as reformas trabalhista e da Previdência, CSB reúne 50 mil trabalhadores durante o 1º de Maio
Contra as reformas trabalhista e da Previdência, CSB reúne 50 mil trabalhadores durante o 1º de Maio Evento do Dia do Trabalhador aconteceu no Sambódromo, em São Paulo, e contou também com apresentações de artistas Na luta contra as reformas trabalhista e da Previdência Social, o 1º de maio da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) reuniu milhares de trabalhadores e representantes de mais de 300 sindicatos no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo. Segundo os controles de acesso do Anhembi, 50 mil pessoas passaram pelo evento durante toda esta segunda-feira – um excelente público já na primeira edição do 1º de Maio da CSB. A manutenção e ampliação dos direitos, a geração de empregos e o desenvolvimento econômico com justiça social foram os lemas da festa do Dia do Trabalhador. Durante o evento, a Greve Geral do dia 28 de abril, os prejuízos iminentes do Projeto de Lei (PL) 6787, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287 e a importância da organização da classe trabalhadora pelo movimento sindical foram destacados pelas autoridades políticas, pelos juristas e sindicalistas presentes. De acordo com o presidente da CSB, Antonio Neto, além de ser um motivo de celebração, a data é uma oportunidade de plantar a semente de consciência política para fortalecer a mobilização classista. “Essa Reforma Trabalhista vai acabar com os direitos históricos dos trabalhadores, com a Justiça do Trabalho e com o Ministério Público. Em síntese, vai gerar mais desemprego, mais miséria, mais fome, e ela não serve para o povo brasileiro. Grávidas terão de trabalhar com insalubridade. Já a Reforma da Previdência vai acabar com a aposentadoria, vai judiar das mulheres, vai judiar das crianças, do pobre, porque os ricos não precisam do INSS. Essa é a verdade; é isso que querem fazer, por isso essa festa. Juntos, unidos e organizados, vamos dar uma demonstração para esse governo que ele não pode, não deve e não vai tirar direito dos trabalhadores”, discursou Neto. O deputado Roberto de Lucena (PV/SP) também ressaltou que “a culpa” do atual quadro econômico do País é “da corrupção, da má gestão”. Para o parlamentar, é preciso “virar a página da roubalheira no Brasil”. “A grande mensagem é a mensagem da esperança. Eu acredito que estamos fazendo a transição para um Brasil melhor. O que nós estamos vivendo hoje, com 14 milhões de desempregados, não é culpa de vocês, não é culpa dos trabalhadores”, reforçou Lucena, ratificado pelo procurador do Ministério Público do Trabalho, Francisco Gérson: “Companheiros, este 1º de maio é mais um dia de luta contra qualquer retrocesso. Sexta-feira foi dado um recado sobre o que é a reforma trabalhista e a previdenciária”. Presente na festa, o secretário do Trabalho e Empreendedorismo do município de São Paulo, Eliseu Gabriel, relacionou a relevância da mobilização sindical ao exercício efetivo da democracia. Para Gabriel, “é muito importante que as centrais sindicais sejam fortes, que os sindicatos sejam fortes, porque a democracia depende muito de forças, e a força dos sindicatos e das centrais é fundamental” – posicionamento corroborado pela CSB, que vê o 1º de maio como uma marca da inquestionável capacidade de organização dos trabalhadores brasileiros. “Como vocês puderam acompanhar durante esta semana, foi votada no Congresso a reforma que corta os direitos dos trabalhadores com a justificativa de que ela servirá para gerar empregos, mas o movimento sindical não permitirá este retrocesso. Nós queremos uma discussão mais ampla. E hoje é o dia de mostrar para os parlamentares que os trabalhadores unidos não deixarão as reformas passarem”, disse o vice-presidente da Central, José Avelino Pereira (Chinelo), ao lado do secretário-Geral da CSB, Alvaro Egea. No palco, Egea conclamou o público a continuar a mobilização iniciada na Greve Geral. “No dia 28 de abril, São Paulo e o Brasil deram seu recado. Nós, trabalhadores, não aceitamos essa retirada de direitos, que veio para restabelecer a escravidão dos trabalhadores, para retirar o direito à aposentadoria. Se não escutarem os trabalhadores, nós vamos ter de ir para Brasília e fazer outra Greve Geral para que possamos ser ouvidos e para que essa escravidão não predomine”, concluiu o dirigente. Shows Além do ato político, shows das duplas Bruno e Marrone, Zezé Di Camargo e Luciano, Maiara e Maraísa, Thaeme e Thiago, Jads e Jadson, João Bosco e Vinícius, Simone e Simaria e dos sertanejos Michel Teló e Lucas Lucco também agitaram a festa da CSB, que ainda contou com a presença de caravanas de todo o estado de São Paulo. Veja abaixo declarações de outros sindicalistas que discursaram no evento: Cosme Nogueira, secretário de Formação Sindical “Nós queremos geração de empregos para vocês que são jovens, respeito para os aposentados, saúde com dignidade, educação com qualidade, salários dignos para os servidores públicos”. Itamar Kunert, secretário de Organização e Mobilização “Meu povo de São Paulo, meu povo do Brasil, você fazem a nossa alegria. Nós precisamos desse País e só nós podemos mudá-lo. Não à reforma trabalhista e previdenciária. Assim nós vamos trabalhar daqui para frente lá no Congresso”. Juvenal Pedro Cim, secretário de Finanças “Companheiros e companheiras, o 1º de maio nasceu como símbolo de luta e reivindicação em Chicago. Há 131 anos, os trabalhadores lutaram pela redução da jornada de trabalho. Esta data é uma representação de lutas. Essa proposta do governo apenas reduz os direitos dos trabalhadores. Nós temos que lutar pelos nossos direitos e pela defesa do trabalhador por meio do sindicato”. Antonieta de Faria, secretária da Mulher Trabalhadora “Nós queremos preservar os nossos direitos. Essas reformas foram feitas por alguém que é filho de chocadeira. Os trabalhadores são o principal alvo destas reformas machistas que atacam as mulheres e ferem os nossos direitos”. Maria Bárbara da Costa, secretária de Saúde “Ontem foi o Dia Nacional da Mulher Brasileira. A CSB quer isso: desenvolvimento, emprego e justifica social. Nós, os próprios trabalhadores, sindicalistas, não podemos aceitar essas reformas. Tudo que está aí é só retrocesso, e não queremos nenhum direito a menos. A corda estourou para o lado mais fraco. O povo tem a força e precisa decidir, nós não precisamos mais de reforma aqui”. Pedro Petrere, 1º secretário dos Profissionais Liberais “Todos nós podemos reagir contra a reforma da Previdência. Basta a gente se unir conscientizar os nossos vizinhos, os nossos familiares desse crime que são as propostas das reformas trabalhista e da Previdência. Temos que lutar juntos contra esses desmandos do governo. Mobilizem-se”.
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Centrais sindicais assinam documento unitário contra reformas que retiram direitos, confira
Neste 1º de maio, as centrais sindicais elaboraram um documento em unidade repudiando as reformas da Previdência e trabalhista e o projeto de terceirização aprovado, recentemente, pelo Congresso Nacional e sancionado pelo presidente Michel Temer. Os sindicalistas ressaltaram a importância do ato realizado no último dia 28 de abril que "entrará para a história do povo brasileiro como o dia em que a maioria esmagadora dos trabalhadores disse NÃO à PEC 287, que destrói o direito à aposentadoria, NÃO ao PL 6787, que rasga a CLT e NÃO à lei 4302, que permite a terceirização de todas as atividades de uma empresa." Os sindicalistas destacam no texto a expressiva participação de inúmeras categorias nos atos realizados de norte a sul do país, além do apoio dos movimentos sociais, como a UNE, de entidades da sociedade civil como a CNBB, a OAB, o Ministério Público do Trabalho, associações de magistrados e advogados trabalhistas, com o apoio dos nossos companheiros do movimento sindical internacional, e contou também com uma enorme simpatia popular. No documento, os sindicalistas exigem a retirada das propostas da pauta do Congresso Nacional por considerarem nefatas aos trabalhadores brasileiros. "Não aceitamos perder nossos direitos previdenciários e trabalhistas. Nos atos de todas as centrais sindicais pelo país neste 1º de Maio de 2017, dia do trabalhador, reafirmamos nosso compromisso de unidade para derrotar as propostas de reforma da previdência, da reforma trabalhista e da lei que permite a terceirização ilimitada." E finalizam o documento alertando que "o próximo passo é Ocupar Brasília para pressionar o governo e o Congresso a reverem seus planos de ataques aos sagrados direitos da classe trabalhadora. Sobre essa base, as centrais sindicais estão abertas, como sempre estiveram, ao diálogo". Confira a íntegra do documento: "1º DE MAIO DE 2017 A GREVE DE 28 DE ABRIL CONTINUA O dia 28 de abril de 2017 entrará para a história do povo brasileiro como o dia em que a maioria esmagadora dos trabalhadores disse NÃO à PEC 287, que destrói o direito à aposentadoria, NÃO ao PL 6787, que rasga a CLT e NÃO à lei 4302, que permite a terceirização de todas as atividades de uma empresa! Sob a palavra de ordem “Em 28 de abril vamos parar o Brasil” todas as centrais sindicais e suas bases se mobilizaram, de norte a sul do país, impulsionando uma imensa paralisação das atividades e grandes manifestações de protesto. Trabalhadores dos transportes urbanos, das fábricas, comércio, da construção civil, prestadores de serviços, escolas, órgãos públicos, bancos, portos e outros setores da economia cruzaram os braços. E este ato contou com o apoio dos movimentos sociais, como a UNE, de entidades da sociedade civil como a CNBB, a OAB, o Ministério Público do Trabalho, associações de magistrados e advogados trabalhistas, com o apoio dos nossos companheiros do movimento sindical internacional, e contou também com uma enorme simpatia popular. Com nossa capacidade de organização, demos um recado contundente ao governo Temer e ao Congresso Nacional: Exigimos que as propostas nefastas que tramitam em Brasília sejam retiradas. Não aceitamos perder nossos direitos previdenciários e trabalhistas. Nos atos de todas as centrais sindicais pelo país neste 1º de Maio de 2017, dia do trabalhador, reafirmamos nosso compromisso de unidade para derrotar as propostas de reforma da previdência, da reforma trabalhista e da lei que permite a terceirização ilimitada. O próximo passo é Ocupar Brasília para pressionar o governo e o Congresso a reverem seus planos de ataques aos sagrados direitos da classe trabalhadora. Sobre essa base, as centrais sindicais estão abertas, como sempre estiveram, ao diálogo. Se isso não for suficiente assumimos, neste 1º de Maio, o compromisso de organizar uma reação ainda mais forte. VIVA A LUTA DA CLASSE TRABALHADORA! VIVA O 1º DE MAIO! ABAIXO AS PROPOSTAS DE REFORMAS TRABALHISTA E DA PREVIDÊNCIA! NENHUM DIREITO A MENOS! Assinam os presidentes das centrais sindicais Antônio Neto, da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) Adilson Araújo, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) Wagner Freitas, da Central Única dos Trabalhadores (CUT) Paulo Pereira da Silva, Paulinho, da Força Sindical José Calixto Ramos, da Nova Central (NCST) Ricardo Patah, da União Geral dos Trabalhadores (UGT) 
Sociedade Trabalho
Ombudsman detona na Folha: “Na sexta feira(28) o bom jornalismo aderiu à greve geral. Não compareceu para trabalhar”;...
A imprensa e a greve geral Paula Cesarino Costa Assim como a de milhões de brasileiros, minha rotina diária foi alterada pela greve geral da sexta-feira, 28. Lojas de que precisei estavam fechadas; no supermercado, o gerente disse que apenas um terço dos funcionários comparecera; a experiência nos aeroportos de amigos e familiares que viajaram foi sofrida, apesar de a Folha ter dito que os aeroportos funcionaram normalmente. Pode não ter sido um caos, mas normal não foi. De modo geral, esse foi o problema da cobertura da greve geral convocada contra as reformas da Previdência e das leis trabalhistas. Focou a alteração da rotina das cidades, de modo previsível, sem inventividade nem relatos ricos. Em suma, os jornais se concentraram no impacto sobre as árvores e deixaram de abordar a situação da floresta. A velha imagem é eficiente por condensar a mensagem de modo tão claro. Um parágrafo do editorial da Folha trazia o resumo do que pretendo dizer quando cobro abordagem mais ampla: "Em nenhum país do mundo, propostas de redução de direitos relativos à aposentadoria contarão com apoio popular. Governantes, em geral, só as apresentam quando as finanças públicas já estão em trajetória insustentável. Este é, sem dúvida, o caso do Brasil". Essa é a visão da floresta que deveria ser discutida nos jornais. É preciso acrescentar que a discussão sobre a reforma trabalhista é também uma discussão sobre perda de direitos, contraposta à possibilidade de dinamização e crescimento do mercado do trabalho –promessa de comprovação difícil. Esses são os dois lados da moeda. Pode-se até afirmar que essa discussão está presente no jornal. Não com a clareza do dilema exposto pelo editorial da Folha: está em jogo a perda de direitos em nome do ajuste fiscal. Jornais estrangeiros assim enquadraram a manifestação. A imprensa brasileira abriu mão da discussão sobre a floresta. A greve geral convocada por centrais sindicais e movimentos de esquerda mostrou que a mídia precisa se qualificar para esse tipo de cobertura, complexa e de altíssimo interesse do público leitor. Quase em uníssono, os três principais jornais destacaram nas manchetes de suas edições impressas o efeito no transporte e a violência com que terminaram manifestações em São Paulo e no Rio. Será que o vandalismo em pontos isolados do Rio e de São Paulo era notícia a destacar em enunciado de manchete, se a própria Folha escreveu que a calmaria reinou durante quase todo o dia? Por que valorizar as cenas de confronto, em vez de imagens que pudessem, por exemplo, mostrar o que diziam as faixas levadas às manifestações. A greve paralisou, segundo o noticiário da Folha, parcialmente as atividades nas principais capitais do país e em ao menos 130 municípios, em todos os Estados e no Distrito Federal. Os organizadores classificam como a maior greve da história do país: cerca de 40 milhões paralisaram suas atividades. Não há reportagem ou quadro na edição que diga qual era exatamente o objetivo da greve ou, se fosse o caso, a análise de seu impacto nos objetivos do movimento. Há dois pontos básicos a que o jornal, na minha avaliação deveria ter respondido: Qual foi o tamanho da paralisação? Era preciso encontrar parâmetros que permitissem ao leitor entender o que foi o movimento de agora em comparação com convocações anteriores. Quais as possíveis consequências da greve? Terá algum efeito em seu objetivo principal de parar a tramitação das reformas trabalhista e da Previdência, obrigando Executivo e Legislativo a negociar com a sociedade e os sindicatos? Eram desafios difíceis, mas a imprensa não conseguiu nem chegar perto de enfrentá-los. À exceção dos colunistas André Singer e Demétrio Magnoli, não houve tentativa de interpretação do que aconteceu. Cientistas políticos, sociólogos e analistas não estão nas páginas da Folha ajudando a entender o que aconteceu e o que pode vir a acontecer. Deputados e senadores não se manifestaram de forma a sinalizar se o protesto pode vir a ter algum efeito objetivo nos projetos em discussão. Apenas o governo federal fala, expressando a óbvia e obrigatória avaliação de que adesão foi pequena, fracassou. Ainda há muito a aprender e a ser desenvolvido em cobertura de casos dessa magnitude. Na sexta-feira, o bom jornalismo aderiu à greve geral. Não compareceu para trabalhar. Publicado na Folha de São Paulo em 30/04/2017 Paula Cesarino Costa  é jornalista e cumpre mandato de Ombudsman na Folha de São Paulo
Polí­tica Trabalho
Luta de classe, por André Singer; artigo
Ao assistir, quarta (26), à votação da reforma antitrabalhista, ocorreu-me frase atribuída ao bilionário Warren Buffett. Em tradução livre, a sentença do investidor seria a seguinte: "Existe, sim, guerra de classe, mas é a minha classe, a classe dos ricos, que está fazendo guerra, e estamos ganhando". O ditado me voltou porque o debate que explodia no plenário fora pautada cinco anos atrás pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O documento intitulado "101 propostas para a modernização trabalhista", para o qual chamei a atenção aqui à época, antecipava o duelo atual. Ali se dissolvia a coalização produtivista (industriais + sindicatos). Incrédulo quanto ao que parecia uma lenda urbana, consultei a internet. De fato, a citação do segundo homem da lista da Forbes aparecera em reportagem do jornal "The New York Times" no dia 26 de novembro de 2006. Incrível, mas verdadeira, portanto. Depois, voltei aos deputados que protagonizavam o mais explícito confronto classista de que me lembro em âmbito congressual no Brasil, por iniciativa da direita, seguindo a previsão buffettiana. Em reação, verificou-se a maior unidade popular de que tenho notícia. Líderes de partidos oposicionistas usavam os microfones para afirmar que, por trás da derrocada da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), estavam 200 parlamentares empresários, filiados às agremiações governistas. O PT lembrou-se, em uníssono, de onde vem o T da sua sigla. Cada um dos membros da bancada fazia questão de declarar, orgulhoso, o voto contrário ao esbulho da legislação. PSOL, PDT, Rede, PMN, Solidariedade, PSB, enfim, legendas que têm algum vínculo com o mundo do trabalho, brandiam vistosos cartazes com uma carteira de trabalho rasgada. Um parlamentar do PC do B, ele mesmo operário metalúrgico, chegou a vestir um macacão para protestar contra a retirada de antigos direitos dos trabalhadores. No final de contas, contudo, 296 representantes do povo votaram a favor do emprego sem horário fixo e para que não haja obrigatoriedade de pagamento pelo piso da categoria ou pelo salário mínimo na remuneração por produção, entre muitos outros retrocessos. Da outra parte, 177 se manifestaram contra as propostas patronais. Ficara claro de que lado estava, naquela noite, a maioria da Câmara. A resposta veio na sexta (28). Na que talvez tenha sido a maior paralisação nacional desde os anos 1980, se não me falha de novo a lembrança, a base da sociedade mostrou que começa a reagir. Agora, precisamos preservar a democracia para que, mesmo de maneira lenta e paulatina, seja possível construir uma representação majoritária capaz de reverter a batalha histórica perdida nesta semana. André Singer é  cientista político e professor da USP, onde se formou em ciências sociais e jornalismo. Publicado na Folha de São Paulo, 29/04/2017