Arquivos Polí­tica - Página 3 de 134 - BR2pontos
Menu
Polí­tica
Polí­tica
Chegando a hora de Maluf: 1ª Turma condena a 7 anos, 9 meses e 10 dias, mas cabe...
A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou nesta terça-feira o deputado federal e ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf (PP), a sete anos, nove meses e dez dias de prisão, em regime fechado, mais multa, pelo crime de lavagem de dinheiro. Pelo entendimento unânime do colegiado, em casos de condenação a regime fechado, o político deve também perder o mandato parlamentar, cabendo a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados apenas confirmar a decisão. No julgamento, a 1ª Turma determinou ainda a interdição de Maluf para o exercício de cargo e função pública de qualquer natureza pelo dobro da pena privativa de liberdade. O político ainda pode recorrer no próprio Supremo. Na dosimetria da pena, o relator Edson Fachin afirmou que o juízo de reprovação contra Paulo Maluf é “particularmente intenso” e disse que a sanção contra o parlamentar deve considerar que o réu é deputado, que os ilícitos foram caracterizados pela “habitualidade” e “prática usual pelo acusado”. Para o relator, a lavagem ocorreu em contexto de múltiplas transações financeiras e de transnacionalidade. O STF concluiu nesta terça-feira julgamento da ação penal em que o deputado federal Paulo Maluf é acusado de crimes de lavagem de dinheiro a partir de recursos de corrupção nas obras da Avenida Água Espraiada. As acusações contra Maluf envolviam desvio de dinheiro por meio de cobrança de propinas em obras públicas e a remessa de valores ao exterior por meio de doleiros. Segundo o Ministério Público, o esquema com participação de Maluf vigorava quando o político era prefeito de São Paulo, nos anos de 1997 e 1998, embora tenha continuado com envolvimento direto dele nos anos seguintes. De acordo com a acusação, um aditamento contratual feito na obra, no ano de 1995, inseriu a construtora OAS no empreendimento, permitindo que fosse aberto caminho para o recolhimento de propina. A obra foi concluída em 2000 com custo final de 796 milhões de reais. “Essa foi a fonte primordial dos recursos utilizados na lavagem (de dinheiro)”, afirmou a procuradoria-geral da República. A acusação contra Paulo Maluf dividiu em cinco momentos o esquema de lavagem de dinheiro do político: entre os anos de 1993 e 2002 em contas correntes localizadas na Suíça; de 1997 a 2001 em contas da Inglaterra; um momento específico em março de 2001, quando Maluf, na condição de diretor da empresa Durant Internacional Corporation, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas, orientou e comandou a conversão de ativos ilícitos em recibos de ações da empresa Eucatex S.A.; um quarto momento com lavagens entre 1997 e 2006 por meio de 12 contas no paraíso fiscal das Ilha de Jersey, nas Ilhas Virgens Britânicas, e uma quinta ação em que Maluf é acusado de, no período de 29 de julho de 1997 a 30 de julho de 1998, ter convertido recursos de propina em debêntures conversíveis em ações da Eucatex. O julgamento do STF foi utilizado em boa parte para discutir se as acusações contra Maluf estavam ou não prescritas. Como o deputado tem mais de 70 anos, o prazo prescricional é reduzido pela metade, abrindo caminho para que políticos mais velhos, como o próprio ex-prefeito de São Paulo, acabem tendo chance de não serem punidos efetivamente pela justiça. Ao final, o Supremo reconheceu que não houve prescrição no quarto esquema de lavagem de dinheiro de Maluf, cujos crimes ocorreram de 1997 a 2006. Isso porque o crime de lavagem praticado na modalidade ocultação é considerado crime permanente e, por isso, o prazo de prescrição começa a contar do dia em que as autoridades brasileiras tomaram conhecimento do fato e de quando cessou a prática criminosa, e não do dia em que o crime em si foi praticado. Sobre essas acusações, a prescrição ocorreria, conforme entendeu a maioria da 1ª Turma, em 2019, ou seja, oito anos depois do recebimento da denúncia contra Paulo Maluf, ocorrido em 29 de setembro de 2011.
Polí­tica
Estrebuchando, governo não quer se ‘afastar’ das reformas
O ministro do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Dyogo Oliveira, declarou hoje (23) que o governo federal continua empenhado e trabalhando para aprovar as reformas previdenciária e trabalhista. “O Brasil não pode parar, temos que continuar mobilizados pelas reformas. Esta é a decisão do governo neste momento." O ministro fez pronunciamento durante o seminário Financiamento e Garantias para a Infraestrutura, promovido na capital paulista pela Associação Brasileira de Desenvolvimento e Indústria de Base. Ele deixou o seminário sem falar com a imprensa. “A recuperação do crescimento está em curso, precisamos continuar neste caminho. As reformas são tão importantes esta semana, quanto eram semana passada. Não podemos nos afastar delas”, disse Oliveira. O ministro destacou que o conjunto de ações implementadas pelo governo Michel Temer na área econômica está gerando resultados. “Controlamos a inflação, os juros estão caindo, houve geração de empregos e tivemos o primeiro trimestre de crescimento, depois de oito trimestres consecutivos de queda”, argumentou. As reformas, na opinião do ministro, permitirão a abertura de espaço para criação de outras despesas, como investimento em infraestrutura, tema do evento. “Hoje, não há espaço no orçamento brasileiro para isso”, disse.
Polí­tica
Arthur Maia: “Joesley destruiu calendário da Previdência”; e Temer?
O relator da reforma da Previdência, deputado Arhtur Maia, acredita que a delação de Joesley Batista destruiu o calendário de tramitação da proposta. Para ele, hoje não é possível nem mesmo garantir que o texto será votado pelo Congresso. "A minha avaliação é que, a cada dia que passa, é mais difícil, é mais complicado", disse Maia. "O que é difícil hoje será mais difícil daqui a um mês", completou. A dificuldade aumenta devido à preocupação dos parlamentares com as eleições de 2018. O relator disse que "não existe mais data" para a apresentação do texto ao plenário da Câmara porque "o Joesley destruiu tudo". O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, também confirmou que o calendário da reforma da Previdência deverá sofrer atrasos.
Polí­tica
Sob risco de derrota, Temer ouve Mariz e pede suspensão do pedido de suspensão de processo no STF
O presidente Michel Temer afirmou que aceitou receber Joesley Batista, dono da JBS, em 7 de março, porque achou que ele falaria sobre a Operação Carne Fraca, que investigava irregularidades em frigoríficos. No entanto, a operação só foi deflagrada dez dias depois, em 17 de março. A justificativa de Temer foi dada em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo", publicada nesta segunda-feira (22). A incoerência foi apontada nesta manhã pelo jornal "O Globo". Em 7 de março, Temer recebeu Joesley na calada da noite no Palácio do Jaburu, sua residência oficial. A conversa foi gravada pelo empresário e entregue recentemente à Procuradoria Geral da República. Segundo o procurador-geral Rodrigo Janot, o áudio indica a "anuência" de Temer ao pagamento de propina mensal, por Joesley, para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba pela Operação Lava Jato. Na entrevista à "Folha de S.Paulo", Temer disse: "Mas veja bem. Ele é um grande empresário. Quando tentou muitas vezes falar comigo, achei que fosse por questão da Carne Fraca. Eu disse: 'Venha quando for possível, eu atendo todo mundo'". Ainda ao jornal, Temer afirmou que "num primeiro momento" não sabia que Joesley Batista era investigado, embora a JBS tenha sido alvo de três operações recentes do Ministério Público Federal e da Polícia Federal – a Cui Bono?, a Sespis e a Greenfield. Para o presidente, a gravação de Joesley foi uma tentativa de induzir uma conversa. “Tenho demonstrado com relativo sucesso que o que o empresário fez foi induzir uma conversa. Insistem sempre no ponto que avalizei um pagamento para o ex-deputado Eduardo Cunha, quando não querem tomar como resposta o que dei a uma frase dele em que ele dizia: ‘Olhe, tenho mantido boa relação com o Cunha’. [Eu disse] ‘mantenha isso’”, disse referindo-se a parte da ‘boa relação’. Alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de suspeita de corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa, Temer enfrenta a maior crise política de seu mandato. Neste fim de semana, a Ordem dos Advogados do Brasil decidiu apresentar pedido de impeachment ao Congresso, onde a oposição já lidera um movimento pela saída do presidente. Além disso, informou o colunista do G1 Gerson Camarotti, os articuladores políticos do governo foram avisados que parte da base aliada quer a renúncia do pemedebista.
Polí­tica
Mentira pura: Temer disse que recebeu Joesley por Operação Carne Fraca, que só ocorreu 10 dias depois
O presidente Michel Temer afirmou que aceitou receber Joesley Batista, dono da JBS, em 7 de março, porque achou que ele falaria sobre a Operação Carne Fraca, que investigava irregularidades em frigoríficos. No entanto, a operação só foi deflagrada dez dias depois, em 17 de março. A justificativa de Temer foi dada em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo", publicada nesta segunda-feira (22). A incoerência foi apontada nesta manhã pelo jornal "O Globo". Em 7 de março, Temer recebeu Joesley na calada da noite no Palácio do Jaburu, sua residência oficial. A conversa foi gravada pelo empresário e entregue recentemente à Procuradoria Geral da República. Segundo o procurador-geral Rodrigo Janot, o áudio indica a "anuência" de Temer ao pagamento de propina mensal, por Joesley, para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba pela Operação Lava Jato. Na entrevista à "Folha de S.Paulo", Temer disse: "Mas veja bem. Ele é um grande empresário. Quando tentou muitas vezes falar comigo, achei que fosse por questão da Carne Fraca. Eu disse: 'Venha quando for possível, eu atendo todo mundo'". Ainda ao jornal, Temer afirmou que "num primeiro momento" não sabia que Joesley Batista era investigado, embora a JBS tenha sido alvo de três operações recentes do Ministério Público Federal e da Polícia Federal – a Cui Bono?, a Sespis e a Greenfield. Para o presidente, a gravação de Joesley foi uma tentativa de induzir uma conversa. “Tenho demonstrado com relativo sucesso que o que o empresário fez foi induzir uma conversa. Insistem sempre no ponto que avalizei um pagamento para o ex-deputado Eduardo Cunha, quando não querem tomar como resposta o que dei a uma frase dele em que ele dizia: ‘Olhe, tenho mantido boa relação com o Cunha’. [Eu disse] ‘mantenha isso’”, disse referindo-se a parte da ‘boa relação’. Alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de suspeita de corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa, Temer enfrenta a maior crise política de seu mandato. Neste fim de semana, a Ordem dos Advogados do Brasil decidiu apresentar pedido de impeachment ao Congresso, onde a oposição já lidera um movimento pela saída do presidente. Além disso, informou o colunista do G1 Gerson Camarotti, os articuladores políticos do governo foram avisados que parte da base aliada quer a renúncia do pemedebista.
Polí­tica
Com medo de delação de Loures, Temer diz que ele tem “boa índole”: carregou mala com R$ 500...
O deputado afastado Rodrigo Rocha Loures, do PMDB-PR, está no centro do escândalo que envolve a JBS e o presidente Michel Temer. Rocha Loures aparece nas delações dos executivos da JBS como a pessoa indicada por Temer para resolver assuntos de interesse da empresa. Além disso, o político foi filmado recebendo uma mala da JBS com R$ 500 mil em vantagens indevidas. O valor correspondia, segundo o Ministério Público, à primeira parcela de uma propina que seria paga mensalmente por 20 anos, totalizando R$ 480 milhões. Rocha Loures ainda não se manifestou publicamente desde que as acusações vieram à tona, na semana passada. Ele disse que só vai se pronunciar em momento oportuno. O papel do deputado afastado no esquema seria de mensageiro do presidente Temer, segundo Ricardo Saud, diretor da J&F, a holding que controla a JBS. Saud também é delator. Foi ele quem entregou a mala para Rocha Loures com os R$ 500 mil. A entrega foi monitorada pela Polícia Federal numa ‘ação controlada’, uma estratégia de investigação usada para conseguir provas e flagrantes. Mas, segundo Ricardo Saud, Rocha Loures agia apenas como intermediário de Temer. Tocador de áudio https://cbncuritiba.com/wp-content/uploads/2017/05/Sonora-Rochinha-intermediario-1-TV.mp3 00:00 00:19 Use as setas para cima ou para baixo para aumentar ou diminuir o volume. O executivo afirmou ainda que a JBS nunca negociou propina com Rocha Loures. Os valores eram acertados diretamente com Temer. Por isso, Ricardo Saud acredita que os R$ 500 mil foram parar nas mãos do presidente. A Polícia Federal ainda está rastreando os destinatários finais do dinheiro. Tocador de áudio https://cbncuritiba.com/wp-content/uploads/2017/05/Sonora-Rochinha-intermediario-2-TV.mp3 00:00 00:26 Use as setas para cima ou para baixo para aumentar ou diminuir o volume. O presidente Temer negou todas as acusações e disse que nunca recebeu propina da JBS. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, Temer também falou sobre a gravação de Rocha Loures recebendo a mala de dinheiro e disse que ele foi induzido e seduzido por ofertas irreais e mirabolantes feitas pela JBS, no caso, os R$ 480 milhões em propina por 20 anos. Temer, no entanto, admitiu que o deputado afastado errou ao receber o dinheiro. Apesar disso, o presidente disse que Rocha Loures é um homem de boa índole que cometeu um gesto reprovável. Ele disse que não conversou com o paranaense desde a divulgação das delações premiadas da JBS. Rocha Loures trabalhou com Temer entre 2011 e março deste ano, passando pelos gabinetes do vice e da presidência. O deputado está afastado do cargo por decisão do STF.
Polí­tica
Mídia que prega liberalismo econômico só faz aumentar dependência em publicidade do governo
O Cafezinho _ Ser liberal com dinheiro público é uma maravilha! A revista Veja passou a ser a publicação impressa que mais recebe dinheiro do governo federal, superando todos os jornalões e revistas, incluindo Folha, Globo e Estadão. Nos últimos 12 meses, a Veja recebeu R$ 3,24 milhões da Secom, aumento de 490% sobre o ano anterior. Os valores não contabilizam as estatais, o que poderia multiplicar o montante por três ou quatro vezes. Definitivamente não houve ajuste fiscal na Secom, o órgão do governo que cuida da publicidade federal. Nos 12 meses terminados em abril último, o governo federal fez anúncios da ordem de R$ 153,9 milhões, aumento de 21% sobre o ano anterior. No ano inteiro, vimos e ouvimos jornais, canais de TV, rádio, outdoors, exibindo quantidades crescentes de anúncios do governo, inclusive aqueles que deviam ser terminantemente proibidos pelo poder judiciário, porque tratam de propaganda de governo, como os que alardeiam sobre os “benefícios” da reforma da previdência. Os números da Secom neste post tratam apenas da publicidade da presidência e dos ministérios. A parte do leão fica com as estatais, responsáveis por cerca de dois terços da publicidade federal. Possivelmente, neste primeiro ano de golpe, elas responderam por percentual ainda maior. Em primeiro lugar no ranking, claro, a Globo. A empresa dos Marinho recebeu R$ 42,24 milhões apenas dos ministérios e presidência, um aumento de 11% sobre o ano anterior. Os principais aumentos de publicidade federal neste primeiro ano de golpe foram para revistonas e alguns jornais, como Folha e Estadão. O aumento da verba da Secom para a Folha cresceu 121,5%. A Istoé, que elegeu Temer como “Homem do Ano” e fez uma cerimônia na qual Sergio Moro e Aécio Neves sentaram-se juntos e trocaram sorrisos e gentilezas, recebeu mais de R$ 700 mil da Secom, ou 1384% a mais do que no ano anterior. Reitere-se que a publicidade das estatais não é publicada no portal da transparência. Em anos anteriores, a Folha costumava obter esses números, através de liminar da justiça, que obrigava as estatais a informarem quanto gastavam com publicidade. O objetivo da Folha era notoriamente político: monitorar se o governo estava fazendo publicidade em blogs, tanto que este era o assunto principal das matérias, apesar dos blogs receberem percentuais insignificantes da publicidade federal. Desde o golpe, porém, a Folha, nem qualquer outro veículo, se interessa mais em apurar os gastos federais com publicidade. O Cafezinho tentará obter, junto à justiça, esses números de publicidade das estatais. O Infoglobo, responsável pelo jornal O Globo, recebeu R$ 1,6 milhão da Secom nos últimos 12 meses, um aumento de 82% sobre o período anterior.
Polí­tica
Desforra de Renan: “Mandaria prender quem falasse em propina”
O senador Renan Calheiros (AL), líder do PMDB, divulgou nota neste domingo (21) dizendo que se algum delator o procurasse para falar em propina ou caixa 2, "mandaria prendê-lo". A nota, divulgada por sua assessoria de imprensa, confirma que Renan esteve com o ex-diretor de Relações Institucionais da JBS Ricardo Saud, mas nega que eles tenham tratado de vantagens indevidas. "A citação do delator é fantasiosa. O fato de ele ter ido a minha casa não significa que tenho qualquer relação com seus atos criminosos. Ele ou qualquer outro delator jamais falaria comigo sobre propina ou caixa 2. Se fizesse isso, eu teria mandado prende-lo", diz a nota. Ao dizer que "mandaria prender" qualquer pessoa que o procurasse para tratar de propina ou caixa 2, Renan faz uma crítica indireta ao presidente Michel Temer. Uma gravação feita por Joesley Batista, dono da JBS, mostra uma conversa entre ele Temer no qual o empresário narra iniciativas de tentar frear investigações. O presidente, embora tenha ouvido relatos de práticas criminosas, não fez qualquer denúncia. Em pronunciamento feito neste sábado (20), Temer disse não ter acreditado em "fanfarronices" de um "falastrão".
Polí­tica
Temer: “Se eu renuncio, é uma declaração de culpa”
Em entrevista ping-pong publicada em duas páginas na edição de hoje do jornal Folha de S. Paulo, o presidente Michel Temer reconhece falha ao encontrar com empresário fora da agenda, mas diz que renúncia é declaração de culpa. "Se quiserem, me derrubem", disse ele. Sobre o ex-assessor Rodrigo Rocha Loures, flagrado recebendo R$ 500 mil em espécie da JBS, o presidente disse que a atitude dele não é "aprovável" e lamentou: "Coitado, ele é de boa índole, de muito boa índole". A respeito da possibilidade de renunciar, Temer foi enfático: "Não vou fazer isso, tanto mais que já contestei muito acentuadamente a gravação espetaculosa que foi feita". Questionado sobre se seria prevaricação o fato de ele ter ouvido o empresário Joesley Batista relatar crimes, respondeu: "Você sabe que não? Eu ouço muita gente, e muita gente me diz as maiores bobagens que eu não levo em conta. Confesso que não leve essa bobagem em conta". Temer esquivou-se da pergunta sobre se seria moralmente defensável receber tarde da noite, fora da agenda, um empresário investigado pela Justiça. "Eu nem sabia que ele estava sendo investigado", respondeu. Após dizer que Joesley Batista "teve treinamento de 15 dias para gravar, fazer a delação", agregou que seu ex-assessor Rodrigo Rocha Loures foi "certamente induzido, seduzido por ofertas mirabolantes e irreais" para aceitar uma mala com R$ 500 mil em dinheiro dada por um emissário do grupo JBS. Mas negou que se sinta traído pelo ex-assessor. "Não vou dizer isso, porque ele é um homem, coitado, ele é de boa índole, de muito boa índole", ressaltou. "Sempre tive a convicção de que ele tem muito boa índole. Agora, que esse gesto (pegar a mala com o dinheiro) não é aprovável". Acrescentou que não rompeu com Rocha Loures: "Não se trata de romper ou não romper, não tenho uma relação, a não ser uma relação institucional (com ele)". O presidente explicou porque não pretende renunciar. "Se quiserem, me derrubem, porque, se eu renuncio, é uma declaração de culpa", justificou. O presidente se irritou diante da questão sobre até que ponto vale continuar no cargo sem força política. "Isso é você quem está dizendo. Eu vou revelar força política precisamente ao longo dessas próximas semanas com a votação de matérias importantes", retrucou. Após se considerar "ingênuo" por ter recebido Joesley Batista no Palácio do Jaburu, Temer o qualificou de "empresário grampeador". "Ele vai carregar isso para o resto da vida. E vai transmitir uma herança muito desagradável para os filhos", acentuou. Garantindo que "eu não estou perdido", Temer contou que, antes da crise, o ministro Henrique Meirelles informou-lhe que teria um encontro com 200 empresários, "todos animadíssimos", para tratar de investimentos na economia. "Tenho de verificar o que vai acontecer nas próximas semanas". Quanto a seus pronunciamentos que tem sido mais duros, o presidente brincou: "Olha, acho que eles gostaram desse novo modelito. As pessias acharam que "enfim, temos presidente".
Polí­tica
Fim de festa: Temer convoca jantarzão de domingo, mas só 29 congressistas aparecem
Um jantar marcado para a noite de ontem com o objetivo de demonstrar que o presidente Michel Temer ainda tem força no Congresso acabou se tornando uma demonstração da fragilidade crescente do governo, destaca o Globo (3). Os líderes dos partidos da base foram convidados para o jantar entre a noite de sábado e a manhã de domingo, mas no início da tarde já se sabia que o quórum seria baixo. Assim, o jantar se transformou numa conversa “informal”, com a presença dos aliados que estivessem em Brasília. Ao final da noite, cinco líderes de partidos da base e quatro presidentes de legendas aliadas foram ao Palácio da Alvorada. Agora, o governo aposta na decisão que o Supremo Tribunal Federal deve tomar nesta quarta-feira, sobre o pedido de suspensão do inquérito que corre contra ele no tribunal. Temer pediu uma perícia no áudio da conversa entre ele e o dono da JBS, Joesley Batista. Parlamentares acreditam que, caso a corte faça ressalvas explícitas à investigação, Temer se fortalecerá. No entanto, se der carta branca para a apuração, a situação do presidente ficará ainda mais delicada. A conversa informal de Temer com os políticos contou com 29 congressistas (23 deputados e seis senadores), inclusive o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Os três líderes do governo também foram: Aguinaldo Ribeiro (PPPB), líder do governo na Câmara, André Moura (PSC-SE), líder do governo no Congresso, e Romero Jucá (PMDBRR), líder do governo no Senado. Dezessete ministros estiveram presentes. Temer aproveitou a reunião para voltar a atacar Joesley Batista: "O Brasil não pode se sujeitar a um rematado delinquente, que está livre nos Estados Unidos". Esse foi o tom adotado pelo presidente no pronunciamento que fez no sábado, quando decidiu desqualificar o delator e as provas por ele apresentadas e pedir a suspensão do inquérito aberto no STF para investigá-lo pelos crimes de obstrução de Justiça, corrupção passiva e organização criminosa. Em outro momento, ainda segundo um participante do encontro, Temer teria tentado animar os aliados, dizendo que é preciso “resistir”. — Precisamos resistir, precisamos resistir. Pelo Brasil e pela ordem jurídica. O Brasil vai continuar funcionando. Na mesa, como ouvintes estavam os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil); Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia); Raul Jungmann (Defesa); Moreira Franco (Secretaria Geral); Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo); Osmar Serraglio (Justiça); Helder Barbalho (Integração Nacional); Fernando Coelho Filho (Minas e Energia); Dyogo Oliveira (Planejamento); Henrique Meirelles (Fazenda); Aloysio Nunes (Relações Exteriores); Ronaldo Nogueira (Trabalho); Bruno Araújo (Cidades) e Mendonça Filho (Educação). O líder do Solidariedade, Aureo (RJ), foi convidado, mas não compareceu. Segundo ele, o convite foi feito muito em cima da hora. — Não consigo ir, fui convidado muito em cima. É um dia que ninguém está em Brasília, fica difícil juntar muita gente — disse Aureo. O DEM, embora representado na reunião, adotou tom de cautela. O líder do partido na Câmara, Efraim Filho (PB) disse que a sigla não quer se precipitar em nenhum posicionamento. — Estamos colhendo informações para avaliar os cenários. O presidente errou em alguns procedimentos? Sem dúvida. Agora, esses erros são grandes o suficiente para que ele saia do poder? Estamos avaliando. O erro foi só receber o delator tarde da noite? Ou há crimes? Não dá para tomarmos uma posição com base em pedaços de informação. Se houve crimes, quem vai dizer isso é o Supremo — disse Efraim. Um auxiliar do presidente afirmou que é possível que ele queira tentar remarcar a reunião esta semana. Sua maior preocupação é que o Congresso siga trabalhando, aprovando as medidas provisórias que estão prestes a caducar, para que as reformas trabalhista e da Previdência sigam sua tramitação. Caso consiga, o que é pouco provável, conseguirá fôlego para enfrentar a crise. O ataque a Joesley pode ser o ponto de aproximação de Temer com os aliados que cogitam abandonar o governo. — Eu percebo que há uma insatisfação de parte significativa da sociedade com o fato de Joesley ter delatado, ter praticado crimes e estar solto. Temer está pontuando acertadamente isso — avaliou reservadamente um aliado que participou do encontro.