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“Carne brasileira é a melhor do mundo”, diz Temer, mas Hong Kong também manda recolher produto brasileiro
O presidente Michel Temer afirmou hoje (24) que a carne brasileira é “a melhor do mundo”. Segundo o presidente, sua equipe tem obtido resultados satisfatórios no sentido de “estancar” a possibilidade de outros países proibirem a compra da carne brasileira, após denúncias de irregularidades na fiscalização do produto, feitas pela Operação Carne Fraca. “A carne brasileira não é fraca. A carne brasileira é a melhor do mundo”, disse Temer durante cerimônia de entrega de 1,3 mil unidades habitacionais do Programa Minha Casa, Minha Vida no Parque Residencial da Solidariedade, em São José do Rio Preto, São Paulo. Temer ressaltou que a situação jestá sendo revertida graças à atuação dos ministros das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi. “Ele [Aloysio Nunes] logo pegou a Operação Carne Fraca sabendo que nossa carne é forte e trabalhou com o Blairo Maggi para estancar essa possibilidade eventual de restrição à compra da carne brasileira, um dos grandes mercados que temos, vendida para 150 países”, enfatizou o presidente. “Temos feito um trabalho extraordinário para reduzir essas tensões, que já começaram a ser reduzidas. A Coreia do Sul, por exemplo, voltou a autorizar a compra da carne brasileira”, acrescentou. HONG KONG As autoridades de Hong Kong decretaram o recolhimento de toda a carnes e derivados procedentes dos 21 frigoríficos brasileiros investigados na Operação Carne Fraca. A medida foi anunciada poucos dias depois de o governo local suspender a importação de carne brasileira sob suspeita. Ao detalhar a decisão para jornalistas, o secretário para Alimentação e Saúde, Ko Wing-man, afirmou que as últimas informações fornecidas por autoridades brasileiras sugerem que “o risco à segurança alimentar não pode ser totalmente descartado”. De acordo com Wing-man, técnicos do Centro de Segurança Alimentar identificaram mais uma fábrica nacional que importou produtos derivados da carne brasileira, além das cinco que já tinham sido identificadas. O secretário não informou qual o volume de carne brasileira bovina, suína ou de frango, bem como de seus derivados, pode estar, hoje, à disposição dos consumidores e comerciantes de Hong Kong. Saiba Mais JBS paralisa por três dias produção de carne bovina no Brasil UE e 14 países suspendem temporariamente importação de carne brasileira Quanto aos produtos embarcados com destino a Hong Kong antes de o próprio governo brasileiro embargar as exportações dos 21 frigoríficos sob suspeita, o secretário disse que ficarão retidos na chegada ao porto até que as investigações sejam concluídas. Wing-man também não precisou quanto tempo durará a suspensão, mas garantiu que a população será devidamente informada sobre todo o processo. Considerado um dos maiores mercados para a carne brasileira, Hong Kong já tinha proibido, na terça-feira (21), a importação de carne brasileira congelada e refrigerada. Na ocasião, o próprio ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, incluiu o território semiautônomo chinês no grupo de compradores aos quais o governo brasileiro estava destinando mais atenção. “ China e Hong Kong são os dois pontos que estamos olhando com mais atenção, em permanente contato, respondendo a todas as questões”, disse Maggi. A China, assim como Hong Kong, já tinha anunciado a suspensão temporária das importações. Até a noite desta quinta-feira (23), pelo menos 14 países, além da União Europeia, tinham suspendido temporária e integralmente a importação de carne brasileira e seus derivados depois que a deflagração da Operação Carne Fraca pela Polícia Federal (PF), na última sexta-feira (17), trouxe à tona suspeitas de irregularidades na produção e fiscalização do setor. Onze países e territórios suspenderam temporária e integralmente a importação: Argélia, Bahamas, China, Chile, Egito, Hong Kong, Jamaica, México, Panamá, Qatar e Trinidad e Tobago. Três países suspenderam as importações apenas dos 21 frigoríficos investigados pela PF ou de parte deles: África do Sul, Japão e Suíça. A União Europeia também integra o bloco dos que optaram pela suspensão parcial, proibindo a entrada de produtos provenientes de quatro plantas industriais brasileiras onde eram processadas carne bovina, suína e de aves. RODOVIA FEDERAL Durante a cerimônia de entrega de unidades do Minha Casa, Minha Vida, o presidente Michel Temer anunciou também a liberação de R$ 87 milhões para dar sequência às obras da BR-153 na região. A exemplo do que tem feito nos últimos dias, o presidente apresentou índices positivos referentes aos juros e à inflação, e ao “ágio extraordinário” obtido na recente concessão de quatro aeroportos e do Porto de Santarém (PA). “Estamos fazendo esforço para acolher todas as postulações sociais. Mas, para isso, é preciso restaurar as contas públicas”, disse o presidente. “Em sete ou oito meses, reduzimos a inflação de 10,7% para 4,8%, e a credibilidade do país está aumentando. Ontem mesmo, o presidente do Banco Central [Ilan Godfajn] disse que a inflação está em 4,8%, ou seja chegando ao centro da meta, para depois baixarmos ainda mais”, disse. Também presente ao evento, o ministro das Cidades, Bruno Araújo, disse que o programa Minha Casa, Minha Vida tem, entre seus objetivos, o de fazer com que as pessoas parem de pagar aluguel. Segundo o ministro, essa frente de obras beneficiará cerca de 5 mil pessoas. “São R$111 milhões do Tesouro Nacional e R$13 milhões do governo estadual. É um trabalho coletivo”. Araújo criticou a paralisação de algumas das obras previstas no Minha Casa, Minha Vida. “O programa chegou a ter 60 mil unidades paralisadas por falta de recursos. Neste exato momento, o governo constrói mais de 500 mil unidades como esta. Tudo feito a partir do momento em que o governo do presidente Temer resolveu colocar as contas em ordem”, disse o ministro.
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Paradoxo da crise: gastos de brasileiros no exterior crescem 61,7%
Os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 1,360 bilhão em fevereiro deste ano, informou hoje (24), em Brasília, o Banco Central (BC). O resultado é 61,7% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando os brasileiros desembolsaram US$ 841 milhões. Nos dois primeiros meses do ano, as despesas ficaram em US$ 2,939 bilhões, 74,8% acima dos gastos registrados no primeiro bimestre de 2016 (US$ 1,681 bilhão). Já as receitas de estrangeiros no Brasil ficaram em US$ 535 milhões em fevereiro e em US$ 1,196 bilhão nos dois meses do ano, contra US$599 milhões e US$ 1,249 bilhão, respectivamente em iguais períodos de 2016. Com esses resultados das despesas de brasileiros no exterior e as receitas de estrangeiros no Brasil, a conta de viagens internacionais ficou negativa em US$ 824 milhões no mês passado, e em 1,743 bilhão no primeiro bimestre. A projeção do Banco Central para o saldo negativo da conta de viagens este ano subiu de US$ 10,5 bilhões para US$ 12,5 bilhões. O chefe adjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Rocha, disse que, com o dólar mais barato este ano, as viagens ao exterior caíram de preço. Ele lembrou que o dólar fechou 2016 em R$ 3,48, na média, e agora está em torno de R$ 3,10. “A apreciação do câmbio na comparação interanual é significativa”, disse.
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China barra 50 mil toneladas de carne brasileira: intenção é barganhar obras de infraestrutura aqui
O governo avalia que os países importadores de carnes têm outros interesses além de explicações técnicas sobre o sistema sanitário brasileiro. Aproveitam falhas apontadas na Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, para forçarem a queda dos preços dos produtos no mercado internacional. Um dos exemplos mais gritantes é o da China, que não se comove com os apelos das autoridades brasileiras para retroceder na decisão de suspender todas as importações provenientes do Brasil. Segundo fontes ligadas ao Palácio do Planalto, a China tem interesses específicos no Brasil, que poderiam ser usados numa negociação para o fim do embargo à carne brasileira. Quer, por exemplo, regras mais claras para participar das concessões, com a definição do ambiente regulatório e do conteúdo local de setores como energia, óleo e gás, de preferência com normas que lhe favoreçam. O ex-embaixador do Brasil na China Luiz Augusto de Castro Neves lembra que, em 2004, um carregamento de soja com sementes supostamente contaminadas foi barrado naquele país. Isso causou uma forte queda no preço do produto. — A situação da soja pode se repetir com a carne. A diferença é o apelo midiático — disse o diplomata. Ciente desse cenário, em que o preço a ser pago pela Operação Carne Fraca poderá ser mais alto do que se pensava, o presidente Michel Temer determinou a criação de um grupo formado por representantes de todos os órgãos envolvidos em comércio exterior, para que façam um levantamento para identificar o que cada um dos países que adotaram barreiras ao Brasil quer em troca do fim da suspensão das importações. Seria uma forma de orientar as negociações para a retomada da credibilidade da carne brasileira. Por enquanto, não há notícias sobre os resultados das negociações entre o lado brasileiro e o chinês. As reuniões têm sido intensas e a portas fechadas em Pequim. Na terça-feira, a porta-voz do governo chinês, Hua Chunying, afirmou que não há previsão para o fim da restrição. Em cerimônia no Palácio do Planalto, ontem, durante o lançamento do Portal Único de Comércio Exterior, Temer voltou a lamentar a reação dos parceiros internacionais à operação. Ele disse que a “nacionalidade” contestou o que poderia se transformar em um evento internacional “desastroso”. — Logo superaremos, esperamos, esse embaraço que pode causar prejuízo ao país, mas, digo eu, será logo superado pela compreensão de todos aqueles, a imprensa colaborou, quando eu falo em nacionalidade, o Brasil todo colaborou para esse fator — afirmou. EMBARGO ATINGE CARGAS PRÉ-OPERAÇÃO A decisão da China de suspender as importações brasileiras e reter nos portos todos os carregamentos chegados do Brasil, anunciada na segunda-feira à noite, tem efeitos maiores do que se imaginaria. Aproximadamente 50 mil toneladas de carnes já foram impedidas de entrar no país, segundo relataram fontes ao GLOBO. Trata-se do equivalente a 18 dias de exportações brasileiras para o mercado chinês entre carnes de frangos, suínos e bovinos. Embora a orientação para segurar a mercadoria só tenha sido divulgada oficialmente esta semana, o sinal de alerta foi acionado pelas autoridades chinesas desde a sexta-feira, quando estourou a operação da Polícia Federal no Brasil. Além disso, a medida acaba tendo um efeito mais amplo, ao atingir também cargas que haviam desembarcado no país antes do escândalo e já haviam sido inspecionadas pelas autoridades locais. Elas ainda aguardavam a liberação do certificado de inspeção, que leva, em média, 15 dias para ser emitido. Não há risco de perdas das mercadorias estocadas, pois chegam congeladas ao país. No entanto, há um outro detalhe que pode prejudicar o Brasil: os chineses mandaram devolver todas as carnes com o selo de classificação CIF 530 da Seara. Ao chegar ao país, os carregamentos sofrem inspeção, pagam tributos e esperam a emissão do certificado para que sejam liberados para a venda no mercado. A grande preocupação das autoridades brasileiras, neste momento, é que o Brasil nunca vendeu tanta carne para os chineses. São cerca de 80 mil toneladas por mês. Foram cerca de US$ 2 bilhões no ano passado. O Brasil fornece 80% da carne de frango importada pela China. A carne bovina também ganhou destaque na pauta. No ano passado, o Brasil ultrapassou os australianos e se tornou o maior vendedor de carne bovina para o mercado chinês, contribuindo com 29% do total importado. O país é ainda o sétimo fornecedor de carne de suínos. Para tentar reverter o impasse com os chineses, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, fez uma conferência com a mídia da China. Ele colocou a culpa de toda a confusão causada em agentes da Polícia Federal e ofereceu aos chineses uma visita surpresa a qualquer fábrica do país para que atestem a qualidade dos processos. — Podemos ir a qualquer planta sem avisar ninguém. Eu, pessoalmente, irei acompanhar — disse o ministro durante a entrevista às agências internacionais. Em reunião com a frente parlamentar agropecuária ontem, o presidente Michel Temer informou que editará um decreto nos próximos dias endurecendo as regras de fiscalização e de penalização a fiscais sanitários para evitar irregularidades. O presidente afirmou aos parlamentares que pretende editar o decreto com nova regulamentação de inspeção sanitária até dia 29 deste mês. A ideia, segundo participantes da reunião, é atualizar o Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Rispoa), decreto da década de 1950.
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Hipermercados da China já retiram carne brasileira das prateleiras
Grandes supermercados da China continental e da cidade de Hong Kong (região administrativa especial) já retiraram das prateleiras produtos brasileiros de carne bovina e de frango. É o primeiro impacto do escândalo que envolve a indústria processadora do Brasil na mesa do consumidor. A Sun Art Retail, a maior rede de hipermercados da China, o Walmart e o Metro lideraram o movimento. Uma porta-voz da Sun Art Retail, que opera 400 hipermercados chineses, admitiu que a rede recolheu carne fornecida pela BRF e pela JBS desde segundafeira — antes mesmo de o governo chinês confirmar a suspensão das importações e que carnes desembarcadas do Brasil seriam retidas nos portos. A carne bovina brasileira responde por menos de 10% da oferta da Sun Art Retail, segundo a empresa. O mesmo teriam feito o Walmart e a rede alemã Metro. Em Hong Kong, a rede Wellcome retirou das prateleiras toda a carne congelada e fresca de bovinos e frangos de origem brasileira. A rede avisa que os clientes poderão ter seu dinheiro de volta ou trocar a compra por outros produtos. Na concorrente ParknShop, o cliente também pode ser ressarcido ou trocar a mercadoria. Em ambos os casos, amostras dos produtos teriam sido enviadas para testes. De acordo com o jornal “South China Morning Post”, a rede de fast food Fairwood, também em Hong Kong, suspendeu na noite de terça-feira as vendas dos pratos de porco grelhado com carne brasileira. Já o governo japonês minimizou o impacto para o mercado local, que traz do Brasil 80% dos frangos importados. O ministro-chefe da Casa Civil, Yoshihide Suga, afirmou que o país vai manter a suspensão da importação de carnes restrita a produtos dos 21 frigoríficos que estão sendo investigados pela PF.
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Carne fraca: exportação brasileira cai de US$ 63 milhões/dia para US$ 74 mil/dia
A Operação Carne Fraca já afetou as exportações de carne. Números do Ministério do Desenvolvimento mostram que as vendas externas do setor somaram apenas 74 mil dólares nesta terça-feira. Até sexta-feira, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Carne Fraca, a média diária de exportações de carne em março era de 63 milhões. Com a queda abrupta, segundo o ministério, a média diária de março já passou para 60 milhões de dólares. O Brasil exportou o equivalente a 14 bilhões de dólares em carnes em 2016. Os maiores importadores de carne do Brasil, como Hong Kong, China e Japão, anunciaram restrições à entrada de nossos produtos. Hoje, a África do Sul engrossou a lista de países que estão barrando a compra de carne brasileira. Também fazem parte da lista o Chile, União Europeia, Suíça, México e Jamaica. A Coreia do Sul havia suspendido a compra de frangos da BRF, mas voltou atrás. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse na segunda-feira (20) que será ‘um desastre’ se os países importadores restringirem a entrada da carne brasileira. “Eu torço, rezo, penso, trabalho para isso não acontecer”, afirmou. Segundo ele, o governo brasileiro precisa se apressar para dar explicações aos países que importam carne do Brasil. A preocupação é com o bloqueio desses mercados ao produto brasileiro. “Temos que correr para atuar no mercado externo. Não podemos permitir o fechamento [do mercado]. Uma vez que aconteça o fechamento, serão muitos anos de trabalho para reabrir novamente. Nossa preocupação é não deixar sem resposta nenhum pedido de informação desses países”, afirmou ele. Para que os embargos fiquem restritos às 21 empresas investigadas, o Brasil barrou a exportação dessas companhias. Das 21 empresas, apenas quatro exportam para a União Europeia. Dos 58 exportadores para a China, apenas um é investigado.
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Temer miminiza crise da carne, mas China leva a sério e suspende compras que somaram US$ 2 bi
REUTERS _ A China suspendeu temporariamente as importações de carne brasileira, de acordo com uma fonte ouvida pela agência Reuters. A medida foi tomada em decorrência da Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal. A PF lançou na sexta-feira uma operação para desarticular uma organização criminosa envolvendo fiscais agropecuários e empresas do setor. A investigação apontou fraudes na fiscalização sanitária, com o pagamento de propina para liberação de mercadorias adulteradas e estragadas. A fonte, que pediu para não ser identificada por causa da sensibilidade da informação, afirmou que a suspensão das compras de carne brasileira é uma medida de “precaução”. A decisão ocorre após a Coreia do Sul intensificar as fiscalizações de carne de frango importada do Brasil e banir temporariamente as vendas de produtos de frango da BRF, maior produtora de carne de frango do mundo. Procurado por VEJA, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) diz não ter recebido nenhuma notificação formal da China. Abaixo, notícia da Agência Brasil: O presidente Michel Temer disse hoje (20) que os problemas descobertos em frigoríficos pela Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, atingem apenas uma pequena parte do setor. “O agronegócio é para nós uma coisa importantíssima e não pode ser desvalorizado por um pequeno núcleo, uma coisa que será menor: apurável, fiscalizável e punível, se for o caso. Mas não pode comprometer todo o sistema que nós montamos ao longo dos anos. Exportamos para mais de 150 países”, disse a uma plateia de empresários na sede da Câmara Americana de Comércio, na capital paulista. A operação deflagrada na última sexta-feira (17) atingiu algumas das maiores empesas do ramo alimentício do país, como JBS, BRF e Peccin, acusadas de praticar uma série de fraudes para ocultar o uso de matéria-prima vencida ou de qualidade inferior na fabricação dos produtos. Temer destacou que o número de funcionários públicos envolvidos (33) é pequeno em comparação ao tamanho do quadro do Ministério da Agricultura, de mais de 11 mil servidores. “Nós temos sistemas rigorosíssimos de avaliação sanitária aqui no Brasil”, enfatizou o presidente. Os servidores são acusados de receber propina para liberar produtos que não atendiam às normas legais. De acordo com ele, também é pequeno o número de plantas industriais sob suspeita (21), tendo em vista o tamanho do setor, que conta com mais de 4,8 mil estabelecimentos. O presidente mencionou ainda os diversos encontros que teve nos últimos dias, tanto para se inteirar do assunto, quanto para tranquilizar os países importadores de alimentos brasileiros. “Eu tive várias reuniões em Brasília. Primeiro, com os ministros das áreas envolvidas com essa matéria. Depois, com as associações dos produtores de carne da mais variada espécie e com os embaixadores dos países que importam a carne brasileira. E acabamos, muito fraternalmente, comendo um churrasco na noite de ontem com todos os representantes dos países que lá se achavam”, disse. Conversa com Trump Temer comentou sobre o telefonema recebido no último sábado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foi a segunda conversa telefônica entre os dois. “Ambos concordamos em levar adiante uma agenda de investimentos. Tanto que Sua Excelência disse: 'precisamos fazer logo uma reunião aqui nos Estados Unidos ou no Brasil com empresários brasileiros e americanos'”, disse ao explicitar parte do teor do diálogo. Para melhorar o comércio bilateral, o presidente disse que tem buscado reduzir os entraves para importações e exportações no Brasil. “Não sem razão que nós estamos reduzindo a burocracia”, enfatizou.
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FGTS: a partir desta sexta, mais de 4,8 milhões poderão sacar grana das contas inativas
A Caixa Econômica Federal informou que mais de 4,8 milhões de trabalhadores terão direito a sacar o dinheiro das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) a partir desta sexta-feira, 10. Neste mês, segundo o banco estatal, estarão disponíveis R$ 6,96 bilhões, o equivalente a 15,9% do total dos recursos das contas inativas. O pagamento das contas inativas a partir desta sexta-feira será feito para os trabalhadores que nasceram em janeiro e fevereiro. De acordo com a Caixa, cerca de 1,65 milhão (ou 34%) terão o dinheiro automaticamente creditado nas contas da Caixa na sexta. Outros 1,2 milhão de trabalhadores (25%) poderão sacar o dinheiro com o Cartão Cidadão nos terminais de autoatendimento, lotéricas e Correspondentes Caixa Aqui. Os demais precisarão ir a uma das agências da Caixa para sacar os recursos. Valores até R$ 1,5 mil podem ser sacados no autoatendimento, somente com a senha do Cartão Cidadão. Para valores até R$ 3 mil, o saque pode ser realizado com o Cartão do Cidadão e senha no autoatendimento, lotéricas e correspondentes Caixa. Acima de R$ 3 mil, os saques devem ser feitos nas agências da Caixa. Para facilidade no atendimento, os trabalhadores devem sempre ter em mãos o documento de identificação e Carteira de Trabalho, ou outro documento que comprove a rescisão de seu contrato. Para valores acima R$ 10 mil é obrigatória a apresentação de tais documentos. "A orientação para os trabalhadores é que não tenham pressa em sacar. Não é necessário uma corrida às agências. Todos serão necessariamente atendidos até o final do calendário", orientou a vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa, Deusdina Pereira. A janela de pagamentos dos recursos das contas inativas se encerra em 31 de julho. Tem direito a retirar os recursos das contas inativas o trabalhador que pediu demissão ou foi demitido por justa causa até 31 de dezembro de 2015, respeitado o calendário publicado pelo banco. Ao todo, 30,2 milhões de brasileiros têm R$ 43,6 bilhões nas contas inativas que podem ser sacados. A expectativa do governo é que sejam injetados mais de R$ 30 bilhões na economia. Antes, o trabalhador somente poderia sacar caso permanecesse três anos fora do regime do FGTS ou em caso de aposentadoria, utilização para moradia ou doenças previstas em lei. As demais regras de saque das contas ativas (vinculadas aos emprego atual) não sofreram modificação, ou seja, o saque de contrato de trabalho vigente só pode ocorrer nos casos de demissão sem justa causa, moradia própria ou aposentadoria, por exemplo. O pagamento das contas inativas será realizado a partir de 10 de março e vai até o dia 31 de julho deste ano, de acordo com o mês de aniversário do trabalhador. Os trabalhadores nascidos em março, abril e maio receberão a partir do dia 10 de abril; nascidos em junho, julho e agosto, a partir de 12 de maio; quem faz aniversário em setembro, outubro e novembro, a partir de 16 de junho; os trabalhadores nascidos em dezembro, a partir de 14 de junho. Agências A Caixa vai abrir 1.841 agências (54% do total) no sábado, dia 11 de março, e nos sábados dias 13 de maio, 17 de junho e 15 de julho para atendimentos relacionados ao FGTS: realizar pagamento, solucionar dúvidas, promover acertos de cadastro dos trabalhadores e emitir senha do Cartão Cidadão. A relação das agências está no site da Caixa. Além disso, está prevista a abertura antecipada (2 horas antes) de todas as agências nos dias 10, 13 e 14 de março para pagamento exclusivo de contas inativas do FGTS.
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No melhor fevereiro da história, exportações de carros fabricados no Brasil somam US$ 1,18 bilhão
As montadoras de veículos instaladas no Brasil ampliaram em 46,1% o valor das exportações em fevereiro sobre janeiro, alcançando US$ 1,18 bilhão. No encerramento do primeiro bimestre, houve elevação de 46,4%, somando US$ 1,99 bilhão. Mas, nos últimos 12 meses, as vendas externas ainda se mantêm em baixa de 0,4%. Para o setor, este foi o melhor fevereiro na história. Os dados foram divulgados hoje (7) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A produção cresceu 14,7% na comparação com janeiro e 28,1% nos dois primeiros meses deste ano com um total de 200,4 mil veículos. Em 12 meses, a produção acusa queda de 3,1%. Vendidos 135,7 mil veículos Em relação ao mercado interno, no entanto, houve retração de 7,8% em fevereiro na comparação com janeiro. Foram comercializados 135,7 mil veículos, número 7,6% menor que o de fevereiro de 2016. No bimestre, os licenciamentos caíram 6,4% e, nos últimos meses, 16,5%. O presidente da Anfavea), Antonio Megale, disse que os “números não foram bons porque ficaram abaixo do esperado”. Para ele, o mercado ainda está fraco e foi afetado em parte pelos feriados do carnaval e pela crise que atingiu o Rio de Janeiro e o Espírito Santo. O executivo considerou expressivas as exportações que obtiveram o melhor desempenho da história.
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No Conselhão, presidente da Abimaq pergunta a Temer se ele quer mesmo o crescimento da indústria nacional
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas (Abimaq), João Carlos Marchesan, leu um duro discurso dirigido ao presidente Michel Temer, nesta terça-feira 7, durante a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão. Marchesan questionou as reais intenções do governo frente a indústria nacional, considerando  uma desfaçatez declarações de integrantes da equipe econômica contra a política de conteúdo nacional e, ainda, a possibilidade de o BNDES elevar a Taxa de Juros de Longo Prazo. "O acúmulo de notícias negativas nos deixa em dúvida se o governo chega a ter clara dimensão do risco para a própria sobrevivência, não só da indústria fabricante de bens de capital, mas também, em boa parte, da indústria brasileira", afirmou Marchesan. "Ou, talvez, a sobrevivência da indústria de transformação não esteja entre as prioridades do governo", arrematou Abaixo, a íntegra do pronunciamento do presidente da Abimar, no Conselhão, nesta terça-feira 7: DESDE QUE O SENHOR EFETIVAMENTE ASSUMIU A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, TIVEMOS A CLARA PERCEPÇÃO DE UM PRESIDENTE CORAJOSO, QUE PEGOU O BRASIL NA SUA PIOR CRISE DOS ÚLTIMOS 80 ANOS, E ESTÁ ENFRENTANDO OS PROBLEMAS COM COMPETÊNCIA E DIGNIDADE. O CONTROLE DOS GASTOS PÚBLICOS, JÁ IMPLANTADO, E AS REFORMAS DA PREVIDÊNCIA, TRABALHISTA E TRIBUTÁRIA, EM ANDAMENTO, AUMENTAM A CONFIANÇA DE QUEM PRODUZ NESTE PAÍS. NO ENTANTO, É FATO QUE MILHARES DE EMPRESAS FECHARAM SUAS PORTAS E OUTRAS TANTAS ESTÃO TRILHANDO O MESMO CAMINHO. O DESEMPREGO ALCANÇA CERCA DE TREZE MILHÕES DE PESSOAS E O AMBIENTE SOCIAL MOSTRA SINAIS PERIGOSOS DE INSTABILIDADE. NO NOSSO CASO, O FATURAMENTO DAS INDÚSTRIAS FABRICANTES DE BENS DE CAPITAL, NO ANO PASSADO, FOI REDUZIDO PRATICAMENTE À METADE DO OBTIDO EM 2013, COM ÓBVIAS CONSEQUÊNCIAS PARA A SAÚDE FINANCEIRA DAS EMPRESAS. É CHEGADO O TEMPO, PORTANTO, DO GOVERNO COMEÇAR A DEDICAR O MESMO EMPENHO E OS MESMOS RECURSOS QUE FORAM DISPENSADOS AO CONTROLE DOS GASTOS, ÀS MEDIDAS NECESSÁRIAS PARA A RETOMADA DO CRESCIMENTO. O CRESCIMENTO NÃO VIRÁ SIMPLESMENTE COMO DECORRÊNCIA DO NECESSÁRIO AJUSTE FISCAL E DO CONTROLE DA INFLAÇÃO. INFELIZMENTE NÃO É O QUE ESTAMOS VENDO. O TESOURO, APESAR DA QUEDA DA SELIC, CONTINUA PAGANDO AOS APLICADORES EM TÍTULOS PÚBLICOS UM JURO REAL ELEVADÍSSIMO QUE MANTÉM A TENDÊNCIA DE ALTA DA DÍVIDA PÚBLICA. OS JUROS DE MERCADO, QUE AFETAM DIRETAMENTE EMPRESAS E CONSUMIDORES, EMBUTEM “SPREADS” DE ATÉ TRÊS DÍGITOS, O CÂMBIO ESTÁ NUM PATAMAR QUE, ALÉM DE TIRAR COMPLETAMENTE NOSSA COMPETITIVIDADE NA EXPORTAÇÃO, VOLTA A SUBSIDIAR AS IMPORTAÇÕES. SEM DIZER QUE O CRÉDITO CONTINUA EXTREMAMENTE DIFÍCIL. AS MEDIDAS VOLTADAS DIRETAMENTE AO SETOR PRODUTIVO SÃO CLARAMENTE INSUFICIENTES. POR EXEMPLO, O “PROGRAMA DE REGULARIZAÇÃO TRIBUTÁRIA - PRT” NÃO ATENDE MINIMANTE ÀS NECESSIDADES DAS PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS E IMPEDE A NORMALIZAÇÃO DAS DÍVIDAS TRIBUTÁRIAS DEIXANDO A MAIORIA DE NÓS INDUSTRIAIS À MARGEM DA LEGALIDADE FISCAL E SEM POSSIBILIDADE DE ACESSO A FINANCIAMENTOS COMPETITIVOS, NECESSÁRIOS QUANDO FINALMENTE VOLTARMOS A CRESCER. HÁ UM AMPLO CONSENSO DE QUE A RETOMADA DO CRESCIMENTO PASSA OBRIGATORIAMENTE PELOS INVESTIMENTOS E PELAS EXPORTAÇÕES. É, PORTANTO, COM SURPRESA QUE ACOMPANHAMOS, AO LONGO DAS ÚLTIMAS SEMANAS, NOTÍCIAS VEICULADAS PELOS PRINCIPAIS ÓRGÃOS DA MÍDIA BRASILEIRA, DANDO CONTA DE ESTUDOS DA EQUIPE ECONÔMICA PARA MUDAR O CALCULO DA TJLP - TAXA DE JUROS DE LONGO PRAZO, UTILIZADA PELO BNDES COMO TAXA BÁSICA PARA FINANCIAR OS INVESTIMENTOS. A FORTE REDUÇÃO NA DEMANDA DE RECURSOS DO BNDES PROVA QUE O CUSTO ATUAL DOS FINANCIAMENTOS , HOJE DA ORDEM DE 14 A 15% A.A. PARA O COMPRADOR DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS, JÁ NÃO É ESTIMULANTE POR ESTAR BEM ACIMA DA RENTABILIDADE DAS EMPRESAS E, PORTANTO, NÃO TEM SENTIDO PROPOR MUDANÇAS QUE IMPLICAM EM SEU AUMENTO. A REDUÇÃO DA SELIC JÁ INICIADA É O CAMINHO CORRETO PARA A CONVERGÊNCIA DAS TAXAS. PARA PIORAR O QUADRO, A POLÍTICA DE CONTEÚDO LOCAL É QUESTIONADA PELA EQUIPE ECONÔMICA QUE SUGERE, SIMPLESMENTE, SUA EXTINÇÃO. ESTA EQUIPE ATRIBUI À POLÍTICA DE CONTEÚDO LOCAL CULPAS E RESPONSABILIDADES QUE, NA REALIDADE, SÃO DE OUTREM. NÓS NÃO DEFENDEMOS RESERVAS DE MERCADO, MAS ACREDITAMOS QUE, ENQUANTO NÃO FOREM ELIMINADAS AS ASSIMETRIAS QUE TIRAM A NOSSA COMPETITIVIDADE, ESTE TEMA NÃO DEVERIA ENTRAR NA PAUTA. EM RESUMO, SENHOR PRESIDENTE, O ACÚMULO DE NOTÍCIAS NEGATIVAS NOS DEIXA EM DÚVIDA SE O GOVERNO CHEGA A TER CLARA DIMENSÃO DO RISCO PARA A PRÓPRIA SOBREVIVÊNCIA NÃO SÓ DA INDÚSTRIA FABRICANTE DE BENS DE CAPITAL, MAS TAMBÉM, DE BOA PARTE DA INDÚSTRIA BRASILEIRA OU SE A SOBREVIVÊNCIA DA INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO NÃO ESTÁ ENTRE AS PRIORIDADES DO GOVERNO. ESTA PERGUNTA NÃO É RETÓRICA E TEM QUE SER RESPONDIDA CLARAMENTE E NÃO COM SIMPLES DECLARAÇÕES TRANQUILIZADORAS. TEM QUE SER RESPONDIDA COM AÇÕES QUE CONFIRMEM SE, EFETIVAMENTE, O GOVERNO ENTENDE QUE A INDÚSTRIA BRASILEIRA DE TRANSFORMAÇÃO É INDISPENSÁVEL À CONSTRUÇÃO DE UMA PAÍS DESENVOLVIDO, COM EMPREGOS DE QUALIDADE E DISTRIBUIÇÃO DE RENDA. SE ESTA FOR A RESPOSTA VAI CERTAMENTE CONTAR COM NOSSO ESFORÇO NESTA RECONSTRUÇÃO. VIVEMOS NO MELHOR PAÍS DO MUNDO, ONDE QUASE TUDO ESTÁ POR FAZER. E TEMOS MUITA ESPERANÇA, NÃO DE FICAR ESPERANDO MAS DE FAZER AS COISAS ACONTECEREM, COLABORAR, CONTRIBUIR PARA A SUA CONSTRUÇÃO. ESTA PONTE PARA AO FUTURO QUE ESTÁ SENDO CONSTRUÍDA POR SEU GOVERNO, PRESIDENTE, PRECISA DA INDÚSTRIA PARA ASSEGURAR A RETOMADA DO DESENVOLVIMENTO COM GERAÇÃO DE EMPREGOS E COM DISTRIBUIÇÃO DE RENDA, PARA TERMOS O PAÍS QUE TODOS NOS DESEJAMOS. JOÃO CARLOS MARCHESAN PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
Economia
Ipea aponta que mulheres trabalham 7,5 horas a mais que homens devido à dupla jornada
As mulheres trabalham, em média, 7,5 horas a mais que os homens por semana devido à dupla jornada, de tarefas domésticas e trabalho remunerado. Apesar da taxa de escolaridade delas ser mais alta, a jornada também é. Os dados estão destacados no estudo Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, divulgado hoje (6) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O estudo é feito com base em séries históricas de 1995 a 2015 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Em 2015, a jornada total média das mulheres era de 53,6 horas, enquanto a dos homens era de 46,1 horas. Em relação às atividades não remuneradas, a proporção se manteve quase inalterada ao longo de 20 anos: mais de 90% das mulheres declararam realizar atividades domésticas; os homens, em torno de 50%. “A responsabilidade feminina pelo trabalho de cuidado ainda continua impedindo que muitas mulheres entrem no mercado de trabalho e, ao mesmo tempo, aquelas que entram no mercado continuam respondendo pela tarefas de cuidado, tarefas domésticas. Isso faz com que a gente tenha dupla jornada e sobrecarga de trabalho”, avaliou a especialista em políticas públicas e gestão governamental e uma das autoras do trabalho, Natália Fontoura. Ela explicou que a taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho aumentou muito entre as décadas de 1960 e 1980, mas que nos últimos 20 anos houve uma estabilização. “Parece que as mulheres alcançaram o teto de entrada no mercado de trabalho. Elas não conseguiram superar os 60%, que consideramos um patamar baixo em comparação a muitos países”, disse. Chefes de família e mulheres negras O estudo observou ainda que aumentou o número de mulheres chefiando famílias. Em 1995, 23% dos domicílios tinham mulheres como pessoas de referência. Vinte anos depois, esse número chegou a 40%. As famílias chefiadas por mulheres não são exclusivamente aquelas nas quais não há a presença masculina: em 34% delas havia a presença de um cônjuge. “Muitas vezes, tais famílias se encontram em maior risco de vulnerabilidade social, já que a renda média das mulheres, especialmente a das mulheres negras, continua bastante inferior não só à dos homens, como à das mulheres brancas”, diz o estudo. O Ipea verificou a sobreposição de desigualdades com a desvantagem das mulheres negras no mercado de trabalho. Segundo Natália, apesar de mudanças importantes, como o aumento geral da renda da população ocupada, a hierarquia salarial - homens brancos, mulheres brancas, homens negros, mulheres negras – se mantém. “A desvantagem das mulheres negras é muito pior em muitos indicadores, no mercado de trabalho em especial, mas também na chefia de família e na pobreza. Então, é quando as desigualdades de gênero e raciais se sobrepõem no nosso país”, disse, destacando que a taxa de analfabetismo das mulheres negras é mais que o dobro das mulheres brancas. Entre os homens, a distância é semelhante. Menos jovens domésticas O Ipea destacou também a redução de jovens entre as empregadas domésticas. Em 1995, mais de 50% das trabalhadoras domésticas tinham até 29 anos de idade (51,5%); em 2015, somente 16% estavam nesta faixa de idade. Eram domésticas 18% das mulheres negras e 10% das mulheres brancas no Brasil em 2015. “Nesse últimos 20 anos, podemos ver algumas tendências interessantes, como o aumento da renda das trabalhadoras domésticas. Só que, ainda assim, em 2015, a média do Brasil não alcançou nem o salario mínimo”, disse Natália. Em 2015, a renda das domésticas atingiu o valor médio de R$ 739,00 em 2015, enquanto o salário mínimo, à época era de R$ 788,00. O número de trabalhadoras formalizadas também aumentou, segundo o Ipea. Em 1995, 17,8% tinham carteira e em 2015, a proporção chegou a 30,4%. Mas a análise dos dados da Pnad mostrou uma tendência de aumento na quantidade de diaristas no país. Elas eram 18,3% da categoria em 1995 e chegaram a 31,7% em 2015. Escolaridade entre raças Segundo o Ipea, nos últimos anos, mais brasileiros e brasileiras chegaram ao nível superior. Entre 1995 e 2015, a população adulta negra com 12 anos ou mais de estudo passou de 3,3% para 12%. Entretanto, o patamar alcançado em 2015 pelos negros era o mesmo que os brancos tinham já em 1995. A população branca com o mesmo tempo de estudo que a negra praticamente dobrou nesses 20 anos, variando de 12,5% para 25,9%. O estudo Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça está disponível no site do Ipea.