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Temer miminiza crise da carne, mas China leva a sério e suspende compras que somaram US$ 2 bi
REUTERS _ A China suspendeu temporariamente as importações de carne brasileira, de acordo com uma fonte ouvida pela agência Reuters. A medida foi tomada em decorrência da Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal. A PF lançou na sexta-feira uma operação para desarticular uma organização criminosa envolvendo fiscais agropecuários e empresas do setor. A investigação apontou fraudes na fiscalização sanitária, com o pagamento de propina para liberação de mercadorias adulteradas e estragadas. A fonte, que pediu para não ser identificada por causa da sensibilidade da informação, afirmou que a suspensão das compras de carne brasileira é uma medida de “precaução”. A decisão ocorre após a Coreia do Sul intensificar as fiscalizações de carne de frango importada do Brasil e banir temporariamente as vendas de produtos de frango da BRF, maior produtora de carne de frango do mundo. Procurado por VEJA, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) diz não ter recebido nenhuma notificação formal da China. Abaixo, notícia da Agência Brasil: O presidente Michel Temer disse hoje (20) que os problemas descobertos em frigoríficos pela Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, atingem apenas uma pequena parte do setor. “O agronegócio é para nós uma coisa importantíssima e não pode ser desvalorizado por um pequeno núcleo, uma coisa que será menor: apurável, fiscalizável e punível, se for o caso. Mas não pode comprometer todo o sistema que nós montamos ao longo dos anos. Exportamos para mais de 150 países”, disse a uma plateia de empresários na sede da Câmara Americana de Comércio, na capital paulista. A operação deflagrada na última sexta-feira (17) atingiu algumas das maiores empesas do ramo alimentício do país, como JBS, BRF e Peccin, acusadas de praticar uma série de fraudes para ocultar o uso de matéria-prima vencida ou de qualidade inferior na fabricação dos produtos. Temer destacou que o número de funcionários públicos envolvidos (33) é pequeno em comparação ao tamanho do quadro do Ministério da Agricultura, de mais de 11 mil servidores. “Nós temos sistemas rigorosíssimos de avaliação sanitária aqui no Brasil”, enfatizou o presidente. Os servidores são acusados de receber propina para liberar produtos que não atendiam às normas legais. De acordo com ele, também é pequeno o número de plantas industriais sob suspeita (21), tendo em vista o tamanho do setor, que conta com mais de 4,8 mil estabelecimentos. O presidente mencionou ainda os diversos encontros que teve nos últimos dias, tanto para se inteirar do assunto, quanto para tranquilizar os países importadores de alimentos brasileiros. “Eu tive várias reuniões em Brasília. Primeiro, com os ministros das áreas envolvidas com essa matéria. Depois, com as associações dos produtores de carne da mais variada espécie e com os embaixadores dos países que importam a carne brasileira. E acabamos, muito fraternalmente, comendo um churrasco na noite de ontem com todos os representantes dos países que lá se achavam”, disse. Conversa com Trump Temer comentou sobre o telefonema recebido no último sábado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foi a segunda conversa telefônica entre os dois. “Ambos concordamos em levar adiante uma agenda de investimentos. Tanto que Sua Excelência disse: 'precisamos fazer logo uma reunião aqui nos Estados Unidos ou no Brasil com empresários brasileiros e americanos'”, disse ao explicitar parte do teor do diálogo. Para melhorar o comércio bilateral, o presidente disse que tem buscado reduzir os entraves para importações e exportações no Brasil. “Não sem razão que nós estamos reduzindo a burocracia”, enfatizou.
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FGTS: a partir desta sexta, mais de 4,8 milhões poderão sacar grana das contas inativas
A Caixa Econômica Federal informou que mais de 4,8 milhões de trabalhadores terão direito a sacar o dinheiro das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) a partir desta sexta-feira, 10. Neste mês, segundo o banco estatal, estarão disponíveis R$ 6,96 bilhões, o equivalente a 15,9% do total dos recursos das contas inativas. O pagamento das contas inativas a partir desta sexta-feira será feito para os trabalhadores que nasceram em janeiro e fevereiro. De acordo com a Caixa, cerca de 1,65 milhão (ou 34%) terão o dinheiro automaticamente creditado nas contas da Caixa na sexta. Outros 1,2 milhão de trabalhadores (25%) poderão sacar o dinheiro com o Cartão Cidadão nos terminais de autoatendimento, lotéricas e Correspondentes Caixa Aqui. Os demais precisarão ir a uma das agências da Caixa para sacar os recursos. Valores até R$ 1,5 mil podem ser sacados no autoatendimento, somente com a senha do Cartão Cidadão. Para valores até R$ 3 mil, o saque pode ser realizado com o Cartão do Cidadão e senha no autoatendimento, lotéricas e correspondentes Caixa. Acima de R$ 3 mil, os saques devem ser feitos nas agências da Caixa. Para facilidade no atendimento, os trabalhadores devem sempre ter em mãos o documento de identificação e Carteira de Trabalho, ou outro documento que comprove a rescisão de seu contrato. Para valores acima R$ 10 mil é obrigatória a apresentação de tais documentos. "A orientação para os trabalhadores é que não tenham pressa em sacar. Não é necessário uma corrida às agências. Todos serão necessariamente atendidos até o final do calendário", orientou a vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa, Deusdina Pereira. A janela de pagamentos dos recursos das contas inativas se encerra em 31 de julho. Tem direito a retirar os recursos das contas inativas o trabalhador que pediu demissão ou foi demitido por justa causa até 31 de dezembro de 2015, respeitado o calendário publicado pelo banco. Ao todo, 30,2 milhões de brasileiros têm R$ 43,6 bilhões nas contas inativas que podem ser sacados. A expectativa do governo é que sejam injetados mais de R$ 30 bilhões na economia. Antes, o trabalhador somente poderia sacar caso permanecesse três anos fora do regime do FGTS ou em caso de aposentadoria, utilização para moradia ou doenças previstas em lei. As demais regras de saque das contas ativas (vinculadas aos emprego atual) não sofreram modificação, ou seja, o saque de contrato de trabalho vigente só pode ocorrer nos casos de demissão sem justa causa, moradia própria ou aposentadoria, por exemplo. O pagamento das contas inativas será realizado a partir de 10 de março e vai até o dia 31 de julho deste ano, de acordo com o mês de aniversário do trabalhador. Os trabalhadores nascidos em março, abril e maio receberão a partir do dia 10 de abril; nascidos em junho, julho e agosto, a partir de 12 de maio; quem faz aniversário em setembro, outubro e novembro, a partir de 16 de junho; os trabalhadores nascidos em dezembro, a partir de 14 de junho. Agências A Caixa vai abrir 1.841 agências (54% do total) no sábado, dia 11 de março, e nos sábados dias 13 de maio, 17 de junho e 15 de julho para atendimentos relacionados ao FGTS: realizar pagamento, solucionar dúvidas, promover acertos de cadastro dos trabalhadores e emitir senha do Cartão Cidadão. A relação das agências está no site da Caixa. Além disso, está prevista a abertura antecipada (2 horas antes) de todas as agências nos dias 10, 13 e 14 de março para pagamento exclusivo de contas inativas do FGTS.
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No melhor fevereiro da história, exportações de carros fabricados no Brasil somam US$ 1,18 bilhão
As montadoras de veículos instaladas no Brasil ampliaram em 46,1% o valor das exportações em fevereiro sobre janeiro, alcançando US$ 1,18 bilhão. No encerramento do primeiro bimestre, houve elevação de 46,4%, somando US$ 1,99 bilhão. Mas, nos últimos 12 meses, as vendas externas ainda se mantêm em baixa de 0,4%. Para o setor, este foi o melhor fevereiro na história. Os dados foram divulgados hoje (7) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A produção cresceu 14,7% na comparação com janeiro e 28,1% nos dois primeiros meses deste ano com um total de 200,4 mil veículos. Em 12 meses, a produção acusa queda de 3,1%. Vendidos 135,7 mil veículos Em relação ao mercado interno, no entanto, houve retração de 7,8% em fevereiro na comparação com janeiro. Foram comercializados 135,7 mil veículos, número 7,6% menor que o de fevereiro de 2016. No bimestre, os licenciamentos caíram 6,4% e, nos últimos meses, 16,5%. O presidente da Anfavea), Antonio Megale, disse que os “números não foram bons porque ficaram abaixo do esperado”. Para ele, o mercado ainda está fraco e foi afetado em parte pelos feriados do carnaval e pela crise que atingiu o Rio de Janeiro e o Espírito Santo. O executivo considerou expressivas as exportações que obtiveram o melhor desempenho da história.
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No Conselhão, presidente da Abimaq pergunta a Temer se ele quer mesmo o crescimento da indústria nacional
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas (Abimaq), João Carlos Marchesan, leu um duro discurso dirigido ao presidente Michel Temer, nesta terça-feira 7, durante a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão. Marchesan questionou as reais intenções do governo frente a indústria nacional, considerando  uma desfaçatez declarações de integrantes da equipe econômica contra a política de conteúdo nacional e, ainda, a possibilidade de o BNDES elevar a Taxa de Juros de Longo Prazo. "O acúmulo de notícias negativas nos deixa em dúvida se o governo chega a ter clara dimensão do risco para a própria sobrevivência, não só da indústria fabricante de bens de capital, mas também, em boa parte, da indústria brasileira", afirmou Marchesan. "Ou, talvez, a sobrevivência da indústria de transformação não esteja entre as prioridades do governo", arrematou Abaixo, a íntegra do pronunciamento do presidente da Abimar, no Conselhão, nesta terça-feira 7: DESDE QUE O SENHOR EFETIVAMENTE ASSUMIU A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, TIVEMOS A CLARA PERCEPÇÃO DE UM PRESIDENTE CORAJOSO, QUE PEGOU O BRASIL NA SUA PIOR CRISE DOS ÚLTIMOS 80 ANOS, E ESTÁ ENFRENTANDO OS PROBLEMAS COM COMPETÊNCIA E DIGNIDADE. O CONTROLE DOS GASTOS PÚBLICOS, JÁ IMPLANTADO, E AS REFORMAS DA PREVIDÊNCIA, TRABALHISTA E TRIBUTÁRIA, EM ANDAMENTO, AUMENTAM A CONFIANÇA DE QUEM PRODUZ NESTE PAÍS. NO ENTANTO, É FATO QUE MILHARES DE EMPRESAS FECHARAM SUAS PORTAS E OUTRAS TANTAS ESTÃO TRILHANDO O MESMO CAMINHO. O DESEMPREGO ALCANÇA CERCA DE TREZE MILHÕES DE PESSOAS E O AMBIENTE SOCIAL MOSTRA SINAIS PERIGOSOS DE INSTABILIDADE. NO NOSSO CASO, O FATURAMENTO DAS INDÚSTRIAS FABRICANTES DE BENS DE CAPITAL, NO ANO PASSADO, FOI REDUZIDO PRATICAMENTE À METADE DO OBTIDO EM 2013, COM ÓBVIAS CONSEQUÊNCIAS PARA A SAÚDE FINANCEIRA DAS EMPRESAS. É CHEGADO O TEMPO, PORTANTO, DO GOVERNO COMEÇAR A DEDICAR O MESMO EMPENHO E OS MESMOS RECURSOS QUE FORAM DISPENSADOS AO CONTROLE DOS GASTOS, ÀS MEDIDAS NECESSÁRIAS PARA A RETOMADA DO CRESCIMENTO. O CRESCIMENTO NÃO VIRÁ SIMPLESMENTE COMO DECORRÊNCIA DO NECESSÁRIO AJUSTE FISCAL E DO CONTROLE DA INFLAÇÃO. INFELIZMENTE NÃO É O QUE ESTAMOS VENDO. O TESOURO, APESAR DA QUEDA DA SELIC, CONTINUA PAGANDO AOS APLICADORES EM TÍTULOS PÚBLICOS UM JURO REAL ELEVADÍSSIMO QUE MANTÉM A TENDÊNCIA DE ALTA DA DÍVIDA PÚBLICA. OS JUROS DE MERCADO, QUE AFETAM DIRETAMENTE EMPRESAS E CONSUMIDORES, EMBUTEM “SPREADS” DE ATÉ TRÊS DÍGITOS, O CÂMBIO ESTÁ NUM PATAMAR QUE, ALÉM DE TIRAR COMPLETAMENTE NOSSA COMPETITIVIDADE NA EXPORTAÇÃO, VOLTA A SUBSIDIAR AS IMPORTAÇÕES. SEM DIZER QUE O CRÉDITO CONTINUA EXTREMAMENTE DIFÍCIL. AS MEDIDAS VOLTADAS DIRETAMENTE AO SETOR PRODUTIVO SÃO CLARAMENTE INSUFICIENTES. POR EXEMPLO, O “PROGRAMA DE REGULARIZAÇÃO TRIBUTÁRIA - PRT” NÃO ATENDE MINIMANTE ÀS NECESSIDADES DAS PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS E IMPEDE A NORMALIZAÇÃO DAS DÍVIDAS TRIBUTÁRIAS DEIXANDO A MAIORIA DE NÓS INDUSTRIAIS À MARGEM DA LEGALIDADE FISCAL E SEM POSSIBILIDADE DE ACESSO A FINANCIAMENTOS COMPETITIVOS, NECESSÁRIOS QUANDO FINALMENTE VOLTARMOS A CRESCER. HÁ UM AMPLO CONSENSO DE QUE A RETOMADA DO CRESCIMENTO PASSA OBRIGATORIAMENTE PELOS INVESTIMENTOS E PELAS EXPORTAÇÕES. É, PORTANTO, COM SURPRESA QUE ACOMPANHAMOS, AO LONGO DAS ÚLTIMAS SEMANAS, NOTÍCIAS VEICULADAS PELOS PRINCIPAIS ÓRGÃOS DA MÍDIA BRASILEIRA, DANDO CONTA DE ESTUDOS DA EQUIPE ECONÔMICA PARA MUDAR O CALCULO DA TJLP - TAXA DE JUROS DE LONGO PRAZO, UTILIZADA PELO BNDES COMO TAXA BÁSICA PARA FINANCIAR OS INVESTIMENTOS. A FORTE REDUÇÃO NA DEMANDA DE RECURSOS DO BNDES PROVA QUE O CUSTO ATUAL DOS FINANCIAMENTOS , HOJE DA ORDEM DE 14 A 15% A.A. PARA O COMPRADOR DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS, JÁ NÃO É ESTIMULANTE POR ESTAR BEM ACIMA DA RENTABILIDADE DAS EMPRESAS E, PORTANTO, NÃO TEM SENTIDO PROPOR MUDANÇAS QUE IMPLICAM EM SEU AUMENTO. A REDUÇÃO DA SELIC JÁ INICIADA É O CAMINHO CORRETO PARA A CONVERGÊNCIA DAS TAXAS. PARA PIORAR O QUADRO, A POLÍTICA DE CONTEÚDO LOCAL É QUESTIONADA PELA EQUIPE ECONÔMICA QUE SUGERE, SIMPLESMENTE, SUA EXTINÇÃO. ESTA EQUIPE ATRIBUI À POLÍTICA DE CONTEÚDO LOCAL CULPAS E RESPONSABILIDADES QUE, NA REALIDADE, SÃO DE OUTREM. NÓS NÃO DEFENDEMOS RESERVAS DE MERCADO, MAS ACREDITAMOS QUE, ENQUANTO NÃO FOREM ELIMINADAS AS ASSIMETRIAS QUE TIRAM A NOSSA COMPETITIVIDADE, ESTE TEMA NÃO DEVERIA ENTRAR NA PAUTA. EM RESUMO, SENHOR PRESIDENTE, O ACÚMULO DE NOTÍCIAS NEGATIVAS NOS DEIXA EM DÚVIDA SE O GOVERNO CHEGA A TER CLARA DIMENSÃO DO RISCO PARA A PRÓPRIA SOBREVIVÊNCIA NÃO SÓ DA INDÚSTRIA FABRICANTE DE BENS DE CAPITAL, MAS TAMBÉM, DE BOA PARTE DA INDÚSTRIA BRASILEIRA OU SE A SOBREVIVÊNCIA DA INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO NÃO ESTÁ ENTRE AS PRIORIDADES DO GOVERNO. ESTA PERGUNTA NÃO É RETÓRICA E TEM QUE SER RESPONDIDA CLARAMENTE E NÃO COM SIMPLES DECLARAÇÕES TRANQUILIZADORAS. TEM QUE SER RESPONDIDA COM AÇÕES QUE CONFIRMEM SE, EFETIVAMENTE, O GOVERNO ENTENDE QUE A INDÚSTRIA BRASILEIRA DE TRANSFORMAÇÃO É INDISPENSÁVEL À CONSTRUÇÃO DE UMA PAÍS DESENVOLVIDO, COM EMPREGOS DE QUALIDADE E DISTRIBUIÇÃO DE RENDA. SE ESTA FOR A RESPOSTA VAI CERTAMENTE CONTAR COM NOSSO ESFORÇO NESTA RECONSTRUÇÃO. VIVEMOS NO MELHOR PAÍS DO MUNDO, ONDE QUASE TUDO ESTÁ POR FAZER. E TEMOS MUITA ESPERANÇA, NÃO DE FICAR ESPERANDO MAS DE FAZER AS COISAS ACONTECEREM, COLABORAR, CONTRIBUIR PARA A SUA CONSTRUÇÃO. ESTA PONTE PARA AO FUTURO QUE ESTÁ SENDO CONSTRUÍDA POR SEU GOVERNO, PRESIDENTE, PRECISA DA INDÚSTRIA PARA ASSEGURAR A RETOMADA DO DESENVOLVIMENTO COM GERAÇÃO DE EMPREGOS E COM DISTRIBUIÇÃO DE RENDA, PARA TERMOS O PAÍS QUE TODOS NOS DESEJAMOS. JOÃO CARLOS MARCHESAN PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
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Ipea aponta que mulheres trabalham 7,5 horas a mais que homens devido à dupla jornada
As mulheres trabalham, em média, 7,5 horas a mais que os homens por semana devido à dupla jornada, de tarefas domésticas e trabalho remunerado. Apesar da taxa de escolaridade delas ser mais alta, a jornada também é. Os dados estão destacados no estudo Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, divulgado hoje (6) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O estudo é feito com base em séries históricas de 1995 a 2015 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Em 2015, a jornada total média das mulheres era de 53,6 horas, enquanto a dos homens era de 46,1 horas. Em relação às atividades não remuneradas, a proporção se manteve quase inalterada ao longo de 20 anos: mais de 90% das mulheres declararam realizar atividades domésticas; os homens, em torno de 50%. “A responsabilidade feminina pelo trabalho de cuidado ainda continua impedindo que muitas mulheres entrem no mercado de trabalho e, ao mesmo tempo, aquelas que entram no mercado continuam respondendo pela tarefas de cuidado, tarefas domésticas. Isso faz com que a gente tenha dupla jornada e sobrecarga de trabalho”, avaliou a especialista em políticas públicas e gestão governamental e uma das autoras do trabalho, Natália Fontoura. Ela explicou que a taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho aumentou muito entre as décadas de 1960 e 1980, mas que nos últimos 20 anos houve uma estabilização. “Parece que as mulheres alcançaram o teto de entrada no mercado de trabalho. Elas não conseguiram superar os 60%, que consideramos um patamar baixo em comparação a muitos países”, disse. Chefes de família e mulheres negras O estudo observou ainda que aumentou o número de mulheres chefiando famílias. Em 1995, 23% dos domicílios tinham mulheres como pessoas de referência. Vinte anos depois, esse número chegou a 40%. As famílias chefiadas por mulheres não são exclusivamente aquelas nas quais não há a presença masculina: em 34% delas havia a presença de um cônjuge. “Muitas vezes, tais famílias se encontram em maior risco de vulnerabilidade social, já que a renda média das mulheres, especialmente a das mulheres negras, continua bastante inferior não só à dos homens, como à das mulheres brancas”, diz o estudo. O Ipea verificou a sobreposição de desigualdades com a desvantagem das mulheres negras no mercado de trabalho. Segundo Natália, apesar de mudanças importantes, como o aumento geral da renda da população ocupada, a hierarquia salarial - homens brancos, mulheres brancas, homens negros, mulheres negras – se mantém. “A desvantagem das mulheres negras é muito pior em muitos indicadores, no mercado de trabalho em especial, mas também na chefia de família e na pobreza. Então, é quando as desigualdades de gênero e raciais se sobrepõem no nosso país”, disse, destacando que a taxa de analfabetismo das mulheres negras é mais que o dobro das mulheres brancas. Entre os homens, a distância é semelhante. Menos jovens domésticas O Ipea destacou também a redução de jovens entre as empregadas domésticas. Em 1995, mais de 50% das trabalhadoras domésticas tinham até 29 anos de idade (51,5%); em 2015, somente 16% estavam nesta faixa de idade. Eram domésticas 18% das mulheres negras e 10% das mulheres brancas no Brasil em 2015. “Nesse últimos 20 anos, podemos ver algumas tendências interessantes, como o aumento da renda das trabalhadoras domésticas. Só que, ainda assim, em 2015, a média do Brasil não alcançou nem o salario mínimo”, disse Natália. Em 2015, a renda das domésticas atingiu o valor médio de R$ 739,00 em 2015, enquanto o salário mínimo, à época era de R$ 788,00. O número de trabalhadoras formalizadas também aumentou, segundo o Ipea. Em 1995, 17,8% tinham carteira e em 2015, a proporção chegou a 30,4%. Mas a análise dos dados da Pnad mostrou uma tendência de aumento na quantidade de diaristas no país. Elas eram 18,3% da categoria em 1995 e chegaram a 31,7% em 2015. Escolaridade entre raças Segundo o Ipea, nos últimos anos, mais brasileiros e brasileiras chegaram ao nível superior. Entre 1995 e 2015, a população adulta negra com 12 anos ou mais de estudo passou de 3,3% para 12%. Entretanto, o patamar alcançado em 2015 pelos negros era o mesmo que os brancos tinham já em 1995. A população branca com o mesmo tempo de estudo que a negra praticamente dobrou nesses 20 anos, variando de 12,5% para 25,9%. O estudo Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça está disponível no site do Ipea.
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Herdeiros também podem sacar grana de conta inativa do FGTS
Rio - A partir da próxima sexta-feira, começa o calendário de saques das contas inativas do FGTS. Mais de 10 milhões de brasileiros poderão retirar cerca de R$ 30 bilhões dessas contas, segundo estimativas do governo. Tem direito a fazer a retirada, o trabalhador que pediu desligamento da empresa ou foi demitido por justa causa até 31 de dezembro de 2015. O que muitos desconhecem é que dependentes de titulares de contas inativas também podem tirar o dinheiro na Caixa Econômica Federal, gestora do FGTS. “Em caso de falecimento do titular, os herdeiros têm direito a sacar o valor. Neste caso, deve ser preenchida solicitação de saque do FGTS na agência da Caixa Econômica Federal”, informou o advogado Marcellus Amorim, especialista nas áreas Cível e Trabalhista. Ao dar entrada no pedido no banco, o dependente deverá apresentar uma declaração de dependência econômica, caso não exista um inventário deixado pelo falecido indicando a divisão de bens. “O documento (a declaração de dependência econômica) é emitido pelo INSS, e pode ser impressa pelo site www.previdencia.gov.br”, informa Amorim. O advogado acrescenta que outros documentos do trabalhador que morreu também devem ser juntados para ir à Caixa, como certidão de óbito, cartão cidadão, carteira de trabalho, inscrição do contribuinte no INSS, identidade, CPF, cartão do PIS/Pasep e identidade e CPF do requerente. Se o dependente não tiver toda papelada que é exigida para fazer a retirada, ele pode dar entrada em juízo e conseguir um alvará judicial ou escritura pública de inventário, obedecendo a ordem sucessória. “No caso de herdeiros menores de idade, os recursos serão partilhados e depositados em caderneta de poupança de titularidade destes dependentes, mediante apresentação da identidade e CPF dos filhos, se houver,somente após completarem 18 anos, quando poderão acessar os recursos da poupança, acrescenta o advogado Marcelo Stutz. Calendário de saques Quem faz aniversário em janeiro e fevereiro vai poder sacar o dinheiro a partir do dia 10 de março. Para os aniversários em março, abril e maio, a retirada será liberada a partir de 10 de abril. Em junho, julho e agosto, a partir de 12 de maio. Para os aniversariantes de setembro, outubro e novembro, o saque será a partir do dia 16 de junho e quem nasceu em dezembro poderá sacar a partir de 14 de julho. O limite para os trabalhadores retirarem o dinheiro é 31 de julho. Para quem tem conta na Caixa Econômica Federal, os valores serão depositados automaticamente. Para as outras pessoas, os saques serão feitos no autoatendimento da Caixa, nas agências e até nas lotéricas. Vale ressaltar que não será cobrado o IR sobre os valores das contas inativas do FGTS dos trabalhadores com direito ao saque. “Na declaração ao Fisco de 2018 esses recursos devem ser informados como valores não tributáveis”, informa Stutz. Agências do  banco vão abrir no dia 11 Algumas agências da Caixa Econômica Federal vão abrir aos sábados para atender os trabalhadores que estão com dúvidas sobre as contas inativas do FGTS. Em todo estado, das 164 unidades que vão funcionar, 78 ficam na capital. As agências funcionarão em 11 de março, 13 de maio, 17 de junho e 15 de julho. O horário de funcionamento será das 9h às 15h. Para verificar qual unidade da Caixa abre no sábado, é necessário entrar no site das contas inativas (www.caixa.gov.br/contasinativas), clicar no link de canais de atendimento, selecionar agências com horários e dias diferenciados. Depois é preciso escrever a cidade e o bairro, para localizar o banco mais próximo. Foi nesse link que o servidor público Mauro Calil, 47 anos, morador de Copacabana, verificou quanto tinha a receber. “Como faço aniversário em janeiro, vou poder retirar os R$ 185 que tenho na conta inativa”, diz Calil. “Com esse ‘dinheirão’ vou comprar um lanche e ainda tomar uma casquinha de sorvete”, se diverte.
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Quem mente? Meirelles diz que recessão passou, mas desemprego aumenta pelo 22º mês seguido
Pelo 22º mês seguido, mais pessoas foram demitidas do que contratadas com carteira assinada. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado hoje (3) pelo Ministério do Trabalho, o país fechou 40.864 postos formais de trabalho em janeiro. O número leva em conta a diferença entre admissões e demissões. A última vez em que o Caged registrou saldo positivo foi em março de 2015, quando 19,2 mil vagas haviam sido criadas. Apesar do desempenho negativo em janeiro, o saldo foi melhor que no mesmo mês de 2015 e 2016, quando haviam sido extintas 99.694 e 81.744 vagas, respectivamente. Nos 12 meses encerrados em janeiro, o país acumula o fechamento de 1,28 milhão de postos formais de trabalho. Em 2016, o país extinguiu 1,32 milhão de vagas com carteira assinada, com pequena melhora em relação a 2015, quando 1,54 milhão de empregos haviam sido extintos. Comércio lidera demissões Na divisão por setores da economia, o comércio foi o que mais demitiu em janeiro, com 60.075 vagas encerradas. Na sequência, os setores de serviços, com 9.525 postos extintos, e a construção civil, com 775 empregos a menos. A indústria extrativa mineral fechou 59 vagas em janeiro. Os números, no entanto, apontam sinais de recuperação do emprego em outros setores. A indústria de transformação, que vinha demitindo nos últimos anos, abriu 17.501 vagas em janeiro. A agricultura gerou 10.663 postos de trabalho. Na administração pública, as contratações superaram as demissões em 671 empregos. Nordeste Na comparação por regiões, o Nordeste liderou as demissões, com extinção de 40.803 postos de trabalho em janeiro. Em seguida, vêm as regiões Sudeste (-30.388 vagas) e Norte (-6.835). O Sul liderou a criação de empregos, com 24.391 vagas abertas, seguido pelo Centro-Oeste, com 12.771 novos postos formais. De acordo com o Caged, nove estados fecharam janeiro com criação de empregos. O destaque foi Santa Catarina, com aumento de 11.284 vagas formais, principalmente nos setores de indústria da transformação, serviços e construção civil. Em seguida, Mato Grosso, com acréscimo de 10.010 vagas, que se concentraram na agropecuária e nos serviços. Os estados que mais fecharam postos formais de trabalho foram o Rio de Janeiro (-26.472) e Pernambuco (-13.910).
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Juros: Copom indica que pode cortar com mais força
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) pode intensificar o ritmo de cortes na taxa básica de juros (Selic). A indicação da nova estratégia consta da ata da última reunião do comitê, divulgada hoje (2). No último dia 22, o Copom anunciou o quarto corte seguido na taxa. Por unanimidade, o comitê reduziu a Selic em 0,75 ponto percentual, de 13% ao ano para 12,25% ao ano. Com a recessão econômica e as expectativas de inflação em queda, o comitê indica que os próximos cortes podem ser maiores do que o da reunião passada de 0,75 ponto percentual. “Com expectativas de inflação ancoradas, projeções de inflação na meta para 2018 e marginalmente abaixo da meta para 2017, e elevado grau de ociosidade na economia, o cenário básico do Copom prescreve antecipação do ciclo de distensão da política monetária [redução da Selic]”, diz a ata. A projeção de inflação do Copom para 2017 caiu em relação à estimativa prevista em janeiro e ficou em torno de 4,2%, abaixo do centro da meta de 4,5%. Para o próximo ano está ao redor de 4,5%. Para instituições financeiras consultadas pelo BC, a inflação ficará em 4,36%, em 2017 e em 4,5% em 2018. Na ata, o Copom diz também que se os cortes forem maiores, o ciclo de redução da Selic (período de cortes) pode ser menor. Ou seja, em vez de ir cortando a Selic aos poucos a cada reunião, o Copom pode fazer reduções maiores na taxa em um período menor de tempo. As reuniões do Copom ocorrem aproximadamente a cada 45 dias. A próxima reunião está marcada para os dias 11 e 12 de abril. O Copom ressalta que a aprovação e implementação de reformas fiscais são fundamentais para a sustentabilidade da desinflação e para a redução da taxa de juros ao longo do tempo. “Por fim, os membros do Copom destacaram a importância de outras reformas e investimentos em infraestrutura que visam ao aumento de produtividade, a ganhos de eficiência, maior flexibilidade da economia e melhoria do ambiente de negócios. Estes esforços são fundamentais para a estabilização e retomada da atividade econômica e da trajetória de desenvolvimento da economia brasileira”, diz a ata. A redução da taxa Selic estimula a economia porque juros menores impulsionam a produção e o consumo em um cenário de baixa atividade econômica. Segundo o boletim Focus, os analistas econômicos projetam crescimento de apenas 0,48% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos pelo país) em 2017. No ano passado, a economia registrou retração. De acordo com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), a queda ficou em 4,34%. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vai divulgar o PIB de 2016 no próximo dia 7. O PIB (Produto Interno Bruto) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país A taxa básica é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda, que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Quando reduz os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação.
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Coerente, BC ataca Selic em 0,75 ponto, para 12,25%; Força vê timidez; nota
Pela quarta vez seguida, o Banco Central (BC) baixou os juros básicos da economia. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu hoje (22) a taxa Selic em 0,75 ponto percentual, de 13% ao ano para 12,25% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas financeiros. Com a redução de hoje, a Selic retorna ao nível de março de 2015, quando também estava em 12,25% ao ano. De outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25% ao ano, no menor nível da história, e passou a ser reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho de 2015. Somente em outubro do ano passado, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia. Em comunicado, o Copom informou que a inflação está perdendo força em todos os setores da economia, com ajuda dos alimentos. “O comportamento da inflação permanece favorável. O processo de desinflação é mais difundido e indica desinflação nos componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária. Houve ainda uma retomada na desinflação dos preços de alimentos, que constitui choque de oferta favorável”, destacou. De acordo com a nota, o Banco Central admitiu que algumas projeções internas baseadas nas estimativas das instituições financeiras podem abrir espaço para os juros básicos caírem quase três pontos percentuais até o fim do ano. “No cenário de mercado, as projeções do Copom recuaram para em torno de 4,2% em 2017 e mantiveram-se ao redor de 4,5% para 2018. Esse cenário embute hipótese de trajetória de juros que alcança 9,5% e 9% [ao ano] ao final de 2017 e 2018, respectivamente”, acrescentou o texto. A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA ficou em 0,38% em janeiro, o menor nível registrado para o mês desde o início da série, em 1979. Nos 12 meses terminados em janeiro, o IPCA acumula 5,35%. Até o ano passado, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelecia meta de inflação de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos, podendo chegar a 6,5%. Para 2017, o CMN reduziu a margem de tolerância para 1,5 ponto percentual. A inflação, portanto, não poderá superar 6% neste ano. Inflação No Relatório de Inflação, divulgado no fim de dezembro pelo Banco Central, a autoridade monetária estimava que o IPCA encerre 2017 em 4,4%. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 4,43%. Até agosto do ano passado, o impacto de preços administrados, como a elevação de tarifas públicas, e o de alimentos, como feijão e leite, contribuiu para a manutenção dos índices de preços em níveis altos. De lá para cá, no entanto, a inflação começou a desacelerar por causa da recessão econômica e da queda do dólar. A redução da taxa Selic estimula a economia porque juros menores impulsionam a produção e o consumo num cenário de baixa atividade econômica. Segundo o boletim Focus, os analistas econômicos projetam crescimento de apenas 0,48% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos pelo país) em 2016. No último Relatório de Inflação, o BC reduziu a estimativa de expansão da economia para 0,8% este ano. A taxa é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Quando reduz os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Abaixo, nota da central Força Sindical: Queda tímida e frustrante A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) de reduzir a taxa Selic em apenas 0,75 ponto percentual é muito tímida e frustrante. Infelizmente, a taxa básica de juros continua em patamares proibitivos. O governo perdeu uma ótima oportunidade de sinalizar, para o setor produtivo, que gera emprego e renda, que o País não bajula mais o rentismo. Juro estratosférico é uma forma de concentrar cada vez mais renda nas mãos de banqueiros e especuladores. O governo precisa entender que a taxa de juros estratosférica, além de encarecer o crédito para consumo e para investimentos, causa mais desemprego, queda de renda e piora o cenário de recessão da economia. É importante destacar que esta política de juros altos derruba a atividade econômica e diminui a capacidade de consumo das famílias. E, ainda, reduz a confiança e os investimentos, o que compromete ainda mais a capacidade de crescimento econômico futuro. Defendemos a imediata redução da taxa de juros e a implementação de políticas que priorizem a retomada do investimento, o crescimento da economia, a geração de empregos, a redução da desigualdade social, o combate à pobreza e a distribuição de renda. Paulo Pereira da Silva (Paulinho da Força) Presidente da Força Sindical
Economia
Acredite se quiser: “A recessão já terminou”, garante Meirelles
A melhora das perspectivas em relação à economia brasileira — expectativa de inflação e juros em queda, além de sinais de recuperação da produção industrial — levou ontem o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a afirmar que a recessão acabou e o Brasil entrou na rota do crescimento econômico. Meirelles observou, no entanto, que o país ainda sofre as consequências da crise. — O Brasil hoje já está crescendo. Isso é muito importante, porque todos nós passamos por um momento muito difícil, quando o Brasil enfrentou a maior recessão de sua História. Mas a mensagem importante é que essa recessão já terminou. Vivemos ainda as consequências dela em muitos aspectos. Ela foi longa, difícil, dura, gerou esse número de desempregados, mas o Brasil já começou a crescer — disse Meirelles, em reunião no Palácio do Planalto com deputados da Comissão Especial da Previdência. Em dezembro, a produção industrial registrou crescimento de 2,3% frente ao mês anterior. Foi a segunda alta consecutiva. Com relação à inflação, as projeções do mercado financeiro, apuradas pelo boletim Focus, do Banco Central, já apontam o IPCA em 4,43% no fim deste ano, abaixo da meta oficial do governo, de 4,5%. Isso permitirá um corte maior na taxa básica de juros, hoje em 13% ao ano, e a redução da meta de inflação. Meirelles ressaltou que as medidas de ajuste fiscal, como a fixação de um teto para os gastos públicos, melhoraram a percepção dos investidores nacionais e estrangeiros em relação ao Brasil. Segundo o ministro, a economia entrou em rota de crescimento sustentável. Ele disse ainda que a confiança na retomada econômica do Brasil é “impressionante”: — A confiança no Brasil, posso descrever como impressionante. Uma série impressionante de medidas tomadas por esse governo, e também pelo Congresso, já colocou o Brasil em outro clima. O Brasil hoje já é visto de forma diferente no mundo inteiro. Muitas vezes até mais positiva do que aqui. Meirelles e o presidente Michel Temer ressaltaram a importância de reformar o sistema de aposentadorias. Reforçando o clima positivo, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) atingiu ontem seu maior patamar em quase seis anos. Graças à recuperação dos preços das commodities ,o Ibovespa subiu 0,76%, aos 69.052 pontos, a maior pontuação desde 6 de abril de 2011. Já o dólar comercial avançou 0,06%, a R$ 3,092. As ações preferenciais (PN, sem direito a voto) da Petrobras tiveram valorização de 1,06%, cotadas a R$ 16,09, e as ordinárias (ON, com voto) subiram 0,46%, a R$ 17,16. A alta foi puxada pelo petróleo: o barril do tipo Brent subiu 0,85%, a US$ 56,66. MEDIDAS DESBUROCRATIZANTES Para dar seguimento à agenda positiva, o governo prepara um conjunto de medidas desburocratizantes, para melhorar o ambiente de negócios e facilitar o acesso ao crédito para pequenas e médias empresas. A ideia é que o prazo para o fechamento de empresas, por exemplo, caia dos atuais 90 para cinco dias. Isso deve ocorrer com a unificação das obrigações de quatro órgãos: Receita Federal, INSS, Caixa Econômica Federal e Ministério do Trabalho. Ainda deve sair do papel o portal único de comércio exterior, substituindo o Siscomex. E seria criada a duplicata eletrônica, um tipo de recebível que poderá ser utilizado como garantia de empréstimos por pequenas e médias empresas. Outra medida é a implementação da nota fiscal eletrônica, a exemplo do e-Social. Ela deve entrar em fase de testes em julho