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Fim da desoneração da folha de salários: mais desemprego, dizem empresários; Skaf bajula Temer
Líderes empresariais de setores que perderam o benefício da desoneração da folha de salário classificaram como “desastrosa” a decisão do governo. Segundo eles, haverá aumento de custos, com impacto negativo tanto na geração de empregos, quanto nas exportações. Alguns preveem até fechamento de empresas, que já haviam feito seu planejamento financeiro com alíquotas menores de impostos a que tinham direito. Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Fernando Pimentel, o fim abrupto da desoneração do setor nada mais é do que a utilização do velho método para fechar rombos das contas do governo: aumentar impostos sobre a produção. A decisão, diz ele, vai contra o discurso do governo de aumentar a eficiência do Estado, com corte de gastos, para equilibrar as finanças. — Reconhecemos a gravidade da situação das contas públicas, mas não é onerando a produção que vamos promover a retomada econômica. O fim da desoneração é lamentável, mostra que o Estado continua inchado e que, em vez de melhorar sua eficiência, recorre à forma mais fácil de fechar as contas. Fica difícil acreditar no governo — disparou. O setor têxtil emprega 1,5 milhão de trabalhadores, fechou 130 mil vagas nos últimos dois anos e começou 2017 abrindo 12,8 mil novos postos. A expectativa, em janeiro, era que a produção crescesse 1% este ano. Agora, diz, essa projeção será revista. O presidente da federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, elogiou “a sensibilidade” do governo e do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, em não optar pela criação ou aumento de impostos. — O bom senso prevaleceu, e optou-se por contingenciar recursos do Orçamento, receita de concessão de ativos da União e promover a isonomia na forma de recolhimento de algumas contribuições e impostos. Foi uma medida sensata e responsável, que evita um mal maior — disse Skaf, esquivando-se de comentar o fim da desoneração de importantes setores da indústria, como a têxtil e de calçados. O presidente da Abicalçados, Heitor Klein, disse que o setor vinha sendo beneficiado pelo dólar mais forte, no ano passado, o que tornava os preços para exportação mais competitivos. Agora, observa, o câmbio mudou, e o fim da desoneração agrava a situação do setor: — O governo está diante de um impasse. Precisa melhorar a arrecadação e não pode provocar danos aos setores que geram empregos e impostos, como o de calçados. Cortar esse benefício de forma radical é um retrocesso. Segundo o empresário, o governo deveria ter aberto negociações em torno do assunto, uma vez que setores que não exportam nem empregam maciçamente tinham sido beneficiados: — Nosso setor tem 305 mil trabalhadores diretos e emprega cerca de 520 mil em toda cadeia. A supressão integral desse benefício terá um impacto negativo, com redução do emprego. CUSTO R$ 350 MILHÕES MAIOR O presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz, estima que o fim da desoneração aumenta o custo do setor em R$ 350 milhões por ano: — O setor de aviação enfrenta 19 meses de retração da demanda. Em 2016, oito milhões de passageiros deixaram de voar. O empresário Marco Stefanini, sócio da Stefanini, multinacional brasileira do ramo de tecnologia da informação, diz que o impacto para o setor será “catastrófico e injusto”. Para ele, a medida acaba incentivando a informalidade no setor. — A mudança prejudica a empresa e o funcionário, já que estimula os contratos de pessoa jurídica — diz Stefanini, cujo setor tinha alíquota de 4,5%, e, com a desoneração, essa carga dobra. — Com isso, o governo vai matar várias empresas do setor. No varejo, a mudança também desagradou. O assessor econômico da Fecomércio/SP, José Lázaro de Sá, disse que o ganho será muito pequeno em relação ao déficit total.
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Ipea vê a reforma da Previdência: mais desemprego e menos arrecadação
O economista Márcio Pochmann, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) afirmou hoje (29) que as mudanças no sistema de aposentadoria propostas pelo governo podem elevar o desemprego e diminuir a arrecadação previdenciária do país. Segundo ele, a partir da Constituição de 1988, o Brasil adotou um sistema de seguridade social mais amplo do que o que vigorava até então com o extinto Instituto Nacional da Previdência Social (INPS), criado durante a ditadura militar. Pochmann foi um dos convidados de uma série de audiências públicas organizadas pela comissão especial da Câmara dos Deputados para análise da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, sobre a reforma da Previdência. Para o economista, a diminuição da proteção previdenciária aumentaria a disputa por vagas no mercado de trabalho. “As pessoas tenderão a buscar no mercado de trabalho o recurso que não terão do sistema de seguridade. Isso significa mais pessoas disputando as mesmas vagas, o que resulta em queda nas taxas de salário. A queda nas taxas de salário repercute na contribuição à Previdência, que pode perder entre 7% e 9% da sua arrecadação”, estimou. Para o economista, a reforma da Previdência apresentada pelo governo faria com que o sistema de seguridade social retrocedesse ao antigo modelo. “A Previdência [da forma como é hoje] é a primeira experiência de alguma proteção às pessoas que não conseguiam viver no mercado de trabalho, sejam deficientes, idosos ou outros.” Última audiência Pochmann foi convidado pelos deputados da oposição, que são contra a PEC da Previdência. Amanhã (30) o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, falará pelo governo para defender a necessidade da reforma. Com a participação do ministro, estará encerrada a fase de audiências públicas na comissão especial. A reforma previdenciária proposta pelo governo estabelece cidade mínima de 65 anos e tempo mínimo de contribuição de 25 anos para que homens e mulheres se aposentem. Esses requisitos valeriam também para o trabalhador rural, que passaria a ser obrigado a comprovar contribuição previdenciária individual, caso a reforma seja aprovada. A proposta também muda as regras para receber o Benefício de Prestação Continuada (BPC), destinado a deficientes e idosos de baixa renda. Com a reforma, o BPC é desvinculado do salário-mínimo e a idade mínima para pleiteá-lo passa dos atuais 65 anos para 70 anos.
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Explosão de desemprego em SP: taxa de 17,9% em fevereiro é a pior desde 2005
A taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo passou de 17,1% em janeiro para 17,9% em fevereiro, a maior registrada para o mês desde 2005. Os dados foram divulgados pela Fundação Seade e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Em fevereiro de 2016, o desemprego era de 14,7%. O contingente de desempregados foi estimado em 1,9 milhão de pessoas, 99 mil a mais do que em janeiro. Houve redução do nível de ocupação, com eliminação de 39 mil postos de trabalho, o equivalente a 0,4% de queda. A População Economicamente Ativa (PEA) registrou alta de 0,5%, com 60 mil pessoas passando a fazer parte da força de trabalho. O desemprego aberto, ou seja, pessoas que buscaram trabalho nos últimos 30 dias e não trabalharam nos últimos sete dias, variou de 14,1% para 14,8%. A taxa de desemprego oculto, que se refere a pessoas que fizeram trabalhos eventuais, não remunerados em negócios de parentes e tentaram mudar de emprego nos últimos 30 dias ou que não buscaram emprego em 30 dias, variou de 3% para 3,1%. Na comparação entre setores, a indústria de transformação eliminou 42 mil postos de trabalho em fevereiro, queda de 3,2% em relação a janeiro. Nos serviços, houve retração de 0,6%, ou 32 mil postos de trabalho. No mesmo período, o comércio e o setor de reparação de veículos automotores e motocicletas apresentaram alta de 2,2%, com 38 mil postos de trabalho cada. Na construção, foi registrado aumento de 1,2%, com 7 mil postos de trabalho. O rendimento médio real no mês de janeiro (quando foi feita a última aferição do indicador) caiu 3,7% entre os ocupados e 3,9% entre os assalariados. Os salários médios foram de R$ 1.974 para os ocupados e R$ 2.032 para os assalariados da Grande São Paulo.
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IBGE: Crise no setor de serviços só aumenta e queda nas vendas chega a 7,3% em janeiro
(Reuters) - O setor de serviços do Brasil iniciou o ano com as maiores perdas desde 2012, com queda em praticamente todas as atividades em meio ao desemprego elevado e atividade econômica ainda enfraquecida. O volume de vendas do setor em janeiro recuou 2,2 por cento na comparação com o mês anterior, devolvendo os ganhos de 0,7 por cento vistos no último mês de 2016, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. Esse é o pior resultado mensal da série histórica iniciada em 2012. Na comparação com janeiro do ano passado, o setor despencou 7,3 por cento. Em janeiro, somente a atividade de Serviços de informação e comunicação apontou ganhos sobre dezembro, de 5,5 por cento. O restante veio no vermelho, sendo a principal influência para o resultado a queda 15,2 por cento em Serviços profissionais, administrativos e complementares. De acordo com o IBGE, o agregado especial das atividades turísticas apresentou recuo de 11 por cento, após avanço de 3,1 por cento em dezembro. Em 2016, o volume de serviços encolheu 5 por cento, pior resultado da série iniciada em 2012. Apesar de alguns sinais de melhora da atividade econômica, o setor de serviços sofre diretamente o impacto do desemprego elevado.
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Ibama multa Volks em R$ 50 milhões por fraude em emissão de poluentes
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) decidiu multar em R$ 50 milhões a montadora Volkswagen do Brasil por fraude em testes de emissão de poluentes realizados em laboratório com veículos da linha Amarok 2011/2012. A decisão administrativa, foi proferida em primeira instância e ainda cabe recurso. O Ibama também determinou, por meio de ofício, que a empresa realize o recall dos veículos Amarok que contêm dispositivo destinado a reduzir as emissões de poluentes. No total, 17.057 carros da linha continham um software que poderia otimizar os resultados de óxidos de nitrogênio (NOx) durante os testes laboratoriais de homologação. Segundo o Ibama,os veículos Amarok testados continham o dispositivo chamado defeat devise, que reduz em 0,26 g/km, em média, a emissão de poluentes durante ensaios de laboratório. Entretanto, em condições normais de uso, os veículos emitem poluentes acima dos limites e exigências ambientais previstos em lei. O relatório que identificou o problema foi realizado pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), a pedido do instituto. A fraude supostamente cometida pela montadora para burlar os limites de emissão foi descoberta pela agência norte-americana de proteção ambiental EPA (Environmental Protection Agency), que emitiu em setembro de 2015 um aviso de violação da lei daquele país dedicada sobre poluição atmosférica. Volkswagen Brasil Por meio de nota, a empresa informou que foi notificada na quinta-feira (23) e “está analisando a decisão e se manifestará oportunamente”. No processo administrativo, a empresa alegou que o software instalado nos carros para adulterar o padrão de emissões durante testes laboratoriais não estaria ativo, nem seria efetivo para burlar medições. Para o Ibama, no entanto, a mera existência do item já corresponde à materialidade da infração.
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“Carne brasileira é a melhor do mundo”, diz Temer, mas Hong Kong também manda recolher produto brasileiro
O presidente Michel Temer afirmou hoje (24) que a carne brasileira é “a melhor do mundo”. Segundo o presidente, sua equipe tem obtido resultados satisfatórios no sentido de “estancar” a possibilidade de outros países proibirem a compra da carne brasileira, após denúncias de irregularidades na fiscalização do produto, feitas pela Operação Carne Fraca. “A carne brasileira não é fraca. A carne brasileira é a melhor do mundo”, disse Temer durante cerimônia de entrega de 1,3 mil unidades habitacionais do Programa Minha Casa, Minha Vida no Parque Residencial da Solidariedade, em São José do Rio Preto, São Paulo. Temer ressaltou que a situação jestá sendo revertida graças à atuação dos ministros das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi. “Ele [Aloysio Nunes] logo pegou a Operação Carne Fraca sabendo que nossa carne é forte e trabalhou com o Blairo Maggi para estancar essa possibilidade eventual de restrição à compra da carne brasileira, um dos grandes mercados que temos, vendida para 150 países”, enfatizou o presidente. “Temos feito um trabalho extraordinário para reduzir essas tensões, que já começaram a ser reduzidas. A Coreia do Sul, por exemplo, voltou a autorizar a compra da carne brasileira”, acrescentou. HONG KONG As autoridades de Hong Kong decretaram o recolhimento de toda a carnes e derivados procedentes dos 21 frigoríficos brasileiros investigados na Operação Carne Fraca. A medida foi anunciada poucos dias depois de o governo local suspender a importação de carne brasileira sob suspeita. Ao detalhar a decisão para jornalistas, o secretário para Alimentação e Saúde, Ko Wing-man, afirmou que as últimas informações fornecidas por autoridades brasileiras sugerem que “o risco à segurança alimentar não pode ser totalmente descartado”. De acordo com Wing-man, técnicos do Centro de Segurança Alimentar identificaram mais uma fábrica nacional que importou produtos derivados da carne brasileira, além das cinco que já tinham sido identificadas. O secretário não informou qual o volume de carne brasileira bovina, suína ou de frango, bem como de seus derivados, pode estar, hoje, à disposição dos consumidores e comerciantes de Hong Kong. Saiba Mais JBS paralisa por três dias produção de carne bovina no Brasil UE e 14 países suspendem temporariamente importação de carne brasileira Quanto aos produtos embarcados com destino a Hong Kong antes de o próprio governo brasileiro embargar as exportações dos 21 frigoríficos sob suspeita, o secretário disse que ficarão retidos na chegada ao porto até que as investigações sejam concluídas. Wing-man também não precisou quanto tempo durará a suspensão, mas garantiu que a população será devidamente informada sobre todo o processo. Considerado um dos maiores mercados para a carne brasileira, Hong Kong já tinha proibido, na terça-feira (21), a importação de carne brasileira congelada e refrigerada. Na ocasião, o próprio ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, incluiu o território semiautônomo chinês no grupo de compradores aos quais o governo brasileiro estava destinando mais atenção. “ China e Hong Kong são os dois pontos que estamos olhando com mais atenção, em permanente contato, respondendo a todas as questões”, disse Maggi. A China, assim como Hong Kong, já tinha anunciado a suspensão temporária das importações. Até a noite desta quinta-feira (23), pelo menos 14 países, além da União Europeia, tinham suspendido temporária e integralmente a importação de carne brasileira e seus derivados depois que a deflagração da Operação Carne Fraca pela Polícia Federal (PF), na última sexta-feira (17), trouxe à tona suspeitas de irregularidades na produção e fiscalização do setor. Onze países e territórios suspenderam temporária e integralmente a importação: Argélia, Bahamas, China, Chile, Egito, Hong Kong, Jamaica, México, Panamá, Qatar e Trinidad e Tobago. Três países suspenderam as importações apenas dos 21 frigoríficos investigados pela PF ou de parte deles: África do Sul, Japão e Suíça. A União Europeia também integra o bloco dos que optaram pela suspensão parcial, proibindo a entrada de produtos provenientes de quatro plantas industriais brasileiras onde eram processadas carne bovina, suína e de aves. RODOVIA FEDERAL Durante a cerimônia de entrega de unidades do Minha Casa, Minha Vida, o presidente Michel Temer anunciou também a liberação de R$ 87 milhões para dar sequência às obras da BR-153 na região. A exemplo do que tem feito nos últimos dias, o presidente apresentou índices positivos referentes aos juros e à inflação, e ao “ágio extraordinário” obtido na recente concessão de quatro aeroportos e do Porto de Santarém (PA). “Estamos fazendo esforço para acolher todas as postulações sociais. Mas, para isso, é preciso restaurar as contas públicas”, disse o presidente. “Em sete ou oito meses, reduzimos a inflação de 10,7% para 4,8%, e a credibilidade do país está aumentando. Ontem mesmo, o presidente do Banco Central [Ilan Godfajn] disse que a inflação está em 4,8%, ou seja chegando ao centro da meta, para depois baixarmos ainda mais”, disse. Também presente ao evento, o ministro das Cidades, Bruno Araújo, disse que o programa Minha Casa, Minha Vida tem, entre seus objetivos, o de fazer com que as pessoas parem de pagar aluguel. Segundo o ministro, essa frente de obras beneficiará cerca de 5 mil pessoas. “São R$111 milhões do Tesouro Nacional e R$13 milhões do governo estadual. É um trabalho coletivo”. Araújo criticou a paralisação de algumas das obras previstas no Minha Casa, Minha Vida. “O programa chegou a ter 60 mil unidades paralisadas por falta de recursos. Neste exato momento, o governo constrói mais de 500 mil unidades como esta. Tudo feito a partir do momento em que o governo do presidente Temer resolveu colocar as contas em ordem”, disse o ministro.
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Paradoxo da crise: gastos de brasileiros no exterior crescem 61,7%
Os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 1,360 bilhão em fevereiro deste ano, informou hoje (24), em Brasília, o Banco Central (BC). O resultado é 61,7% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando os brasileiros desembolsaram US$ 841 milhões. Nos dois primeiros meses do ano, as despesas ficaram em US$ 2,939 bilhões, 74,8% acima dos gastos registrados no primeiro bimestre de 2016 (US$ 1,681 bilhão). Já as receitas de estrangeiros no Brasil ficaram em US$ 535 milhões em fevereiro e em US$ 1,196 bilhão nos dois meses do ano, contra US$599 milhões e US$ 1,249 bilhão, respectivamente em iguais períodos de 2016. Com esses resultados das despesas de brasileiros no exterior e as receitas de estrangeiros no Brasil, a conta de viagens internacionais ficou negativa em US$ 824 milhões no mês passado, e em 1,743 bilhão no primeiro bimestre. A projeção do Banco Central para o saldo negativo da conta de viagens este ano subiu de US$ 10,5 bilhões para US$ 12,5 bilhões. O chefe adjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Rocha, disse que, com o dólar mais barato este ano, as viagens ao exterior caíram de preço. Ele lembrou que o dólar fechou 2016 em R$ 3,48, na média, e agora está em torno de R$ 3,10. “A apreciação do câmbio na comparação interanual é significativa”, disse.
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China barra 50 mil toneladas de carne brasileira: intenção é barganhar obras de infraestrutura aqui
O governo avalia que os países importadores de carnes têm outros interesses além de explicações técnicas sobre o sistema sanitário brasileiro. Aproveitam falhas apontadas na Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, para forçarem a queda dos preços dos produtos no mercado internacional. Um dos exemplos mais gritantes é o da China, que não se comove com os apelos das autoridades brasileiras para retroceder na decisão de suspender todas as importações provenientes do Brasil. Segundo fontes ligadas ao Palácio do Planalto, a China tem interesses específicos no Brasil, que poderiam ser usados numa negociação para o fim do embargo à carne brasileira. Quer, por exemplo, regras mais claras para participar das concessões, com a definição do ambiente regulatório e do conteúdo local de setores como energia, óleo e gás, de preferência com normas que lhe favoreçam. O ex-embaixador do Brasil na China Luiz Augusto de Castro Neves lembra que, em 2004, um carregamento de soja com sementes supostamente contaminadas foi barrado naquele país. Isso causou uma forte queda no preço do produto. — A situação da soja pode se repetir com a carne. A diferença é o apelo midiático — disse o diplomata. Ciente desse cenário, em que o preço a ser pago pela Operação Carne Fraca poderá ser mais alto do que se pensava, o presidente Michel Temer determinou a criação de um grupo formado por representantes de todos os órgãos envolvidos em comércio exterior, para que façam um levantamento para identificar o que cada um dos países que adotaram barreiras ao Brasil quer em troca do fim da suspensão das importações. Seria uma forma de orientar as negociações para a retomada da credibilidade da carne brasileira. Por enquanto, não há notícias sobre os resultados das negociações entre o lado brasileiro e o chinês. As reuniões têm sido intensas e a portas fechadas em Pequim. Na terça-feira, a porta-voz do governo chinês, Hua Chunying, afirmou que não há previsão para o fim da restrição. Em cerimônia no Palácio do Planalto, ontem, durante o lançamento do Portal Único de Comércio Exterior, Temer voltou a lamentar a reação dos parceiros internacionais à operação. Ele disse que a “nacionalidade” contestou o que poderia se transformar em um evento internacional “desastroso”. — Logo superaremos, esperamos, esse embaraço que pode causar prejuízo ao país, mas, digo eu, será logo superado pela compreensão de todos aqueles, a imprensa colaborou, quando eu falo em nacionalidade, o Brasil todo colaborou para esse fator — afirmou. EMBARGO ATINGE CARGAS PRÉ-OPERAÇÃO A decisão da China de suspender as importações brasileiras e reter nos portos todos os carregamentos chegados do Brasil, anunciada na segunda-feira à noite, tem efeitos maiores do que se imaginaria. Aproximadamente 50 mil toneladas de carnes já foram impedidas de entrar no país, segundo relataram fontes ao GLOBO. Trata-se do equivalente a 18 dias de exportações brasileiras para o mercado chinês entre carnes de frangos, suínos e bovinos. Embora a orientação para segurar a mercadoria só tenha sido divulgada oficialmente esta semana, o sinal de alerta foi acionado pelas autoridades chinesas desde a sexta-feira, quando estourou a operação da Polícia Federal no Brasil. Além disso, a medida acaba tendo um efeito mais amplo, ao atingir também cargas que haviam desembarcado no país antes do escândalo e já haviam sido inspecionadas pelas autoridades locais. Elas ainda aguardavam a liberação do certificado de inspeção, que leva, em média, 15 dias para ser emitido. Não há risco de perdas das mercadorias estocadas, pois chegam congeladas ao país. No entanto, há um outro detalhe que pode prejudicar o Brasil: os chineses mandaram devolver todas as carnes com o selo de classificação CIF 530 da Seara. Ao chegar ao país, os carregamentos sofrem inspeção, pagam tributos e esperam a emissão do certificado para que sejam liberados para a venda no mercado. A grande preocupação das autoridades brasileiras, neste momento, é que o Brasil nunca vendeu tanta carne para os chineses. São cerca de 80 mil toneladas por mês. Foram cerca de US$ 2 bilhões no ano passado. O Brasil fornece 80% da carne de frango importada pela China. A carne bovina também ganhou destaque na pauta. No ano passado, o Brasil ultrapassou os australianos e se tornou o maior vendedor de carne bovina para o mercado chinês, contribuindo com 29% do total importado. O país é ainda o sétimo fornecedor de carne de suínos. Para tentar reverter o impasse com os chineses, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, fez uma conferência com a mídia da China. Ele colocou a culpa de toda a confusão causada em agentes da Polícia Federal e ofereceu aos chineses uma visita surpresa a qualquer fábrica do país para que atestem a qualidade dos processos. — Podemos ir a qualquer planta sem avisar ninguém. Eu, pessoalmente, irei acompanhar — disse o ministro durante a entrevista às agências internacionais. Em reunião com a frente parlamentar agropecuária ontem, o presidente Michel Temer informou que editará um decreto nos próximos dias endurecendo as regras de fiscalização e de penalização a fiscais sanitários para evitar irregularidades. O presidente afirmou aos parlamentares que pretende editar o decreto com nova regulamentação de inspeção sanitária até dia 29 deste mês. A ideia, segundo participantes da reunião, é atualizar o Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Rispoa), decreto da década de 1950.
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Hipermercados da China já retiram carne brasileira das prateleiras
Grandes supermercados da China continental e da cidade de Hong Kong (região administrativa especial) já retiraram das prateleiras produtos brasileiros de carne bovina e de frango. É o primeiro impacto do escândalo que envolve a indústria processadora do Brasil na mesa do consumidor. A Sun Art Retail, a maior rede de hipermercados da China, o Walmart e o Metro lideraram o movimento. Uma porta-voz da Sun Art Retail, que opera 400 hipermercados chineses, admitiu que a rede recolheu carne fornecida pela BRF e pela JBS desde segundafeira — antes mesmo de o governo chinês confirmar a suspensão das importações e que carnes desembarcadas do Brasil seriam retidas nos portos. A carne bovina brasileira responde por menos de 10% da oferta da Sun Art Retail, segundo a empresa. O mesmo teriam feito o Walmart e a rede alemã Metro. Em Hong Kong, a rede Wellcome retirou das prateleiras toda a carne congelada e fresca de bovinos e frangos de origem brasileira. A rede avisa que os clientes poderão ter seu dinheiro de volta ou trocar a compra por outros produtos. Na concorrente ParknShop, o cliente também pode ser ressarcido ou trocar a mercadoria. Em ambos os casos, amostras dos produtos teriam sido enviadas para testes. De acordo com o jornal “South China Morning Post”, a rede de fast food Fairwood, também em Hong Kong, suspendeu na noite de terça-feira as vendas dos pratos de porco grelhado com carne brasileira. Já o governo japonês minimizou o impacto para o mercado local, que traz do Brasil 80% dos frangos importados. O ministro-chefe da Casa Civil, Yoshihide Suga, afirmou que o país vai manter a suspensão da importação de carnes restrita a produtos dos 21 frigoríficos que estão sendo investigados pela PF.
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Carne fraca: exportação brasileira cai de US$ 63 milhões/dia para US$ 74 mil/dia
A Operação Carne Fraca já afetou as exportações de carne. Números do Ministério do Desenvolvimento mostram que as vendas externas do setor somaram apenas 74 mil dólares nesta terça-feira. Até sexta-feira, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Carne Fraca, a média diária de exportações de carne em março era de 63 milhões. Com a queda abrupta, segundo o ministério, a média diária de março já passou para 60 milhões de dólares. O Brasil exportou o equivalente a 14 bilhões de dólares em carnes em 2016. Os maiores importadores de carne do Brasil, como Hong Kong, China e Japão, anunciaram restrições à entrada de nossos produtos. Hoje, a África do Sul engrossou a lista de países que estão barrando a compra de carne brasileira. Também fazem parte da lista o Chile, União Europeia, Suíça, México e Jamaica. A Coreia do Sul havia suspendido a compra de frangos da BRF, mas voltou atrás. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse na segunda-feira (20) que será ‘um desastre’ se os países importadores restringirem a entrada da carne brasileira. “Eu torço, rezo, penso, trabalho para isso não acontecer”, afirmou. Segundo ele, o governo brasileiro precisa se apressar para dar explicações aos países que importam carne do Brasil. A preocupação é com o bloqueio desses mercados ao produto brasileiro. “Temos que correr para atuar no mercado externo. Não podemos permitir o fechamento [do mercado]. Uma vez que aconteça o fechamento, serão muitos anos de trabalho para reabrir novamente. Nossa preocupação é não deixar sem resposta nenhum pedido de informação desses países”, afirmou ele. Para que os embargos fiquem restritos às 21 empresas investigadas, o Brasil barrou a exportação dessas companhias. Das 21 empresas, apenas quatro exportam para a União Europeia. Dos 58 exportadores para a China, apenas um é investigado.