A economia brasileira voltou a crescer no início deste ano. Nas contas do Banco Central (BC), a expansão foi de 1,31% em fevereiro em relação a janeiro, já descontados efeitos sazonais. E a velocidade da retomada surpreendeu. A previsão dos analistas para o Índice de Atividade Econômica da autoridade monetária, o IBC-Br — divulgado na manhã de ontem pela autarquia —, era de um crescimento de 0,6%. Foi o segundo mês consecutivo de expansão, o que animou os especialistas, que já têm previsões mais otimistas em relação à recuperação.
O BC revisou o dado de janeiro, que foi alterado de uma queda de 0,26% para uma expansão de 0,62%. Isso reflete uma revisão intensa dos dados referentes ao primeiro mês do ano nos setores de serviço e comércio divulgados pelo IBGE, que se deveu a uma mudança metodológica para seguir normas internacionais.
REVISÃO DE DADOS DO VAREJO ELEVA CONFIANÇA Na semana passada, o IBGE informou que o varejo brasileiro registrou expansão de 5,5% em janeiro, na comparação com dezembro, em vez da retração de 0,7% que havia sido inicialmente divulgada. O instituto também atualizou o dado para o setor de serviços, de queda de 2,2% para uma alta de 0,2%.
— As grandes revisões para cima dos dados do setor de vendas e serviços de varejo de janeiro, aliadas à grande expansão esperada do setor agrícola, nos dá confiança de que, após uma recessão de 11 trimestres, a economia atingiu um ponto de inflexão durante o primeiro trimestre — frisou o economista-chefe para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos.
Ramos aposta em crescimento já neste início de ano:
— Com a expansão de fevereiro, a transição estatística de crescimento para o primeiro trimestre deste ano está agora positiva em 1,5%. Isto é, se a economia em março permanecesse estável no nível de fevereiro, o PIB (Produto Interno Bruto) real teria expansão de 1,5% no primeiro trimestre — explicou o economista.
Nos últimos 12 meses, o IBC-Br mostra uma retração de 3,56%. No mês passado — antes da revisão de dados feita pelo IBGE — o resultado era uma retração de 3,99%.
Boletim do Bradesco, assinado pelo economista-chefe, Fernando Honorato Barbosa, afirma que o resultado surpreendeu positivamente, “impulsionado pelas revisões altistas dos dados de vendas do varejo e de receitas de serviços”.
ESTIMATIVA PARA O IPCA RECUA A 4,06% Outro ponto positivo para a economia é o recuo da inflação. As projeções para o IPCA, usado na meta oficial do governo, continuam sendo revistas para baixo pelo mercado. Pela sexta semana consecutiva, a estimativa para 2017 recuou: está em 4,06%, contra 4,09% na semana anterior, segundo o Boletim Focus, que reúne as projeções das principais instituições financeiras. Para o ano que vem, a previsão agora é de 4,39%, ante 4,46% na semana anterior. É a segunda semana seguida em que a taxa recua.
A meta de inflação oficial do governo é de 4,5%, com tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo, para este ano e para 2018.
Já a mediana das projeções que indicam o crescimento do PIB recuou de 0,41% para 0,40% para este ano, permanecendo em 2,50% para 2018. Não houve mudanças para o cenário de juros: o mercado manteve a previsão de que a Taxa Selic encerre tanto 2017 quanto o próximo ano em 8,50%.
Entre os Top 5 — os que mais acertam nas projeções econômicas — a previsão para a inflação em 2017 já está abaixo de 4% desde o início de março. Atualmente, essa estimativa está em 3,73%.