Colunista do jornal O Globo que ajuda a demarcar o campo conservador, o jornalista Merval Pereira admite hoje que o cheque de R$ 1 milhão doado pela empreiteira Andrade Gutierrez ao então vice-presidente Michel Temer, no curso da campanha eleitoral de 2014, está causando “desequilíbrio institucional” em Brasília. O cheque foi entregue ao TSE pela defesa da presidente Dilma Rousseff, que corre o risco de ser cassada sozinha, sem a companha de Temer, a prevalecer a tese da separação de contabilidades eleitorais.
“É uma espécie de vingança”, registra Merval, em referência aos advogados de Dilma. Em depoimento anterior no TSE, o empreiteiro Otávio Azevedo, ex-presidente da Andrade, afirmou que a doação foi fruto de propina sobre contratos da Petrobras, mas que fora feita ao PT. Agora, ele terá de voltar ao tribunal, na quinta-feira 17.
“Se a maioria do TSE considerar que não é possível separar as contas, Temer também terá sua eleição impugnada”, assinala Merval, que já aponta para uma eleição presidencial indireta, via Congresso, no próximo ano, para uma presidente de mandato-tampão até as eleições de 2018.